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TABAGISMO
Especialista do HUSE-Unirio explica como políticas públicas reduziram o tabagismo e contribuíram para a queda da incidência do câncer de pulmão
Rio de Janeiro (RJ) - No mês de conscientização sobre o câncer de pulmão, o oncologista especializado em tumores torácicos Matheus Melo, do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-Unirio), integrante da HU Brasil, analisa a queda do número de fumantes nas últimas décadas. Segundo ele, o cenário é resultado de uma combinação entre campanhas de comunicação, medidas regulatórias e ampliação do tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), políticas que seguem essenciais para prevenir o câncer de pulmão, uma das principais causas de morte por câncer no Brasil.
"A redução do tabagismo no Brasil ocorreu graças às políticas de proibição de propagandas que incentivam o consumo de cigarro. As advertências nos maços, os ambientes livres de fumaça e a disponibilidade de tratamento pelo SUS fizeram a diferença. Hoje o paciente encontra desde medicamentos até acompanhamento não farmacológico para parar de fumar", destaca.
O especialista lembra que o tabagismo continua sendo o principal fator de risco para a doença. "Cerca de 85% dos casos estão relacionados ao consumo de derivados do tabaco e fumantes apresentam risco aproximadamente vinte vezes maior de morrer pela doença em comparação aos não fumantes", pontua.
Alerta aos jovens
Entre as principais preocupações do oncologista está o avanço do uso de cigarros eletrônicos entre adultos jovens. "Me preocupa, além do cigarro tradicional, o uso corriqueiro e indiscriminado dos cigarros eletrônicos, que, embora sejam dispositivos proibidos pela Anvisa, têm sido muito utilizados, principalmente entre adultos jovens", afirma.
Segundo Matheus, embora a relação direta com o câncer de pulmão ainda esteja em estudo, esses dispositivos concentram altas doses de nicotina, favorecem a dependência e expõem os usuários a substâncias potencialmente carcinogênicas. Atualmente, um em cada dez adultos jovens utiliza cigarros eletrônicos.
Nenhuma fumaça é segura
O oncologista reforça que nenhuma forma de exposição ao tabaco é segura. Além dos cigarros convencionais e eletrônicos, o tabagismo passivo também eleva o risco de adoecimento. Pessoas que convivem com fumantes têm risco de 20% a 30% maior de desenvolver câncer de pulmão. "Nenhuma forma de cigarro é segura, seja o cigarro convencional, o eletrônico ou até mesmo a exposição passiva", resume.
Mais chances de cura
Embora ainda seja um dos tumores mais agressivos, Matheus indica que o câncer de pulmão tem registrado avanços importantes no diagnóstico e no tratamento. "Estamos avançando no diagnóstico precoce e também no tratamento do câncer de pulmão. Hoje contamos com exames mais precisos, técnicas menos invasivas e novas terapias que ampliam as possibilidades de tratamento quando bem indicadas", afirma.
Entre os avanços, ele destaca exames de imagem mais precisos, biópsias modernas, cirurgias menos invasivas, radioterapia de alta precisão, imunoterapia e terapias alvo-moleculares.
Sinais de alerta
A população de alto risco corresponde principalmente a pessoas acima dos 50 anos com histórico importante de tabagismo. Para esse grupo, a recomendação é conversar com o médico sobre a realização anual da tomografia computadorizada de baixa dose, exame capaz de identificar tumores em fases iniciais e aumentar as chances de controle e cura da doença.
Tosse persistente ou mudança no padrão da tosse, sangue no escarro, falta de ar, perda de peso e infecções pulmonares recorrentes são sinais que não devem ser ignorados, alerta o oncologista.
Sobre a HU Brasil
O HUSE-Unirio, resultado da fusão entre o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) e o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), integra a HU Brasil desde dezembro de 2025. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.