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PREVENÇÃO
Síndrome do ovário policístico. O que fazer?
A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal bastante usual, capaz de causar problemas corriqueiros, como irregularidade menstrual e acne, até outros mais complexos como obesidade e infertilidade. Apesar de ser uma condição genética, a evolução da síndrome vai depender, bastante, do que é feito durante a infância e adolescência, especialmente quanto à alimentação, atividade física e vida social.
– Todos esses fatores irão se incorporar à predisposição genética, definindo o desenvolvimento, ou não da SOP. Algumas mulheres atletas, por exemplo, ainda que tenham SOP conseguem amortecer os impactos, devido à prática diária de esportes. Por outro lado, pessoas sedentárias veem esse risco aumentado –, explicou o Prof. Dr., e ginecologista, Mario Vicente Giordano, durante a XLI Jornada Científica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio/Ebserh).
– Estudos mostram que o desenvolvimento e agravamento da SOP tem apenas causa motivada por 10% de situação genética, 90% são causados pelo que fazemos ao nosso corpo. Genética não é destino, nós que modulamos nosso destino a partir de uma genética imposta –, disse a Prof. Dra., e nutricionista, Michelle Teixeira, do HUGG.
Os ovários são dois órgãos situados um de cada lado do útero e encarregados da produção dos hormônios sexuais femininos. Entre 20% e 30% das mulheres podem ter cistos (pequenas bolsas preenchidas com líquido) nesses órgãos, gerando os ovários policísticos. Além da possibilidade de infertilidade, que atinge 75% das mulheres com a síndrome, entre os principais sintomas estão alguns que afetam, também, a autoestima feminina:
– A SOP aumenta a produção de hormônio masculino e diminui a proteína que inativa no plasma a produção desse hormônio, por isso temos vários casos de pacientes que reclamam do aumento da testosterona livre fazendo essas manifestações clínicas como acne, hirsutismo que é o aumento de pelos e a alopécia, caracterizada pela perda de cabelo em determinadas áreas, sendo a principal reclamação de pacientes jovens –, continuou o médico.
Estudos mostram que a SOP não tem relação com alteração no índice de casos de câncer de ovário e de mama. O mesmo não ocorre no endométrio, caso não seja feito tratamento. A irregularidade do ciclo menstrual, também característica de mulheres com SOP, quando não cuidada, poderá aumentar bastante o risco deste tipo de câncer (160%):
– Mulheres com SOP menstruam três, quatro vezes ao ano. Essa disfunção hormonal é que pode levar ao risco oncológico, já que ao não conseguir engravidar elas têm o ciclo menstrual alterado levando a uma alteração no endométrio. Através de uma pílula anticoncepcional a mulher consegue fazer uma proteção para a possibilidade de desenvolver câncer de endométrio. O risco deste tipo de câncer em mulheres com SOP acontece, então, principalmente, nas mulheres negligenciadas –, explicou Mario.
Outro dado que chama atenção em mulheres com SOP é o alto índice de obesidade (60%) trazendo na esteira, portanto, todos os malefícios causados pelo ganho excessivo de peso. Por isso, cuidados com alimentação e hábitos saudáveis se fazem tão importantes:
– Cuidar de uma paciente com SOP significa trabalhar com alimentação balanceada, fazer atividade física, ter um sono adequado, reduzir estresse e sempre ter acompanhamento e tratamento medicamentoso. Isso demonstra claramente a importância do acompanhamento multiprofissional numa mulher com SOP –, concluiu Michelle.
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.