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INFECTOLOGIA
Furg e Hospital Universitário promovem evento sobre aspergilose pulmonar
Programação reuniu profissionais e estudantes da área da saúde
Rio Grande (RS) – Como reconhecer uma doença que pode evoluir de forma silenciosa e impactar diretamente o cuidado de pacientes atendidos pelo SUS? Essa foi a questão que orientou o evento científico sobre aspergilose pulmonar realizado no dia 1º de abril, no Anfiteatro Prof. Vicente Mariano Pias, na Área Acadêmica Prof. Newton Azevedo. A atividade foi promovida pelo Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE Infectologia) do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Rede HU Brasil, e pelo Laboratório de Micologia da Furg, com a participação de profissionais de diferentes instituições do país.
A proposta foi qualificar profissionais de saúde para o reconhecimento, diagnóstico e tratamento da aspergilose pulmonar, uma micose sistêmica em crescimento, com impacto direto na assistência à população pelo Sistema Único de Saúde. O evento foi voltado a profissionais e estudantes da Furg, do HU-Furg e da Rede Básica de Saúde, promovendo a integração entre os diferentes níveis de atenção e entre assistência, ensino e pesquisa.
Na abertura, a professora da Faculdade de Medicina (FaMed/Furg) e líder do Grupo de Pesquisa em Micologia Médica, Melissa Xavier, destacou a relevância do encontro e a inserção do HU em uma pesquisa nacional. “Temos a satisfação de receber palestrantes com atuação na área da aspergilose pulmonar, uma doença fúngica ainda negligenciada, mas de grande importância. Estamos trabalhando em parceria com o Projeto REMARA, que atua em nível nacional no monitoramento da presença e da resistência de aspergilos aos antifúngicos. Nesse contexto, o HU-Furg passa a integrar como centro colaborador, com acesso a kits diagnósticos que contribuem para qualificar a assistência aos pacientes com suspeita dessa doença”.
Além disso, Melissa destacou que a programação foi estruturada para aproximar o conhecimento científico da prática clínica. “Propusemos o evento com dois momentos. Primeiro, as palestras com professores convidados e, depois, uma mesa redonda com discussão de casos, para promover um diálogo mais direto com a prática assistencial”, pontuou.
O gerente de Ensino e Pesquisa do HU-Furg, Edison Barlem, ressaltou o papel da atividade na articulação entre formação, assistência e produção de conhecimento. “Momentos como este representam a essência do que fazemos. Reunimos assistência, ensino e pesquisa em um mesmo espaço, o que permite refletir sobre os desafios do cuidado e pensar novos caminhos para a prática no SUS”, compartilhou.
Já a chefe da Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias (Udip) do HU-Furg, destacou: “Este é um momento importante para compartilhar conhecimento e fortalecer a capacidade de diagnóstico e manejo da aspergilose no nosso contexto. A proposta é aproximar a discussão científica da prática assistencial e alertar os profissionais para uma doença que muitas vezes não é reconhecida de forma oportuna”.
Ao abordar a doença, Rossana explicou que “a aspergilose é uma doença que pode se manifestar de várias formas. Ela é mais frequente em pacientes imunodeprimidos, como transplantados ou internados em unidades de terapia intensiva (UTI), mas também pode ocorrer em pessoas que têm sequelas pulmonares, como após tuberculose ou em casos de bronquite crônica”.
Segundo a médica, essa diversidade de apresentações pode dificultar o reconhecimento precoce, o que reforça a necessidade de capacitação das equipes. “Por isso, é fundamental que os profissionais estejam atentos. Hoje nós temos condições de diagnosticar, tratar e acompanhar esses pacientes. Quando identificada no tempo adequado, é possível evitar a progressão da doença e reduzir o risco de sequelas, o que impacta diretamente na qualidade do cuidado prestado no SUS”, frisou.
Diagnóstico, tratamento e casos clínicos
A programação contou com as palestras “Aspergilose pulmonar: quando suspeitar?” e “Aspergilose pulmonar: como tratar?”, ministradas pelo professor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Marcello Mihailenko Chaves Magri. Ele destacou os critérios utilizados na identificação da doença: “Estamos falando de um fungo presente no ambiente, que pode causar diferentes manifestações, desde quadros alérgicos até formas invasivas graves, especialmente em pacientes imunodeprimidos. O desafio é saber em que momento suspeitar e quais critérios utilizar”.
Para Marcello, o diagnóstico exige uma avaliação integrada: “Não existe um único exame que resolva. É preciso considerar critérios laboratoriais, radiológicos, epidemiológicos e clínicos. A proposta é justamente trazer essa visão prática, que ajude o profissional a tomar decisões no atendimento”.
O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e coordenador do Projeto REMARA, James Venturini, apresentou a palestra “Aspergilose pulmonar: como diagnosticar?” e abordou os desafios relacionados à detecção da doença. Para o especialista: “A aspergilose ainda é uma doença subdiagnosticada. Muitas vezes, o paciente não é identificado no tempo adequado, o que compromete o tratamento. Precisamos avançar na capacidade de detecção e no entendimento do comportamento desses fungos”.
A programação incluiu ainda mesa redonda com discussão de casos clínicos locais e regionais, com a participação das médicas do HU-Furg, Heruza Einsfeld Zogbi, Alessandra Isabel Zille e Rebecca Saray Stival, além da médica do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), Silvia Elaine Macedo. O momento contou com espaço para perguntas e foi mediado pela professora Melissa e pela médica Rossana.
Projeto amplia atuação em rede nacional
O evento também marcou o início da participação do HU-Furg no Projeto REMARA. A iniciativa tem como foco o monitoramento da resistência antifúngica em casos de aspergilose e a qualificação do diagnóstico em hospitais da Rede HU Brasil. “É um projeto nacional que envolve diferentes hospitais universitários e tem como objetivo entender melhor como esses fungos estão se comportando no Brasil. Ainda sabemos pouco sobre a resistência aos antifúngicos, especialmente considerando que somos um país com forte atividade agrícola, onde esses produtos também são utilizados”, afirmou James.
Segundo o pesquisador, a ampliação da rede de centros colaboradores é importante para gerar dados mais consistentes. “A participação do HU-Furg fortalece esse trabalho, porque amplia a coleta de informações e permite olhar para diferentes realidades. Isso contribui não só para a pesquisa, mas também para melhorar a assistência aos pacientes”, detalhou.
O projeto reúne uma equipe multidisciplinar com pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes, e será desenvolvido em ambulatórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva, integrando assistência, ensino e pesquisa no âmbito do SUS. A iniciativa envolve hospitais universitários de diferentes regiões do país e conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Sobre a HU Brasil
O HU-Furg faz parte da Rede HU Brasil desde julho de 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Rede HU Brasil