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DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Transplante é resultado de uma rede de cuidado
Um transplante começa muito antes da cirurgia e continua depois dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento de quem recebe um órgão, diferentes profissionais participam de uma jornada que envolve assistência, avaliações, exames, acolhimento e acompanhamento. Em conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, a HU Brasil mostra parte desse caminho e explica como a atuação integrada das equipes sustenta o processo de transplante no Sistema Único de Saúde (SUS).
Essa jornada mobiliza profissionais que atuam diretamente na assistência aos pacientes, equipes responsáveis pela doação, serviços que realizam exames e equipes cirúrgicas. Também envolve estruturas encarregadas da articulação entre os hospitais e o sistema de transplantes. Em cada etapa, são realizados procedimentos específicos para viabilizar a doação e fazer com que o órgão chegue a quem aguarda por um transplante.
Do preparo para o transplante ao acompanhamento depois da cirurgia
Para quem aguarda um transplante, a jornada começa com a avaliação da condição clínica e a preparação para o procedimento. No Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), o professor da Nefrologia, Jocemir Lugon, atua no acompanhamento de pacientes que aguardam por um transplante renal. No Estado do Rio de Janeiro, segundo o médico, “pacientes que estão em programa de diálise são encaminhados pela clínica onde realizam o tratamento para um centro transplantador de referência. Nesse serviço, passam por avaliação com um nefrologista, que orienta sobre os riscos e benefícios do transplante renal e solicita os exames necessários”.
Quando não há contraindicação, o paciente é inserido na lista única de espera da Central Estadual de Transplantes. Enquanto aguarda, permanece em acompanhamento regular com a equipe de nefrologia e realiza exames para avaliação de compatibilidade com possíveis doadores. A seleção considera critérios que incluem a compatibilidade entre doador e receptor. Quando ocorre a doação, pontuou Jocemir, “o processo entre a identificação do doador e a realização da cirurgia que, no caso, do Huap-UFF, é realizada pelos urologistas, geralmente se passam menos de 24 horas”.
Depois do transplante e da alta hospitalar, o acompanhamento continua com a mesma equipe que participou do preparo. Nos primeiros meses, as consultas ocorrem em intervalos menores e, gradualmente, tornam-se mais espaçadas. A equipe acompanha a evolução clínica, prescreve os medicamentos, incluindo os imunossupressores usados para evitar a rejeição do órgão, e atua diante de possíveis complicações. “O maior risco são as infecções, pois os pacientes ficam com a imunidade muito reduzida, e há o risco de rejeição do órgão”, explica Jocemir.
A nefrologia permanece como referência para o paciente, mas o cuidado envolve outras especialidades. A equipe cirúrgica realiza o procedimento e outros profissionais podem participar da avaliação e do acompanhamento, como cardiologistas e patologistas. Com a recuperação, o paciente deixa de depender da diálise e pode ter mais liberdade na alimentação, na ingestão de líquidos e nas viagens. Como orienta Jocemir, “Os principais cuidados são o uso regular dos imunossupressores e demais medicamentos, não deixar de fazer o acompanhamento regular e ter sempre a equipe que o acompanha como referência para qualquer problema ou dúvida relacionada à sua saúde”.
A trajetória de cada paciente pode variar, mas o transplante envolve diferentes profissionais e etapas de cuidado, desde a avaliação e a espera pelo órgão até o acompanhamento após a cirurgia. Para quem recebe um novo órgão, esse processo também pode representar uma mudança na rotina e na qualidade de vida. Segundo Jocemir, “uma vez superada esta fase, a qualidade de vida fica muito melhor do que antes de transplantar”.
Gerência-Executiva de Comunicação Social da HU Brasil