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OFTALMOLOGIA
Retinoblastoma: sinais na infância exigem atenção
Rio de Janeiro (RJ) — Um reflexo branco na pupila, percebido até mesmo em fotografias com flash, pode ser um dos primeiros sinais do retinoblastoma, tumor ocular maligno que ocorre principalmente em crianças de até cinco anos. Estrabismo de aparecimento recente, olho vermelho persistente, alteração na aparência do olho e redução da visão também podem indicar a necessidade de avaliação oftalmológica.
Em referência à campanha De Olho nos Olhinhos, o Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-Unirio), que faz parte da HU Brasil, realizou, no dia 25 de setembro, uma ação de avaliação da saúde ocular de crianças de zero a cinco anos. Cerca de 60 crianças participaram dos atendimentos no ambulatório de Oftalmologia.
Segundo a oftalmologista Annamaria Ciminelli, a leucocoria — nome dado ao reflexo branco observado na pupila — é um dos sinais mais característicos do retinoblastoma. Ela ressalta, porém, que as alterações não são exclusivas da doença.
“Esses sinais não são específicos do retinoblastoma e podem estar presentes em outras doenças oculares, mas devem motivar avaliação oftalmológica, especialmente quando são persistentes ou aparecem de forma unilateral”, explica.
O retinoblastoma pode ocorrer de forma hereditária ou não hereditária. Nos casos relacionados a alterações genéticas, pode haver maior possibilidade de comprometimento dos dois olhos e necessidade de avaliação de familiares considerados de risco. De acordo com Annamaria, a identificação da doença em fase inicial amplia as possibilidades de controle do tumor e de preservação do globo ocular e, em alguns casos, também da visão.
Como avaliar quem ainda não consegue dizer o que enxerga
Mesmo em bebês e crianças pequenas, a avaliação oftalmológica não depende de a criança conseguir explicar o que está vendo. O oftalmologista Renato Sztern explica que são utilizados testes objetivos, como observação das pálpebras e dos olhos, teste do reflexo vermelho — conhecido como teste do olhinho —, avaliação dos movimentos oculares, medição do grau e exame do fundo do olho.
Nos bebês, o profissional também observa a capacidade de fixar o olhar e acompanhar objetos. Entre os achados que podem levantar a suspeita de retinoblastoma estão, além da leucocoria, o estrabismo e alterações menos frequentes, como mudança na coloração da íris e aumento ou projeção anormal do olho, especialmente em quadros mais avançados.
O impacto sobre a visão depende, entre outros fatores, da localização e da extensão do tumor no momento do diagnóstico. Quando a doença atinge regiões centrais da retina responsáveis pela visão de detalhes, por exemplo, pode haver comprometimento visual permanente. Já nos casos identificados mais cedo e em determinadas localizações, há maior possibilidade de preservação da visão.
Mesmo após o controle inicial da doença, o acompanhamento oftalmológico deve continuar. Segundo Renato, novas lesões podem surgir, principalmente nas formas hereditárias ou que comprometem os dois olhos, o que torna necessário o seguimento periódico nos primeiros anos após o tratamento.
Avaliação ampla da saúde ocular
As crianças atendidas no HUSE-Unirio foram previamente agendadas pelo Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) para uma primeira consulta oftalmológica. Também participaram pacientes encaminhados internamente pela Pediatria do hospital.
O circuito incluiu anamnese — levantamento do histórico de saúde — e diferentes etapas da avaliação oftalmológica, entre elas testes da visão, medição do grau, análise dos movimentos dos olhos e exames das estruturas oculares e da retina. Participaram dos atendimentos aproximadamente 13 médicos residentes e quatro médicos preceptores do Serviço de Oftalmologia.
A avaliação não foi direcionada apenas à investigação do retinoblastoma. Entre as alterações identificadas durante os atendimentos estavam estrabismo, alta miopia, astigmatismo, alergia ocular e alterações da retina e da córnea. As condutas foram definidas de acordo com cada caso, com orientação, retorno ou encaminhamento para investigação complementar e acompanhamento especializado quando necessário.
Para Annamaria, alterações como leucocoria ou estrabismo de aparecimento recente devem ser avaliadas sem demora. A identificação precoce de doenças oculares na infância pode ser decisiva tanto para o tratamento de condições graves quanto para o desenvolvimento adequado da visão.
Sobre a HU Brasil
O HUSE-Unirio, resultado da fusão entre o HFSE e o HUGG, integra a HU Brasil desde dezembro de 2025. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil