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SÉRIE SAÚDE MENTAL
Sofrimento emocional: conheça sinais que indicam que é hora de procurar ajuda
Brasília (DF) - Mudanças de comportamento, isolamento, crises persistentes e falas relacionadas à morte podem indicar que uma situação de sofrimento merece atenção especial. Neste Dia Mundial da Saúde Mental, 10 de outubro, especialistas da HU Brasil explicam como familiares e amigos podem reconhecer esses sinais e saber quando é necessário buscar ajuda profissional.
Sofrimentos
De acordo com Marcos Portela, psicólogo do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), um primeiro passo pode ser identificar o sofrimento como agudo ou crônico. O agudo vem de situações em que o sofrimento é inevitável e compreensível, porém temporário: “Por exemplo, perder alguém, adoecer subitamente, frustrar-se diante de uma derrota esportiva, eleitoral ou amorosa, decepcionar-se com um projeto como engravidar, passar no vestibular, passar no teste do Detran”, lista Marcos.
Já o sofrimento crônico é fruto da intensificação e não elaboração das situações que causaram o sofrimento agudo e de condições psicopatológicas. “O viúvo que não consegue mais se relacionar com ninguém, o candidato a motorista que apresenta crises de pânico ao entrar no veículo, a mãe que perde o filho e não consegue sair de casa há anos”, exemplifica Marcos.
Para Marcos, não há diferença na forma como familiares e amigos devem reagir: “Em ambas as situações, nossa atitude em relação ao sofrimento deve ser muito mais de acolhimento e escuta do que de fala”, ressalta. Caso a conclusão seja de que a pessoa precisa de ajuda profissional, tudo deve começar com uma pergunta: “Você quer ajuda?”. Em situações graves, pode ser preciso insistir. “Uma negativa não se encerra com um ‘não’. É necessário querer saber o que se passa com o outro, que ele explique por que não quer ajuda e não quer resolver o que o aflige”, explica Marcos.
Avisos
Para Rafaela Perez, psicóloga do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), um dos maiores mitos relacionados à saúde mental é o de que quem quer se matar não avisa. Quando alguém levanta essa possibilidade, é preciso levar a sério. “Existem situações em que não devemos apenas esperar. Quando há falas relacionadas à morte, a não querer mais viver ou quando percebemos que a segurança daquela pessoa pode estar em risco, é necessário buscar ajuda”, ressalta Rafaela.
Outro mito que a psicóloga percebe é a crença de que perguntar sobre o assunto pode colocar ideias na cabeça de alguém. “Na verdade, criar um espaço responsável e acolhedor para conversar pode permitir que aquele sofrimento apareça e que a pessoa consiga receber ajuda”, avalia ela.
Sinais de alerta
Segundo Betty Nesanelovicz, psiquiatra do Hospital Universitário dos Servidores do Estado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Huse-Unirio), há sinais que podem ser observados para identificar a necessidade de ajuda profissional, embora eles não devam ser interpretados de forma isolada. Veja alguns exemplos.
Pode ser uma questão de acolhimento e observação
- Mudança de comportamento por um período breve
- Crise aguda de raiva passageira e coerente com uma situação de estresse
- Postura silenciosa temporária
- Capacidade de interagir e pedir ajuda mesmo nos momentos de sofrimento
- Capacidade de verbalizar o sentimento de forma clara e inteligível
- Capacidade de seguir com a rotina e as atividades habituais
- Afirmação de que não tem vontade de morrer ou matar
- Afirmação de que está pensando em soluções para o sofrimento, mas precisa de ajuda
Pode ser hora de intervir e buscar ajuda profissional
- Alteração abrupta de comportamento
- Abuso de substâncias
- Manifestações de descontrole emocional persistente, mesmo que a situação motivadora não seja grave
- Comportamento muito estranho e fala muito estranha
- Comportamento parado, quase catatônico
- Falas relacionadas ao suicídio
- Automutilação
- Restrições alimentares e desleixo na higiene pessoal
- Dificuldade de encontrar diagnóstico clínico para um agravo
- Impressão de escutar vozes ou estar sendo perseguido
- Medo de sair de casa
- Oscilação constante de comportamento e humor
- Comportamento de risco para si próprio ou para outros
- Incapacidade de se acalmar quando está com um comportamento agitado, agressivo, raivoso, paranoico, explosivo, ameaçador
- Sumiços e viagens sem dar satisfação
- Falas sobre cometer crimes
- Sintomas de perda de memória observados apenas pelos outros
- Comportamentos e falas mentirosas frequentes
A psiquiatra reforça que esses são apenas alguns exemplos comuns, mas os sinais e sintomas psiquiátricos são inúmeros e complexos. “Os padrões emocionais, comportamentais, éticos, estéticos e míticos podem variar de uma pessoa para outra e também em uma mesma pessoa durante o seu ciclo de vida”, explica ela. Ao interpretar sinais, portanto, é preciso ter muita cautela. É sempre necessário olhar para a pessoa e para o contexto. A psique humana é muito complexa”, conclui.
Por Paula Lemos, com edição de Danielle Campos
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil