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PREVENÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO
Pressão alta na gestação exige diagnóstico precoce para evitar mortes maternas
Diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo ajudam a prevenir complicações causadas pela pressão alta durante a gestação
Dor de cabeça persistente, inchaço repentino, alterações na visão e falta de ar podem parecer sintomas comuns da gravidez, mas também indicar um quadro grave. As síndromes hipertensivas da gestação estão entre as principais causas de morte materna no Brasil e exigem diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e atendimento imediato diante dos sinais de alerta.
Nos hospitais universitários federais que integram a Rede HU Brasil, como o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), o cuidado com gestantes de risco inclui monitoramento constante da pressão arterial, identificação precoce de complicações e orientação para que mulheres e familiares reconheçam sintomas que não devem ser ignorados. O alerta ganha ainda mais importância no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, lembrado em 28 de maio.
Pré-natal contínuo ajuda a reduzir complicações graves
No Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), a cardiologista do Ambulatório de Cardio-Obstetrícia, Larissa Carestiano, ressalta que a mortalidade materna é zero, isso se deve ao trabalho contínuo da equipe multidisciplinar. Nesse sentido, ela enfatiza que o pré-natal é fundamental para o rastreamento precoce da hipertensão e de outras doenças que podem comprometer a gestação. “O pré-natal está indicado para todas as gestantes, sem exceção. Por abranger toda a população de grávidas, torna-se uma oportunidade importante para o diagnóstico precoce da hipertensão”.
Segundo a médica, a hipertensão pode existir antes da gravidez ou surgir ao longo da gestação. O diagnóstico é simples e pode ser realizado nas consultas de rotina, com aferição da pressão arterial e exames complementares, como o MAPA de 24 horas. O cuidado ideal começa ainda no planejamento gestacional, especialmente para mulheres com hipertensão, obesidade e diabetes, condições que aumentam o risco de complicações maternas e fetais.
A especialista também enfatiza que mulheres que desenvolveram hipertensão durante a gravidez precisam de acompanhamento mesmo após o parto, já que apresentam maior risco de hipertensão crônica, infarto e AVC ao longo da vida. Entre os fatores associados ao maior risco de hipertensão gestacional estão gravidez gemelar, histórico de pré-eclâmpsia, diabetes, doença renal crônica, doenças autoimunes e obesidade. “Com acompanhamento regular conseguimos controlar melhor a pressão arterial, monitorar a vitalidade fetal e identificar precocemente alterações laboratoriais e complicações relacionadas à hipertensão”, explica.
Ela destaca ainda a importância da assistência multiprofissional no acompanhamento dessas pacientes. No Ambulatório de Cardio-Obstetrícia da UFF, enfermeiras, nutricionista, obstetras e cardiologistas atuam de forma integrada no cuidado das gestantes hipertensas. “Muitas pacientes iniciam o acompanhamento após o primeiro trimestre e acabam perdendo a janela ideal para prevenção da pré-eclâmpsia. Também enfrentamos dificuldades relacionadas à adesão ao tratamento e à subestimação dos sintomas”.
Diagnóstico precoce pode evitar mortes maternas
O professor Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) e integrante da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez, Mário Dias, informa que as síndromes hipertensivas atingem entre 3% e 8% das gestações no país. Segundo ele, parte dessas mulheres já tinha hipertensão antes da gravidez, enquanto outras desenvolvem a doença durante a gestação, quadro conhecido como pré-eclâmpsia. “Essas síndromes atingem cerca de 120 mil gestações por ano no Brasil. Há casos leves, em que mãe e bebê chegam saudáveis ao final da gestação, mas também situações graves que podem exigir a interrupção prematura da gravidez”, pontua.
O especialista frisa que, com a redução das mortes relacionadas à hemorragia pós-parto, as doenças hipertensivas passaram a ocupar o primeiro lugar entre as causas de mortalidade materna no Brasil. Por isso, o acompanhamento precisa começar ainda no primeiro trimestre da gestação, com identificação precoce dos fatores de risco e adoção de medidas preventivas, como controle do peso, prática de atividade física moderada e verificação de doenças como hipertensão crônica e diabetes.
Mário também chama atenção para os principais obstáculos que dificultam o atendimento adequado das gestantes, como o atraso na busca por assistência, dificuldades de acesso ao sistema de saúde e demora na identificação do quadro pelas equipes. “As pacientes devem ser orientadas sobre quais sinais representam risco e exigem atendimento imediato. Educação em saúde também reduz mortalidade materna”, reforça.
Sintomas podem evoluir rapidamente e exigir atendimento imediato
Do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), a obstetra Jennifer Peroba alerta que as síndromes hipertensivas da gestação costumam surgir após as 20 semanas e podem evoluir rapidamente. Entre os sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata estão dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, dor na parte superior do abdome, náuseas no final da gestação, falta de ar e redução dos movimentos do bebê.
“Um dos grandes desafios é que muitos sinais acabam sendo minimizados ou confundidos com desconfortos normais da gravidez. Além disso, muitas pacientes podem apresentar pressão alta sem sintomas evidentes, o que reforça a importância do acompanhamento pré-natal regular”, afirma. A obstetra explica que a pré-eclâmpsia é uma doença sistêmica e imprevisível, que pode comprometer múltiplos órgãos maternos e causar complicações graves como convulsões, edema agudo de pulmão, AVC, insuficiência renal e alterações da coagulação.
Os riscos também atingem diretamente o bebê, com possibilidade de restrição de crescimento fetal, sofrimento fetal, prematuridade e aumento do risco de óbito perinatal. Em alguns casos, a interrupção precoce da gestação torna-se necessária para preservar a vida da mãe e da criança. “Identificar fatores de risco, monitorar pressão arterial e orientar a gestante sobre sinais de gravidade são medidas essenciais para reduzir mortalidade materna”, destaca Jennifer.
Informação pode evitar que quadros se tornem fatais
No Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), a ginecologista e especialista em gestação de alto risco, Carla Batiuk, explica que é considerada hipertensão gestacional quando há duas aferições de pressão iguais ou acima de 140 por 90, com intervalo mínimo de quatro horas. Já situações com pressão igual ou superior a 160 por 110 representam urgência hipertensiva.
Segundo a especialista, além da pressão elevada, alguns sintomas indicam gravidade e necessidade de atendimento imediato: “A gestante pode apresentar cefaleia, visão turva, luzes brilhantes na visão, dor abdominal, náuseas, vômitos e falta de ar. Esses são sinais de urgência hipertensiva”. Além disso, muitas mulheres ainda minimizam sintomas importantes: “Não podemos menosprezar cefaleia, alterações visuais, dor abdominal, diminuição da movimentação fetal, sangramento vaginal ou perda de líquido. Nesses casos, é fundamental procurar cuidado médico”.
Sem tratamento adequado e imediato, a crise hipertensiva pode evoluir rapidamente, podendo levar à eclâmpsia, descolamento prematuro da placenta, AVC, trombose cerebral e até ruptura hepática. Segundo a médica, são situações graves que podem levar ao óbito materno e fetal.
Para Carla, “O mais importante no atendimento às gestantes é a informação. O médico precisa transmitir orientações de forma clara para que a mulher reconheça os sinais de emergência e procure ajuda precocemente”.
Reconhecer os sinais de risco pode salvar vidas
Na Maternidade Climério de Oliveira da Universidade Federal da Bahia (MCO-UFBA), o professor Carlos Menezes destaca que grande parte das complicações relacionadas à hipertensão na gravidez pode ser evitada com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acesso rápido aos serviços de saúde. Entre as complicações mais graves estão AVC, eclâmpsia, insuficiência renal, edema pulmonar, síndrome HELLP e morte materna. “A melhor forma de prevenir a pré-eclâmpsia em pacientes de maior risco é o uso de aspirina em baixa dose a partir de 12 semanas de gestação, além de cálcio em populações com dieta deficiente”.
Segundo o especialista, mulheres com hipertensão antes da gravidez, diabetes, trombofilias, obesidade, idade acima de 35 anos e condições socioeconômicas desfavoráveis apresentam maior risco de desenvolver complicações. Carlos alerta que o atraso no atendimento ainda é um dos principais fatores relacionados às mortes maternas evitáveis. “O acesso tardio e o retardo assistencial têm impacto devastador nos casos graves de hipertensão na gravidez e são responsáveis pela maioria dessas mortes evitáveis”.
O professor também ressalta a importância do reconhecimento dos sinais de alerta, já que muitas mulheres confundem os sintomas com manifestações comuns da gravidez. “A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente. Por isso, familiares e acompanhantes precisam reconhecer sinais”.
Além da gestação, ele reforça que os cuidados devem continuar no pós-parto, período em que a pressão arterial pode piorar e novas complicações surgirem. “Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia apresentam maior risco de hipertensão crônica, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e AVC no futuro. Isso reforça a importância do acompanhamento contínuo mesmo após a gravidez”.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Andreia Pires, com revisão de Rosenato Barreto
Coordenadoria de Comunicação Social/Rede HU Brasil