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PREVENÇÃO
Férias escolares exigem cuidado redobrado com alimentação e atenção para riscos de acidentes domésticos
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, no período de férias escolares há um aumento de 25% a 30% nos acidentes domésticos em crianças e adolescentes. Com a falta de rotina alimentar, também há um risco de ganho de peso e aumento do sedentarismo. Pensando nisso, especialistas dos hospitais da Rede HU Brasil no Rio de Janeiro e em Niterói (RJ) alertam os pais para a necessidade de maior atenção para evitar agravos à saúde dos filhos.
De acordo com Cláudio Tortori, pediatra do Hospital Universitário dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (HUSE-Unirio), durante as férias escolares as crianças passam mais tempo em casa ou em ambientes de lazer externos, muitas vezes sem a supervisão de um adulto. Dessa forma, é comum ocorrerem quedas, queimaduras, choques elétricos, afogamentos, acidentes por animais peçonhentos, intoxicações e asfixia. A seguir, o especialista orienta sobre a prevenção e o manejo dos acidentes mais comuns.
Afogamentos: a prevenção em piscinas de condomínios é feita com adequada interposição de grades e vigilância com guarda-vidas nos horários de pico de frequência.
Quedas: são prevenidas com uso de telas em varandas e grades em janelas de acordo com o tipo de residência. Escadas devem ter portões ou portinholas que impeçam o acesso das crianças às escadas. Berços devem ser rebaixados à medida em que a criança for crescendo.
Queimaduras: podem ser evitadas mantendo produtos inflamáveis, fora do alcance das crianças. Deve-se interromper o contato com a fonte de calor e colocar a área queimada sob água corrente fresca, não gelada, por aproximadamente 20 minutos. Retirar anéis, pulseiras e roupas que não estejam aderidas à pele, antes que ocorra inchaço. Depois, proteger com gaze ou tecido limpo, sem apertar. Não colocar: gelo; pasta de dente; manteiga ou margarina; óleo; pó de café; clara de ovo; álcool; pomadas ou receitas caseiras sem indicação. Não se deve furar bolhas e arrancar tecidos aderidos à pele.
Sufocamento ou asfixia: em relação ao sufocamento ou asfixia, pequenos objetos devem ser mantidos longe dos bebês e pré-escolares. Moedas, baterias, botões, ímãs, sacos plásticos, brinquedos que soltam peças, aumentam muito o risco de asfixia caso a criança tenha acesso a estes objetos.
Choques elétricos: são prevenidos com protetores de tomadas e mesmo se o aparelho estiver desligado a tomada deverá ser desplugada e o protetor usado. “Se uma criança colocar um fio ligado de qualquer eletrodoméstico na boca, uma mínima perfuração do fio causará uma grave queimadura na mucosa (esta proteção também é recomendada para quem tem pets)”, alerta o médico.
Intoxicação: a orientação principal é não improvisar tratamento doméstico; afastar a criança do produto, verificar respiração, nível de consciência, não provocar vômito; não oferecer qualquer “antídoto caseiro” sem orientação especializada. Se houve contato com a pele ou olhos, retirar as roupas contaminadas e lavar com água corrente, guardando ou registrando a embalagem ou rótulo do produto.
Para concluir, o pediatra orienta que as famílias mantenham visíveis os seguintes números: SAMU 192, Bombeiros 193 e Disque-Intoxicação 0800 722 6001.
Férias podem ser oportunidade para melhorar a alimentação
A nutricionista pediátrica do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), Cásssia Borges, explica que o período de férias escolares costuma vir acompanhado de uma quebra na rotina alimentar. Segundo ela, é muito comum o aumento do consumo de alimentos industrializados, ricos em açúcares, sódio e aditivos, com sabor e textura agradáveis. “Eles distorcem a percepção de sabor da criança, tornando alimentos naturais, como frutas e vegetais, menos atraentes”, afirma.
Cássia acredita que a alimentação saudável deve estar presente em todos os momentos da vida, e que isso pode ser um grande ensinamento para as crianças, até mesmo nas férias. “O tempo livre pode ser transformado em uma oportunidade rica para envolver os filhos no preparo de receitas saudáveis, comer em família, estimulando a autonomia e criando memórias afetivas com comida de verdade”.
Dicas de alimentação saudável
Para quem vai viajar, a dica da nutricionista é aproveitar que hotéis e pousadas costumam oferecer boas opções de comida de verdade: frutas, sucos naturais, iogurtes, pães e bolos caseiros, além do nosso tradicional arroz com feijão. Já para os dias de passeios, os pais podem preparar um kit com pipoca de panela, frutas fáceis de transportar, castanhas e sanduíches de queijo. Uma estratégia boa é cortar os alimentos ou bolos e biscoitos caseiros em formatos lúdicos, como corações ou estrelas, e envolver a criança no preparo de forma segura e divertida.
Vale também investir neste universo infantil, usando pratos, copos e guardanapos dos personagens favoritos. O lúdico abre portas para a boa aceitação. Por fim, ela alerta: açúcar, bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados (industrializados) não devem fazer parte do cardápio de crianças menores de dois anos, mesmo nas férias.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Paola Caracciolo
Gerência-Executiva de Comunicação Social/Rede HU Brasil