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DE OLHO NA PESQUISA
Quando o sono fala
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), traz no quadro De Olho na Pesquisa deste mês uma imersão nas investigações do sono conduzidas pelo Laboratório do Sono (LABSONO), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Localizado dentro das instalações do HUGG, o LABSONO tem se dedicado a estudar os distúrbios do sono e sua relação com outras condições de saúde, como doenças cardiovasculares e cognição.
Com funcionamento no terceiro andar do hospital, o LABSONO pertence à estrutura universitária e foi concebido graças a fomentos à pesquisa, através de editais da Faperj. Segundo Paulo Henrique Godoy, coordenador do LABSONO, isso permitiu a aquisição dos primeiros equipamentos e a estruturação do serviço. Desde 2011, o Laboratório evoluiu de um aparelho para três polissonógrafos em funcionamento, e novos equipamentos devem ser incorporados em breve.
O foco das pesquisas é amplo, mas com destaque, no momento, para o rastreio e classificação dos distúrbios do sono em diferentes faixas etárias, gênero e contextos sociais. "Desenvolvemos estudos com estudantes, trabalhadores, populações de diferentes classes socioeconômicas, sempre buscando entender a relação entre o sono e aspectos como cognição, doenças cardiovasculares e qualidade de vida", afirma o pesquisador.
Essas investigações, como explica Paulo, têm impacto direto sobre a prática clínica. "O registro da prevalência e gravidade dos distúrbios do sono, e sua associação com outros fatores de risco, é essencial para planejar estratégias de prevenção e tratamento mais adequadas para diferentes fases da vida".
No entanto, ele aponta que a disseminação de informação qualificada ainda é um dos maiores desafios. Em um cenário dominado por conteúdos nas redes sociais, diferenciar evidências científicas de opiniões infundadas se torna essencial. "O método científico sistematiza dados para gerar resultados replicáveis. Essa é a diferença fundamental da evidência científica em relação à opinião comum", pontua.
Nesse contexto, a atuação do LABSONO ultrapassa os muros da pesquisa. A convivência entre ensino, ciência, extensão e assistência é um dos trunfos do ambiente universitário, e o laboratório é exemplo disso ao integrar estudantes de diversas áreas de conhecimento. Para Paulo, essa troca fortalece a formação dos futuros profissionais e qualifica a produção científica. "A troca entre diferentes saberes – das ciências da saúde às humanas e exatas – permite abordagens interdisciplinares. Já usamos desde árvores de decisão com IA até métodos como a hermenêutica para interpretar resultados", relata.
Os alunos não apenas participam das pesquisas, como também constroem, ali, um olhar mais crítico sobre a prática médica. Segundo o pesquisador, muitos chegam à universidade pensando exclusivamente na prática clínica, mas acabam se encantando pelo universo da investigação. "A pesquisa não responde, somente. Mais do que isso, ela nos ensina a fazer perguntas melhores. E essa formação reflexiva impacta a prática clínica do futuro profissional", destaca Paulo.
Essa integração com a prática também se manifesta na relação entre o LABSONO e o ambulatório de Medicina do Sono do HUGG, que faz parte da assistência hospitalar. É a partir dos pacientes encaminhados ao ambulatório que se formam as bases de dados do laboratório, sempre com consentimento e seguindo rigoroso protocolo ético. "Fazemos estudos observacionais, sem interferir no tratamento, e garantimos que todo paciente incluído tenha acompanhamento assistencial adequado", explica o pesquisador.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh