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Especialista explica técnica endoscópica para tratamento de lesões no tubo digestivo
VITÓRIA (ES) - Tumores e lesões de esôfago, estômago e partes do intestino têm alta chance de cura quando descobertas na fase inicial e, com a correta técnica de tratamento, podem significar menos tempo de recuperação para o paciente. Entre os tipos de procedimentos usados para a remoção de tumores em fase precoce, um deles chama atenção pelo refinamento e segurança: é dissecção endoscópica submucosa, conhecida pela sigla em inglês (ESD).
Trata-se de uma técnica desenvolvida no Japão e que chegou ao Brasil há pouco menos de duas décadas. O equipamento usado no ESD é o mesmo de uma cirurgia convencional, com um bisturi dedicado. Mas não há cortes como em uma operação tradicional. A equipe médica vê tudo por uma câmera instalada na ponta do endoscópio.
O endoscopista Esteban Sadovsky, que coordena a equipe de Endoscopia do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), integrante da rede HU Brasil, explicou que a técnica, usada para tratamento de lesões pré-malignas, evita uma cirurgia tradicional, promove a retirada da parte comprometida por endoscópio e é mais eficaz. O risco de recidiva (retorno da lesão) é menor.
Na última sexta-feira (24/07), o Hucam recebeu o professor e endoscopista Vitor Arantes, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), para realizar uma série de ESDs em pacientes do hospital capixaba, todos pelo Sistema Único de Saúde. Trata-se de uma parte do treinamento para aprimoramento deste procedimento. O Hucam-Ufes e o HC-UFMG são vinculados à HU Brasil.
“A capacitação para uso desta técnica depende de um treinamento cuja curva de aprendizado é longa e essa ação no dia de hoje faz parte deste aprimoramento contínuo”, explicou Sadovsky. Não há prazo para aplicação da ESD no Hucam.
A equipe do hospital já passou por fases iniciais para este aprendizado e, nesta sexta, foram realizados procedimentos na parte da manhã e na parte da tarde, quando foi operada uma paciente com uma lesão elevada com ulceração central no estômago. Com a técnica, esta parte lesionada foi retirada. Na parte da manhã, a equipe aplicou a técnica em um paciente que tinha uma lesão de crescimento lateral no intestino que, com o tempo, poderia se tornar um câncer se ficasse sem tratamento. No procedimento tradicional, seria necessário retirar o órgão, enquanto com a ESD os médicos retiram apenas o bloco atingido pela lesão. O procedimento, que normalmente leva de uma a duas horas, durou quatro horas por causa da complexidade do caso.
O professor Vitor Arantes explicou que o diferencial desta técnica, além de ser menos invasiva, é que a parte com lesão é retirada em um só bloco, enquanto no procedimento tradicional, são retirados ‘pedaços’. “Do ponto de vista do tratamento é mais eficaz”, acrescentou Arantes.
“No Brasil, começamos a aplicar em 2008 no HC-UFMG, e hoje está se difundindo em outros centros, inclusive aqui no Hucam”, afirmou o médico. O treinamento feito pelo professor Vitor Arantes é uma iniciativa do Hucam em parceria com a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva do Espírito Santo, que viabilizou a vinda do profissional para Vitória.
Sobre a HU Brasil
O Hucam-Ufes integra a Rede HU Brasil desde abril de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Sinval Paulino
Gerência Executiva de Comunicação Social