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ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA
PICC no cuidado hospitalar: alternativa para tratamentos prolongados
Rio de Janeiro (RJ) — Para pacientes que precisam receber medicamentos por via intravenosa durante períodos prolongados, as sucessivas punções podem representar desconforto e aumentar a necessidade de novos acessos venosos. Uma das alternativas utilizadas nesses casos é o PICC, sigla em inglês para Cateter Central de Inserção Periférica. No Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-Unirio), que faz parte da HU Brasil, uma equipe especializada atua na inserção e no acompanhamento do dispositivo.
O chamado Time de PICC foi criado em 2016, ainda no então Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), pelas enfermeiras Denise Zacharias e Rosana Serapião. Atualmente, a equipe é formada pelas enfermeiras Denise Zacharias, Simone Pinto e Kyvia Gomes e pela técnica de enfermagem Nara Caetano. O grupo também orienta as equipes sobre terapia infusional e os cuidados relacionados ao cateter.
O PICC é um cateter longo e fino introduzido por uma veia periférica, geralmente no braço, e conduzido até um vaso de maior calibre. Ele pode ser utilizado para a administração de medicamentos por períodos prolongados.
Segundo a enfermeira do HUSE-Unirio e líder do Time de PICC, Denise Zacharias, a indicação deve ser avaliada de acordo com a necessidade de cada paciente. “O ideal é indicar o uso tão logo seja identificado o tempo prolongado de medicações intravenosas, para que, com uma manutenção de qualidade, o cateter possa permanecer durante todo o tratamento”, explica.
Entre as atividades desenvolvidas no hospital está o Ambulatório de PICC, criado há nove anos. Atualmente, 74 pacientes são acompanhados pelo serviço, a maioria em tratamento oncológico. Quando as condições clínicas permitem, o atendimento ambulatorial possibilita que o paciente permaneça em casa e retorne ao hospital para necessidades específicas, como quimioterapia, coleta de sangue e manutenção do cateter.
Para Nara Caetano, essa rotina tem também um significado pessoal. Antes de integrar o Time de PICC como técnica de enfermagem, ela utilizou o dispositivo durante o tratamento de um câncer de mama e foi atendida pelo próprio ambulatório.
“Eu já estive do outro lado, como paciente, e utilizei o PICC. Nesse momento, pude observar a preocupação dos profissionais em nos passar segurança e aconchego”, conta Nara. Para ela, a possibilidade de manter o dispositivo entre os atendimentos contribui para reduzir o sofrimento provocado por novas punções ao longo do tratamento.
Cuidados durante o uso
Embora possa permanecer por longos períodos, o PICC exige cuidados específicos. Entre as possíveis complicações estão infecção da corrente sanguínea, obstrução, trombose e deslocamento do cateter. Por isso, Denise ressalta a importância de uma equipe capacitada e da participação do próprio paciente na observação do dispositivo.
“É o paciente que ‘mora com o PICC’. Então, ele é o principal interessado no seu cuidado e quem devemos ouvir quando formos manipular e fixar o dispositivo”, afirma.
O paciente deve observar alterações no local de inserção e seguir as orientações da equipe responsável. Outro cuidado destacado por Denise é evitar que o local fique molhado, devido ao risco de contaminação. Em caso de dúvida ou de qualquer mudança percebida no dispositivo, a recomendação é procurar a equipe assistencial.
O PICC também não é indicado para todas as situações. Segundo Denise, seu uso deve ser avaliado com cautela em pacientes com doença renal que fazem hemodiálise e que podem necessitar futuramente de uma fístula arteriovenosa. Também não costuma ser a opção utilizada em situações de urgência, nas quais outros tipos de acesso venoso podem ser mais adequados.
Inserção e conforto
No HUSE-Unirio, o Time de PICC utiliza recursos como ultrassom para avaliação da rede venosa e técnicas de micropunção durante a inserção. O procedimento é realizado com anestesia local e medidas rigorosas para prevenção de infecções.
Denise explica que a aparência do procedimento pode gerar receio porque envolve campos, máscaras, gorros e outros materiais de proteção, mas que, em geral, o desconforto se concentra no momento da aplicação da anestesia local.
Para a enfermeira, uma das principais vantagens percebidas pelos pacientes aparece justamente ao longo do tratamento. “Conforto é a palavra. Para quem está em uma situação vulnerável e é frequentemente manipulado e perfurado, o cateter representa a possibilidade de receber as medicações de forma segura sem passar por inúmeras tentativas de punção”, afirma.
Sobre a HU Brasil
O HUSE-Unirio, resultado da fusão entre o HFSE e o HUGG, integra a HU Brasil desde dezembro de 2025. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.