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AÇÕES EDUCATIVAS
Aconteceu no HU: HUGG promove conscientização sobre imunodeficiências primárias
Entre os dias 22 e 29 de abril, o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), vinculado à Rede Ebserh, promoveu a Semana de Imunodeficiências, uma iniciativa do Serviço de Alergia e Imunologia voltada à conscientização sobre os erros inatos da imunidade. A atividade envolveu palestras, distribuição de panfletos e uma abordagem interativa com pacientes, acompanhantes e estudantes.
O foco principal da semana foi alertar para sinais que podem indicar a presença dessas doenças raras e ainda pouco conhecidas. Segundo Albertina Capelo, coordenadora da Residência Médica e da Pós-Graduação em Alergia e Imunologia do HUGG e chefe do ambulatório da especialidade, mais de 400 tipos diferentes de imunodeficiências primárias já foram descritos. “Quanto mais precocemente estas doenças são diagnosticadas, menor é o impacto da morbimortalidade associada a elas”, explicou.
Material educativo e participação ativa marcaram a programação. Foram elaborados cartazes e panfletos atualizados com os sinais de alerta, distribuídos durante uma apresentação interativa. “É muito interessante ver o interesse da população e como a internet e redes sociais ajudam nesta divulgação. Os pacientes fizeram várias perguntas, conversaram entre eles, e foi muito gratificante esta interação com o público”, relatou Albertina. A campanha também foi reforçada ao longo do ano com os alunos do curso de Medicina, por meio da Liga da Alergia, que é bastante atuante no hospital.
A docente destaca ainda que o HUGG é o primeiro hospital do Rio de Janeiro — e um dos poucos no Brasil — a ter a disciplina de Alergia e Imunologia como obrigatória no curso de Medicina. “Isto faz toda a diferença porque consigo alertar os alunos sobre a necessidade do conhecimento e diagnóstico precoce dessas doenças”, afirmou. Apesar dos avanços, ela chama atenção para um dado preocupante: o atraso no diagnóstico das imunodeficiências primárias em adultos pode ultrapassar dez anos.
Além da ação interna, o grupo também participou da Semana da Alergia promovida pela Sociedade de Alergia do Rio de Janeiro, cujo tema deste ano foi anafilaxia. A campanha incluiu uma atividade ao ar livre na praia de Copacabana, com espaço para desenhos, distribuição de bolas de sabão e cartazes educativos. Uma personagem lúdica, Lina — a Adrenalina — foi criada para chamar atenção para um problema sério de saúde pública: a ausência da caneta de adrenalina na lista de medicamentos fornecidos pelo SUS. “Apresentamos um símbolo desta campanha que foi a Lina, uma menina que tem anafilaxia e precisa ter sua caneta na bolsa para eventual reação”, contou Albertina, que atualmente preside a Sociedade de Alergia e Imunologia do estado.
A campanha tem ganhado força e apoio em diferentes esferas. Recentemente, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou a inclusão do autoinjetor de adrenalina na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do SUS — uma medida que pode salvar vidas de pacientes com risco de reações anafiláticas graves.
No HUGG, a ação externa foi reforçada com a divulgação do QR Code do eBook de Anafilaxia, disponível para pacientes e estudantes, além da tradicional aula sobre o tema ministrada no curso de Medicina. Para Albertina, iniciativas como essas são fundamentais para estimular o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao cuidado. “Infelizmente, embora tenhamos conseguido avançar nessa luta, ainda temos tido um atraso de mais de dez anos no diagnóstico da doença no adulto”, explicou. A expectativa é que, por meio da formação dos futuros profissionais e do engajamento da comunidade, o HUGG siga contribuindo para transformar esse cenário.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh