Notícias
JULHO AMARELO
Inimigo silencioso: sintomas comuns podem esconder infecção grave no fígado
Pelotas (RS) – Pele amarelada, fadiga crônica, perda de apetite, náuseas e diarreia. Sintomas que parecem comuns a diversas enfermidades cotidianas podem indicar sinais de alerta das hepatites virais, que consistem em infecções do fígado às quais, em determinados casos, se não tratadas a tempo, podem levar ao óbito. No período de 2000 a 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 826.292 casos confirmados da doença no Brasil.
Neste mês de julho, mês de conscientização sobre as Hepatites Virais, especialistas da Rede HU-Brasil reforçam a importância do diagnóstico precoce e das medidas preventivas contra os cinco principais vírus da doença: A, B, C, D e E.
Para a médica gastroenterologista do HE UFPel, Elza Cristina Miranda da Cunha Bueno, a testagem para diagnóstico dos casos de Hepatite B e C é primordial para identificação e tratamento dos pacientes a fim de diminuir a transmissão da doença e evitar complicações relacionadas a progressão dela como cirrose hepática e Hepatocarcinoma.
A maioria dos tratamentos de hepatites, especialmente da Hepatite C, pode ser feita na diretamente na Unidade Básica de Saúde (UBS), por médicos generalistas. Quando necessário, casos mais complexos são encaminhados para o especialista. Os encaminhamentos ao ambulatório de Gastroenterologia da UFPel são feitos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Tipos e características: as diferenças entre os vírus
• Hepatite A (HAV): Transmitida pela via fecal-oral (água ou alimentos contaminados), é uma das formas mais comuns. Embora tenha evolução benigna, pode, raramente, se tornar grave com necessidade de internação e transplante hepático. Não há tratamento específico, apenas medidas de suporte.
• Hepatite B (HBV): Transmitida por via sexual, sangue contaminado por compartilhamento de material perfurocortante ou de mãe para filho no nascimento. Pode cronificar, evoluir para cirrose e câncer de fígado. O tratamento controla a doença, mas exige medicação contínua, e estas medicações são oferecidas pelo SUS.
• Hepatite C (HCV): Transmitida por via sexual e principalmente pelo contato com sangue contaminado. Apresenta uma taxa altíssima de cronificação (60% a 85% dos casos). O tratamento disponível no SUS apresenta excelentes taxas de cura, próximas de 100%.
• Hepatite D (HDV): Também transmitida pelo sangue, atinge apenas pacientes que já possuem o vírus B, do qual depende para se replicar.
• Hepatite E (HEV): Raramente descrita no Brasil, porém com um discreto aumento de casos nos últimos anos, tem transmissão fecal-oral. Geralmente é autolimitada, mas pode ser grave em gestantes e cronificar em pacientes imunossuprimidos.
O perigo do diagnóstico tardio
O principal desafio no combate às hepatites é o seu caráter silencioso nos casos da hepatite crônica B e C. A maioria dos pacientes não apresenta sintomas nas fases iniciais, retardando a busca por ajuda médica.
Prevenção: vacinas, higiene e proteção
Os cuidados básicos variam de acordo com a forma de contágio de cada vírus. Para as hepatites A e E, o foco está no saneamento e na higiene.
Já para os tipos B e C, as medidas envolvem o uso de preservativos nas relações sexuais e o não compartilhamento de objetos cortantes e perfurantes de uso pessoal, como alicates de unha, lâminas de barbear e tesouras.
A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz de proteção. O SUS disponibiliza gratuitamente a vacina contra a Hepatite A para crianças de até 5 anos incompletos e grupos de risco, garantindo até 100% de proteção. Já a vacina contra a Hepatite B faz parte do calendário básico de imunização, com a primeira dose aplicada ainda na maternidade, gerando imunidade duradoura por até 35 anos. Atualmente, não existe vacina disponível para a Hepatite C.
Sobre a HU Brasil
O HE-UFPel integra a Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Paulina Oliveira, com revisão de Rosenato Barreto
Gerência Executiva de Comunicação Social / HU Brasil
Créditos da imagem: Magnific