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OUTUBRO ROSA
Adoção de estilo de vida saudável é uma das melhores formas de prevenção ao câncer de mama, afirma mastologista
No Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF, sob gestão da Ebserh), a programação para o Outubro Rosa está extensa e envolve equipe multiprofissional da instituição, residentes, professores e alunos.
Estão sendo realizadas mamografias, consultas com mastologista e ginecologista, mutirão de DIU (dispositivo intrauterino) e capacitações. Nas salas de espera, acontecem orientações sobre assuntos variados, como endometriose, nutrição, inclusão social de jovens egressos do sistema prisional e atendimento à população trans. Os setores também receberam decoração especial.
Confira a seguir entrevista com a médica mastologista Ana Cristina Dias de Paiva, que esclarece dúvidas sobre prevenção e tratamento do câncer de mama
Quando as mulheres podem começar a fazer mamografia?
De acordo com o Ministério da Saúde, o rastreamento do câncer de mama deve ser realizado a partir dos 50 anos, com a mamografia. Dos 40 aos 49 anos, indica-se a mamografia em caso de alterações no exame clínico. Em alguns casos selecionados/específicos, como o de mulheres com risco elevado para este câncer, pode haver necessidade de início mais precoce (antes dos 40 anos). Contudo, um mastologista deve ser consultado para avaliação, orientação e indicação do melhor exame complementar a ser realizado.
Antes disso, como as mulheres podem ficar atentas ao problema?
É sempre importante que as mulheres mantenham sua rotina ginecológica anual, pois, na presença de alguma alteração nas mamas ou exames complementares, o ginecologista encaminhará para o mastologista, caso haja necessidade. Além disso, o autoexame das mamas pode auxiliar as mulheres com avaliação e percepção de alguma alteração mamária, embora não substitua o exame clínico das mamas, não devendo, portanto, ser realizado isoladamente.
A alimentação é importante na prevenção? Sim ou não?
Sim. Os estudos tendem a correlacionar maior risco de câncer de mama com alimentação pouco saudável e não adequada. Dessa forma, a alimentação seria uma aliada à prevenção e recorrência da neoplasia mamária.
Quais alimentos devem ser recomendados e evitados?
Recomenda-se dieta com maior ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais e outras plantas, peixes. Devem ser evitados alimentos ricos em carboidratos, com alto consumo de gorduras saturadas e hidrogenada.
Qual a relação entre atividade física e prevenção ao câncer de mama?
A atividade física parece ser fator redutor de risco do câncer de mama. Até o presente momento, é possível inferir que uma das melhores formas de prevenção ao câncer de mama é a adoção de um estilo de vida saudável, evitando sobrepeso e obesidade, realizando atividades físicas regulares e balanceando a alimentação.
Mulheres diagnosticadas com câncer de mama podem realizar atividades físicas?
Podem e devem. Após completarem o tratamento do câncer, as atividades físicas podem ser de grande auxílio para a prevenção de recidivas (retorno do câncer). Além disso, a realização de atividade física de forma regular é benéfica para a qualidade de vida das mulheres com câncer de mama.
Como fica a vida sexual de mulheres que passaram pelo câncer de mama?
A identificação de necessidades relacionadas à intimidade sexual pelo profissional de saúde pode contribuir para a assistência apropriada no processo de reabilitação psicossocial da mulher. Um estudo realizado pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia não identificou associação entre vida sexual ativa e diagnóstico/tipos de tratamento do câncer de mama.
Neste estudo, a atividade sexual das mulheres que passaram pelo câncer de mama não parece estar associada aos tratamentos, mas sim à idade e à oportunidade de ter relação sexual.
Contudo, achados de outros estudos evidenciam que, mesmo quando existe intensa e satisfatória vida sexual no período prévio à doença, fatores como estresse, dor, fadiga, alterações da imagem corporal e baixa autoestima, decorrentes dos tratamentos, podem desorganizar o funcionamento sexual da mulher acometida.
Um acompanhamento multidisciplinar com terapeuta e psiquiatra, além da cirurgia de reconstrução mamária e oncoplástica podem ser de grande auxílio neste fator psicossocial.
Gostaria de acrescentar alguma outra informação que considere importante?
Em geral as mulheres temem ir ao médico com medo de "descobrirem um problema". Podemos considerar justamente o oposto, em especial para o câncer de mama. A realização do rastreamento não deve ser vista como meio de se evitar o câncer, mas sim como uma forma de se identificar a patologia no estágio inicial e assim sendo, obter maiores chances de cura.