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Segurança do paciente é prioridade nos hospitais universitários da Rede HU Brasil
Hospitais universitários fortalecem cultura de prevenção e qualidade no cuidado durante o Abril pela Segurança do Paciente.
Brasília (DF) - Com o tema “Qualidade, segurança e vidas protegidas: um compromisso permanente do SUS”, o movimento Abril pela Segurança do Paciente, instituído pelo Ministério da Saúde, reforça a segurança do paciente como eixo estruturante da qualidade do cuidado, sendo transversal a todas as áreas e níveis de atenção à saúde. A mobilização ganha força nos hospitais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil), que intensificam ações voltadas à promoção de práticas seguras.
Nesta terça-feira (07), representando a HU Brasil, a chefe de Serviço de Gestão da Qualidade, Márcia Dal Sasso e a chefe de Setor de Gestão da Qualidade do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ), Christiany Gonzalez, participaram de reunião no Ministério da Saúde para retomada do Comitê Nacional de Implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente.
“Na ocasião, foi discutida a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente, em um momento histórico para o fortalecimento dessa agenda no país. Trata-se de um passo muito importante para todos nós que atuamos e defendemos o avanço da segurança do paciente no Brasil”, explica Márcia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a segurança do paciente envolve um conjunto de ações organizadas, planejadas e continuamente avaliadas para reduzir riscos e danos evitáveis nos serviços de saúde. Isso inclui desde a adoção de protocolos até o fortalecimento de uma cultura institucional voltada à prevenção.
A gestora enfatiza que a segurança do paciente é a articulação entre diretrizes bem definidas e sua implementação consistente na prática, uma vez que protocolos são essenciais, mas, sozinhos, não transformam a realidade.
“Nos hospitais da rede, há avanços importantes nesse percurso, com maior institucionalização do tema, fortalecimento das discussões sobre qualidade do cuidado e maior compreensão de que a assistência precisa ser cada vez mais segura e centrada no paciente”, declara Márcia.
Além disso, a gestora destaca que iniciativas nacionais podem favorecer esse movimento, como a sanção da Lei nº 15.378, de 6 de abril de 2026, que instituiu o Estatuto dos Direitos do Paciente. A norma reforça direitos, autonomia e proteção na relação das pessoas com os serviços de saúde, consolidando um marco legal nacional aplicável aos profissionais de saúde, aos serviços públicos e privados.
Atuação em rede
Na Rede HU Brasil, o trabalho colaborativo entre os 45 hospitais é um dos pilares dessa estratégia. Para a chefe de Setor de Gestão da Qualidade do Complexo do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), Ana Paula Hermann, a atuação em rede fortalece resultados. “A troca de experiências entre os hospitais fortalece a atuação e torna o trabalho mais colaborativo e efetivo.”
Ela destaca que a segurança do paciente exige ações integradas e contínuas. Entre as estratégias adotadas estão o fortalecimento dos núcleos de segurança, a inserção do tema na formação de residentes e estudantes, a integração com a gestão de pessoas e a participação em avaliações nacionais da Anvisa. “Não existe uma única solução. É preciso atuar em várias frentes para atender à complexidade do ambiente hospitalar.”
Outro ponto essencial é o envolvimento do paciente no próprio cuidado. “O paciente é a última barreira de segurança. Quando ele participa ativamente, ajuda a identificar riscos e fortalece o cuidado. Por isso, sua participação deve ser estimulada.”
Muito além do checklist: a cultura que protege vidas
No Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), o foco está na consolidação de uma cultura de segurança baseada no aprendizado. O chefe de Setor de Gestão da Qualidade, Alan de Oliveira Rezende, explica que o erro vem sendo ressignificado.
“Hoje, tratamos o erro como oportunidade de melhoria, com foco nos processos e no aprendizado coletivo, e não na punição. Na última avaliação da cultura de segurança do paciente (2025), aproximadamente 60% reconheceram que os erros são tratados como processo de aprendizagem”.
Ele também destaca que a segurança do paciente impacta diretamente os profissionais de saúde. “As ações são voltadas para garantir infraestrutura adequada, processos alinhados e práticas assistenciais padronizadas, promovendo um ambiente mais seguro tanto para o paciente quanto para o trabalhador.”
Durante o Abril pela Segurança do Paciente, o hospital implementa ações práticas e contínuas, como discussões de eventos adversos reais, monitoramento de indicadores e reuniões rápidas de alinhamento assistencial (huddles). “A proposta é integrar a segurança à rotina, promovendo uma cultura que previne, aprende e melhora continuamente.”
Ensino e assistência: o desafio de cuidar e formar com segurança
Nos hospitais universitários, a segurança do paciente também passa pela formação dos futuros profissionais. No Hospital Universitário de Sergipe (HU-UFS), a chefe do Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente, Milena Motta, destaca o equilíbrio necessário entre ensino e assistência. “Garantir a segurança em um ambiente de aprendizagem exige supervisão qualificada e compromisso com os protocolos institucionais.”
Segundo ela, a educação continuada e a vivência prática em ambientes seguros são fundamentais para consolidar essa cultura. “Profissionais formados em instituições que valorizam a segurança incorporam essas práticas naturalmente no seu exercício profissional.”
Milena ressalta que programas como o de cirurgia segura exemplificam como protocolos bem estabelecidos contribuem para a formação. “Mais do que ensinar técnicas, é essencial formar profissionais comprometidos com práticas seguras em todas as etapas do cuidado.”
Com iniciativas que envolvem gestão, profissionais, estudantes e pacientes, os hospitais universitários reafirmam seu papel estratégico na consolidação de uma cultura de segurança no SUS — uma prática diária que salva vidas e qualifica o cuidado em todo o país.
Agendas prioritárias
Os hospitais irão desenvolver programações locais ao longo do mês, de acordo com cada realidade e planejamento interno. Além disso, em nível de rede, as ações estão articuladas com as linhas de cuidado prioritárias do planejamento estratégico, com destaque para o cuidado perioperatório, o cuidado perinatal, a oncologia e a urgência e emergência. “A proposta é aproveitar o Abril pela Segurança do Paciente para ampliar a mobilização em torno dessas agendas prioritárias, fortalecendo a segurança do cuidado nos diferentes contextos assistenciais”, finaliza Márcia.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Danielle Morais, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil