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DE OLHO NA PESQUISA
Imunologia em ação: pesquisas do HUGG transformam tratamento de doenças alérgicas
No Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), ciência e assistência caminham juntas. Nesta edição do quadro De Olho na Pesquisa, o destaque vai para os estudos desenvolvidos na área de Alergia e Imunologia, que têm proporcionado avanços importantes no tratamento de doenças crônicas, na dessensibilização de gestantes alérgicas à penicilina e no uso de tecnologias diagnósticas inovadoras como o Teste de Ativação de Basófilos (BAT).
Coordenadora da Residência Médica e da Pós-Graduação em Alergia e Imunologia do HUGG, além de chefiar o ambulatório da especialidade no hospital, a professora adjunta Albertina Capelo construiu sua trajetória acadêmica e assistencial ao longo de três décadas. O interesse pela imunologia surgiu logo após a residência médica, quando percebeu que essa área poderia oferecer respostas tanto diagnósticas quanto terapêuticas para a maioria das doenças. Seu envolvimento com a pesquisa começou ainda na pós-graduação do HUGG, incentivado por professores da 10ª Enfermaria e da Clínica Médica B, e se consolidou após o doutorado no Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Desde então, ela vem liderando estudos de grande relevância clínica e social, especialmente em doenças imunoalérgicas graves.
“Conseguimos criar um centro de referência e excelência para o tratamento de urticária, o Urticaria Center of Reference and Excellence (UCARE), o qual coordeno. Além disso, somos referência para tratamento de Erros Inatos da Imunidade, doenças na maioria hereditárias, participando de estudos multicêntricos de diferentes centros nacionais. Neste contexto, tratamos de doenças como a síndrome de hiper IgM, cuja prevalência é em torno de 1 para 1.000.000 de nascidos vivos”, explica.
O serviço também se tornou referência no tratamento da asma grave e, atualmente, é o que mais utiliza anticorpos monoclonais para doenças imunoalérgicas no estado do Rio de Janeiro. “Fomos o único centro no Rio a participar do primeiro estudo multicêntrico com omalizumabe, anticorpo monoclonal no tratamento da asma grave não controlada”, comenta a pesquisadora.
Entre as ações de maior impacto social, destaca-se também o trabalho realizado com gestantes com sífilis e alergia à penicilina, área em que o HUGG se consolidou como polo especializado no estado. “Ressalto a importância deste trabalho, pelo aumento da prevalência da sífilis e a necessidade de tratamento com penicilina das gestantes, prevenindo a sífilis congênita. Já dessensibilizamos mais de 120 grávidas e o tema tem sido objeto de muitas dissertações de curso e mestrado”, esclarece Albertina.
Outra frente inovadora é o estudo inédito com o Teste de Ativação de Basófilos (BAT), que poderá transformar o diagnóstico de reações alérgicas à penicilina. “Fomos o primeiro centro no Brasil a desenvolver pesquisa com BAT para penicilina. O BAT evitará a necessidade de testes cutâneos e provocação, reduzindo riscos e ajudando na indicação mais precisa da dessensibilização”, afirma. Segundo a professora, o grupo também é referência na investigação de anafilaxia perioperatória, em articulação com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
Mesmo com resultados expressivos, os desafios são constantes. “Sem dúvida, vão desde a escassez de recursos materiais e humanos até os avanços céleres nesta área, que nos desafiam todos os dias, seja no diagnóstico, seja no tratamento.” A realização do estudo com BAT, por exemplo, só foi possível graças à expertise da equipe e ao suporte do laboratório especializado em imunologia. “Este estudo já foi apresentado no Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia e será apresentado agora em junho no EAACI, Congresso Europeu de Alergia e Imunologia.”
Para a professora, o hospital universitário é o ambiente ideal para que assistência, ensino e pesquisa se fortaleçam mutuamente. “Pesquisa envolve conhecimento científico e vivência. A assistência é fundamental e faz toda a diferença no entendimento das doenças e do seu tratamento. É a experiência viva, que incita críticas, dúvidas e aguça o nosso propósito. Além disso, o ensino nos estimula a pesquisar e a transmitir fundamentos científicos e perspectivas de manejo das doenças.”
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh