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COVID-19
Estudos científicos avaliam medicamentos para tratamento de Covid-19
Mesmo que não exista, atualmente, nenhuma substância aprovada formalmente para fins de tratamento específico da infecção pelo SARS-CoV2 (o novo Coronavírus) em nenhum lugar do mundo, há diversos medicamentos sendo estudados para uso no tratamento da Covid-19. A grande maioria destas medicações já é aprovada para o tratamento de outras doenças, como conta o médico dos serviços de infectologia e clínica médica do CHC-UFPR, Giovanni L. Breda.
Segundo o médico, é possível separar estas drogas em dois grandes grupos. O primeiro, composto por substâncias que têm ação direta contra o vírus, apresenta como exemplos o Remdesivir (já testado anteriormente no tratamento de infecções pelo vírus Ebola), a associação do Lopinavir com Ritonavir (antivirais já usados no tratamento da infecção pelo HIV) e a Cloroquina/Hidroxicloroquina, que já mostrou alguma atividade antiviral "in vitro" contra diversos outros agentes infecciosos Esses medicamentos funcionam no organismo inibindo alguma fase do processo de replicação viral, desde a entrada no corpo humano até a reprodução do vírus dentro das células. É importante ressaltar, porém, que a medicina nunca obteve eficácia relevante no tratamento de infecções virais utilizando a Cloroquina/Hidroxicloroquina em seres humanos. O segundo grupo, por sua vez, é composto pelas medicações que não atuam diretamente contra o vírus, mas nas consequências que ele desencadeia dentro do organismo. Como exemplos, é possível citar corticoides e medicações que bloqueiam mediadores inflamatórios, visando o controle do processo inflamatório no organismo, como o Tocilizumabe e Anakinra.
Alguns estudos estão em fase mais avançada e apresentaram resultados preliminares, como aqueles utilizando Lopinavir com Ritonavir, Remdesivir e Favipiravir, por exemplo. No entanto, lembra Breda: “nenhum estudo publicado até este momento conseguiu mostrar de forma consistente algum benefício maior de qualquer um destes tratamentos, como diminuição de mortalidade, por exemplo”. No Brasil, o único medicamento em uso em maior escala contra a Covid-19 tem sido a Cloroquina/Hidroxicloroquina, com diversos protocolos nacionais e internacionais de pesquisa clínica para avaliação adequada da segurança e eficácia da medicação.
Até o momento, os resultados mais promissores - mesmo que moderados - foram observados em estudo de fase ainda inicial com o antiviral Remdesivir, que está em uso em diversos países do mundo, mas especialmente nos EUA, além de uma possível combinação de antivirais (incluindo Lopinavir, Ritonavir, Ribavirina e Interferon). Apesar destes estudos ainda não mostrarem diferença em termos de mortalidade, Breda revela que os pacientes que receberam as medicações precocemente parecem ter tido melhora clínica mais precoce do que aqueles que não receberam tratamento específico. Entretanto, estudos clínicos maiores, bem controlados, envolvendo diversos centros no mundo e um grande número de pacientes ainda são necessários para esclarecer melhor os potenciais benefícios e riscos destes tratamentos nos pacientes com Covid-19 em diversos cenários.
Todavia, o médico do CHC-UFPR reforça que toda medicação apresenta algum risco, ainda que baixo na maioria dos casos. “Por isso, sempre é importante pesarmos qual o benefício esperado de determinado tratamento e qual o risco que o paciente corre ao usar aquela medicação. Algumas podem fazer alterações de ritmo cardíaco, hepatite, náuseas, vômitos, diarreia, entre outros efeitos adversos”, informa.
*Texto da estudante Laura Mello Kulak, do Projeto de Extensão "Bases Científicas para Promoção de Saúde da População: enfrentamento da Covid-19", sob orientação de Dafne W. Salvador.