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AÇÃO E HUMANIZAÇÃO
No peito, o primeiro colo: vínculo, acolhimento e saúde desde o nascimento
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), tem ampliado uma prática silenciosa e transformadora no cuidado com mães e recém-nascidos: o contato pele a pele. A cena se repete quase todos os dias, com delicadeza: um bebê deitado sobre o peito nu de quem cuida, envolvido por uma faixa macia, amparado por uma equipe que compreende que, antes de qualquer tecnologia, há o calor humano. Neste mês das mães, o gesto ganha contorno simbólico — e confirma que, no HUGG, vínculo também é tratamento.
“O contato pele a pele não é feito somente na UTI Neonatal. Ele é estimulado e realizado já na sala de parto, segundos após o nascimento do recém-nascido”, explica o neonatologista Fabio Cardoso. “A equipe de pediatras do HUGG já treina os médicos residentes a colocarem o bebê no contato pele a pele com sua mãe ainda em sala de parto, antes mesmo do clampeamento do cordão umbilical.”
Mais do que um acolhimento sensível, o gesto tem respaldo científico. “Esse contato é fundamental e faz parte do tratamento médico tanto da mãe quanto do bebê”, afirma Fabio. “Ao evitarmos a separação do binômio, a mãe cria ou aumenta a vinculação que muitas vezes não consegue ser realizada durante o período gestacional. Em alguns casos, mulheres que pensavam em entregar seus filhos para adoção mudam de ideia neste momento”, relata.
Além do fortalecimento emocional, o contato pele a pele tem efeitos imediatos para a saúde do recém-nascido. “O contato pele a pele auxilia na manutenção da temperatura corporal, evitando quadros de hipotermia, que podem inclusive levar ao óbito do recém-nascido”, alerta Fabio. Ele explica que o bebê deixa um ambiente intrauterino a 37 °C e é exposto a uma temperatura externa bem mais baixa, em torno de 23 °C, o que pode representar risco. Outra vantagem, segundo ele, é o início da colonização por bactérias benéficas da pele da mãe, fundamentais para proteger o organismo do recém-nascido e ajudá-lo no processo de digestão do leite.
Para além da sala de parto, o cuidado continua em cada etapa da internação. “Nessas unidades, estimulamos o contato pele a pele não só da mãe, como também do pai ou outro familiar. Essa medida reduz o tempo de internação e otimiza a alta hospitalar. Os pais não são considerados visitantes. Eles são parte ativa do cuidado”, pontua Fabio.
Na avaliação da neonatologista Lilian Campos, os ganhos dessa prática são inúmeros: “favorece o aleitamento materno, ajuda no ganho de peso do bebê, previne infecções, regula a temperatura, diminui o estresse, fortalece o vínculo, estabiliza os sinais vitais e dá mais conforto e autonomia aos pais”, enumera. O HUGG já oferece o método em diferentes ambientes da neonatologia, como a UTI e a Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais, e vem investindo na formação de tutores e em ações educativas com as equipes assistenciais.
Com o objetivo de tornar o momento mais confortável e seguro, o hospital adquiriu faixas especiais de tecido. “Essa faixa faz com que o bebê, sem roupa, fique grudadinho no peito da mãe, que também está sem roupa, e ela sustenta o bebê de modo que não fique preocupada se ele vai cair”, explica Lilian.
A operadora de loja Lorena Diamante, de 21 anos, viveu essa experiência de forma marcante: o filho Kevin nasceu justamente no Dia das Mães, 11 de maio, e foi acolhido no colo materno segundos após o parto. “É uma sensação de paz, porque a gente fica muito tensa depois que tem um bebê”, contou. “Quando ele chega no nosso colo, a gente fica mais tranquila, né? Porque o corpo dele tá quente, a gente se sente bem e confortável.” Para ela, o momento foi carregado de emoção. “A gente fica pensando na gravidez, pensando em várias coisas que fazem a gente ficar mal. E quando ele nasce, a gente fica em paz, né? Por ele estar bem, por ele estar com saúde.”
Para a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Maria Marta, a prática é parte de um projeto maior. Um projeto de humanização do cuidado. “O contato pele a pele é apenas uma etapa disso tudo. O que nós almejamos, o hospital almeja, é um dia obter o título de Hospital Amigo da Criança”, afirma. A humanização do cuidado em busca da certificação envolve diversas ações integradas: o parto seguro, o direito à presença de um acompanhante, a visita de irmãos e avós ao bebê hospitalizado — cada uma delas, segundo ela, reforça o cuidado como experiência integral.
“A mãe, nesse momento, é uma das nossas pacientes. E o bebê também. A gente sempre fala que é um binômio”, reforça. Para ela, dar visibilidade a esse tipo de cuidado em maio é também uma escolha simbólica: “Mostrar que o nosso hospital está caminhando e mantendo um cuidado respeitoso para essa mãe é muito bacana, bom e a gente se orgulha de fazer esse trabalho.”
Nos corredores da neonatologia do HUGG, a tecnologia continua ali, precisa e vigilante. Mas é nesse intervalo íntimo entre dois peitos que se tocam — o da mãe e o do filho — que nascem, todos os dias, outras formas de cura.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh