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AGOSTO DOURADO
Especialistas esclarecem mitos e verdades sobre amamentação
BRASÍLIA (DF) e VITÓRIA (ES) - A amamentação, tema do Agosto Dourado, envolve praticamente todas as pessoas e é cercada de dúvidas, mitos e incertezas que chegam para as equipes que atuam nos bancos de leite. Aproveitando o mês dedicado ao incentivo, apoio, defesa e promoção do aleitamento, profissionais dos hospitais universitários da HU Brasil falaram da importância da campanha e sobre estas dúvidas, os principais questionamentos das mães e famílias e os mitos e verdades que cercam o assunto.
“Questões ligadas a fissuras na mama, como posicionar o bebê e dúvidas sobre linguinha presa estão entre as dúvidas mais comuns das mães”, disse a coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/HU Brasil), a nutricionista Letícia Karina Rodrigues, acrescentando que a equipe do banco de leite orienta sobre estes assuntos, ajuda no processo, fala sobre a possibilidade de doação e atua diretamente na captação.
Para incentivar a doação e divulgar suas atividades no acolhimento de mães que precisam de ajuda para a amamentação, a equipe do Hucam organizou atividades para o Agosto Dourado. As ações começaram nesta semana, com participação na abertura da campanha no Sul do Estado. No dia 6, a equipe vai participar da oficina “Gestar, acolher e amamentar”, para profissionais das unidades básicas de saúde de Vitória. Nos dias 11, 18 e 25, estão previstas ações de incentivo ao aleitamento materno no Ambulatório de Gestação de Alto Risco e no Complexo Ambulatorial Multirreferenciado do Hucam, no campus do hospital, em Santa Cecília. No dia 25, está programado um workshop da amamentação com a equipe da UTI Neonatal e no dia 26 haverá participação no III Seminário do Agosto Dourado, promovido pela Prefeitura de Vitória.
Letícia fala da importância da campanha do Agosto Dourado para a conscientização sobre a amamentação e, principalmente, para incentivar a doação de leite. A equipe do BLH do Hucam orienta as mães no processo de amamentação e fala sobre a possibilidade de doação quando possível, sendo que a equipe orienta sobre a guarda do leite e recolhe semanalmente nas casas das doadoras. O banco de leite atende crianças internadas na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal do Hucam e ajuda as mães que estão com dificuldades para amamentação. O BLH do Hucam atende pelo telefone 27 3335-7515 e funciona de segunda a sexta, das 7 às 19 horas.
Segundo Letícia, ações sobre o tema são fundamentais: “Para se ter uma ideia, em 1986, quando começaram os levantamentos sobre desnutrição infantil, somente 3% das crianças recebiam leite materno até os seis meses. A partir daí, começaram as ações e hoje está em 46,8%, ainda abaixo da meta (era de 50% em 2025), mas agora estamos trabalhando para atingir o índice de 70% até 2030”, disse. “O leite é o padrão ouro para a alimentação do bebê, por isso temos a campanha do Agosto Dourado”.
A campanha global começou em 1992, criada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No Brasil, a iniciativa ganhou ainda mais força com a lei federal 13.435/2017, que instituiu a campanha do Agosto Dourado, considerada fundamental para a saúde pública.
Sobre a HU Brasil
O Hucam-Ufes integra a Rede HU Brasil desde abril de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
MITOS E VERDADES SOBRE O ALEITAMENTO MATERNO
Para voltar a trabalhar, a mulher deve desmamar o bebê.
MITO. Ela pode ser orientada a ordenhar o leite de forma adequada e armazená-lo sob refrigeração ou congelado no freezer doméstico para ser utilizado nos horários que ela não estiver disponível.
Se não amamentar, a mulher pode ter o peito empedrado.
EM PARTE. Ele não "empedra". Quando o leite acumula, ele forma nódulos que dão esta sensação. Este acúmulo de leite causa desconforto nas mamas, é o que chamamos de ingurgitamento mamário. O único remédio é retirada para aliviar e resolver o desconforto mamário.
Cirurgias plásticas nos seios podem afetar a amamentação.
VERDADE. Em alguns casos, onde há lesão dos ductos mamários, isto pode acontecer. Portanto, faz parte da anamnese obter esta informação, com acompanhamento sistemático do recém-nascido quanto à saciedade e ganho de peso, principalmente após a alta hospitalar.
Existe leite fraco.
MITO. O leite materno nunca é fraco, esta é a principal causa de desmame globalmente.
O tamanho dos seios influencia na quantidade de leite produzido.
MITO. O tamanho dos seios se deve à presença da glândula mamária, gorduras e outras estruturas. Portanto, mamas pequenas ou grandes não são fatores determinantes do volume produzido.
Quem fez cesárea deve esperar um tempo para amamentar.
MITO. O recém-nascido em boas condições pode ser levado ao seio logo após retirada. Isso é conhecido como hora-ouro. Com a sucção, vai determinando a produção. O bebê deve manter contato com a mãe posicionar ao seio materno logo após a retirada.
Mesmo gripada, a mãe deve manter a amamentação.
VERDADE. A mãe deve manter a amamentação. Quando a mãe é infectada por um vírus respiratório (como o da gripe), seu sistema imunológico produz anticorpos específicos (IgA secretora) que são transferidos diretamente ao bebê pelo leite humano, protegendo-o contra a infecção ou atenuando seus sintomas.
Tem que ter os seguintes cuidados: A mãe deve praticar a higienização frequente das mãos e, se desejar, utilizar máscara facial durante a mamada para reduzir o contágio por gotículas respiratórias.
O HIV passa de mãe para filho.
VERDADE. O vírus HIV pode ser transmitido via leite materno (transmissão vertical). Por esse motivo, no Brasil, a infecção pelo HIV na mãe é uma contraindicação absoluta para a amamentação, mesmo que a carga viral esteja indetectável.
Bebê que não engorda deve receber suplementação.
MITO (como primeira conduta ou regra geral). O ganho de peso insuficiente precisa de avaliação diagnóstica criteriosa antes de qualquer indicação de suplementação com fórmula infantil.
Avaliar a técnica de amamentação (pega, posicionamento e frequência das mamadas — livre demanda); verificar a presença de anquiloglossia (língua presa no bebê) ou ingurgitamento mamário na mãe; aumentar o estímulo à mama e garantir que o bebê tome o "leite do final" (rico em gordura).
Caso seja estritamente necessária a complementação temporária, a primeira escolha é o próprio leite materno ordenhado. Se indisponível, passar por uma avaliação médica para ver o indicativo de uso de fórmula e atender o volume descrito pelo médico, administrado preferencialmente por translactação, evitando mamadeiras.
Fontes:
Maria Cândida Bouzada, HC-UFMG/HU Brasil
Letícia Karina Rodrigues, Hucam-Ufes/HU Brasil
Ana Zélia Pristo de Medeiros Oliveira, MEJC-UFRN/HU Brasil
Sandra Valesca Ferreira de Souza, CH-UFRJ/HU Brasil
Fabiana Santos Araújo, Humap-UFMS/HU Brasil
Grace Santos, HU-Furg/HU Brasil