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REUMATOLOGIA
Pesquisa vai mapear efeitos de vacina contra febre amarela
VITÓRIA (ES)- O Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam) começa nesta sexta-feira (24/03) um mutirão especial de vacinação contra a febre amarela. O esforço concentrado vai permitir o estudo científico dos efeitos da vacina em um público bem peculiar. O imunizante será aplicado exclusivamente a pacientes em tratamento de doenças reumáticas autoimunes que tomam medicamentos capazes de afetar o poder de defesa do organismo.
Entre as doenças reumáticas mais conhecidas estão o lúpus e a artrite reumatoide. Em meio ao atual surto de febre amarela silvestre no Sudeste do Brasil, muitas pessoas se vacinaram quando não deveriam, pois tomam remédios que reduzem a imunidade contra doenças infecciosas. A vacina contra a febre amarela é fabricada com uma variante atenuada do vírus. Mas indivíduos sem a capacidade plena de resposta imunológica podem sofrer complicações, mesmo em contato com uma versão mais fraca da cepa causadora da doença.
"Pacientes que não poderiam ter recebido vacina contra febre amarela receberam. E outros tantos que poderiam ter sido vacinados não o fizeram com medo da doença autoimune. Por isso, sentimos a necessidade de ter uma ação massificada para orientação", explica a chefe da Unidade do Sistema Neuromusculoesquelético do Hucam, a reumatologista Valéria Valim Cristo.
Pesquisa em andamento
A restrição a este tipo de vacina para pacientes que tomam remédios imunossupressores é baseada em recomendações das sociedades brasileiras de Imunologia e Reumatologia. A reumatologista do Hucam explica que não existe, no entanto, nenhum estudo que tenha medido a segurança no uso do produto nesse grupo bem peculiar de pacientes. Ou ainda a certeza de que o imunizante vai funcionar para ele. Ao mesmo tempo,no atual surto, há o risco de contrair a febre amarela, uma doença grave.
Portanto, para buscar respostas, o mutirão de vacinação no Hucam, hospital vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi acoplado a uma pesquisa em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sua unidade produtora de imunobiológicos, a Bio-Manguinhos, fabricante da vacina contra febre amarela no Brasil.
Serão acompanhados 400 pacientes com doença autoimune em tratamento para checar os efeitos da vacina; outros 100 selecionados, sem doença, para fazer parte do grupo de referência e 150 daqueles casos em que o indivíduo tomou a vacina mesmo quando não deveria.
A triagem dos pacientes para o mutirão está em andamento. Portadores de doença autoimune reumática que já se vacinaram sem orientação médica mesmo tomando imunossupressores e imunobiológicos podem procurar o Serviço de Reumatologia (Casa 6 dos Ambulatórios) às segundas-feiras, entre 8h e 11h, para orientação profissional e coleta de sangue.
O Hucam faz busca ativa em seu cadastro sobre de quem pode se vacinar e reumatologistas de outras instituições cuidam também do agendamento de pacientes. Ao todo, são previstos 11.250 atendimentos.
"Contamos com a colaboração e participação da Sociedade de Reumatologia do ES e com os reumatologistas. Envolvemos também o Departamento de Ciências Fisiológicas da Ufes, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), a Prefeitura de Vitória e as estruturas de laboratório dentro do hospital e da universidade", completa Valéria.
Nesta sexta-feira (24/03) serão vacinados indivíduos com Síndrome de Sjogren. Qualquer paciente pode vir desde que tenha encaminhamento do seu médico assistente.
Em 31 de março serão os pacientes com artrite reumatoide.
Dia 7 de abril: portadores de espondiloartrite
Dia 28 de abril: lúpus e esclerose sistêmica
Aqueles que estão fazendo retirada de medicamento para fazer a vacinação terão agendamento para as sextas-feiras dos próximos meses, em uma vacinação programada.