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SETEMBRO AMARELO
Setembro Amarelo: cuidado e atenção à saúde mental dos adolescentes
Pelotas (RS) – A adolescência é uma fase marcada por muitas transformações físicas, emocionais e sociais. Nesse período, os adolescentes podem enfrentar desafios relacionados à autoestima, relacionamentos, escola, família, redes sociais e às próprias mudanças da vida.
O Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre saúde mental, promovendo informação, acolhimento e valorização da vida. Para ter uma comunicação mais efetiva com adolescentes, é fundamental proporcionar espaços seguros onde eles possam expressar seus sentimentos, dúvidas e dificuldades sem medo de julgamentos.
Para a médica psiquiatra do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), Nicolle Gonçalves, “em se tratando de adolescentes, é importante estar atento a mudanças de comportamento, como isolamento, tristeza persistente, irritabilidade intensa, alterações no sono ou na alimentação, queda repentina no desempenho escolar, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer ou falas relacionadas à morte, desesperança ou falta de sentido na vida. Esses sinais não devem ser ignorados”, reforça Nicolle.
Pais, familiares, professores e outros adultos de referência têm um papel importante nesse cuidado. Escutar com atenção, demonstrar interesse, respeitar os sentimentos e evitar frases que minimizem o sofrimento são atitudes que podem fortalecer os vínculos e ajudar o adolescente a se sentir acolhido.
Cuidar da saúde mental durante a adolescência é fundamental. Essa fase exerce grande influência na construção da identidade, da autoestima e da forma como o indivíduo enfrentará os desafios ao longo da vida. Oferecer escuta, acolhimento e apoio hoje pode contribuir para uma vida adulta com mais saúde emocional e qualidade de vida. Quando necessário, buscar orientações de profissionais de saúde é uma atitude de cuidado e responsabilidade.
Um estudo de Gould (1990), com participantes expostos a relatos de suicídio, revelou que os adolescentes entre 15 e 19 anos tinham entre duas e quatro vezes mais chances de cometê-lo do que pessoas de outras faixas etárias. É isso que muitos chamam de “efeito contágio”.
Outro estudo, feito em 2025, publicado no Acta Psychologica, constatou que 75% dos participantes, com idades entre 16 e 25 anos, chegaram à primeira consulta com um profissional de saúde mental já suspeitando de um diagnóstico, e a maioria deles apontou as redes sociais como influência.
Como procurar ajuda?
- Centro de Valorização da Vida – ligue 188 gratuitamente, a qualquer dia e horário, ou acesse o site do CVV (www.cvv.org.br) para atendimento por chat, e-mail ou pessoalmente em alguns endereços.
- Mapa da Saúde Mental (www.mapasaudemental.com.br)
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
- Unidades Básicas de Saúde (UBS, saúde da família, postos e centros de saúde)
- Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h
- Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) – ligue 192
Mais do que falar sobre saúde mental durante o Setembro Amarelo, é necessário manter o diálogo durante todo o ano.
Sobre a HU Brasil
O HE-UFPel integra a Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.