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PREVENÇÃO E CUIDADO
HC-UFU/HU Brasil realiza ações de acolhimento e informação para pacientes e acompanhantes durante o Outubro Rosa
Uberlândia (MG) – O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à HU Brasil, realizou, durante o Outubro Rosa, ações voltadas ao acolhimento, à informação e ao bem-estar de pacientes e acompanhantes. As atividades foram promovidas pelo setor de Cuidados Especializados e incluíram uma programação de acolhimento e o projeto de extensão Encontro Rosa, com foco no cuidado integral às pessoas com câncer.
A iniciativa reforçou a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, que amplia as chances de sucesso do tratamento. A atenção aos sinais e sintomas, aliada ao acompanhamento médico, é fundamental para a identificação da doença e a definição da conduta terapêutica adequada.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional em Oncologia, Andreza Kelly Soares, a proposta das ações foi ampliar o cuidado para além do tratamento clínico. O diagnóstico e o tratamento do câncer afetam a rotina, o bem-estar emocional e as relações familiares, aspectos que também precisam ser acolhidos pela equipe de saúde. “O olhar também se estende aos acompanhantes, que vivem o processo e frequentemente ficam em segundo plano”, destacou.
A coordenadora ressaltou que o objetivo é contribuir para que a pessoa mantenha sua rotina, seus projetos e seus vínculos durante o tratamento, sem que a doença defina toda a sua história. “A proposta dialoga com a filosofia dos cuidados paliativos, que prioriza qualidade de vida, bem-estar, dignidade e o cuidado integral em todas as fases do tratamento”, afirmou.
A programação foi composta por três oficinas gratuitas, realizadas das 9h às 11h, na sala do setor de Cuidados Especializados, com participação de pacientes e acompanhantes. As atividades também foram abertas a pacientes com outros tipos de câncer e em diferentes fases do tratamento que estivessem no hospital no dia da programação.
Projeto Encontro Rosa
De acordo com a coordenadora do projeto e médica radio-oncologista Roseane Eloiza Silva, o Encontro Rosa é um projeto de extensão desenvolvido por meio de rodas de conversa. A iniciativa oferece educação em saúde, acolhimento e suporte multiprofissional a pacientes com câncer de mama em acompanhamento no setor de Cuidados Especializados do HC-UFU, com foco no cuidado centrado na pessoa e na troca de experiências entre pacientes e equipe.
O projeto busca proporcionar um espaço seguro de escuta e diálogo, no qual as pacientes possam compartilhar experiências, receber orientações confiáveis, esclarecer dúvidas e compreender melhor as diferentes etapas do tratamento oncológico.
Os encontros são mensais e reúnem, em média, de 20 a 25 pacientes. As atividades são conduzidas em um ambiente acolhedor, com cadeiras organizadas em círculo, linguagem acessível e participação ativa das presentes.
Câncer de mama
A presença de nódulos endurecidos nas mamas ou nas axilas merece atenção. Outros sinais de alerta incluem secreção pelo mamilo, especialmente quando sanguinolenta, inversão recente do mamilo e alterações na pele, como vermelhidão, inchaço, retração ou aspecto semelhante à casca de laranja.
A mastologista da HU Brasil Ana Andrade explica que o rastreamento é fundamental para a detecção precoce da doença. “Quando os sintomas estão presentes, é porque a doença já está mais avançada. Precisamos dar o diagnóstico antes que eles apareçam. Descobrir precocemente aumenta a chance de cura”, enfatiza.
De acordo com o médico oncologista Bruno Fernandes, a avaliação para o rastreamento deve considerar a idade, o histórico e as características individuais de cada paciente. “Essa avaliação é feita até uma idade a ser discutida com o paciente de acordo com as características de saúde, mas, ao menos até os 65 ou 70 anos”, orienta.
Doença multifatorial
Os fatores de risco para o câncer de mama incluem aspectos comportamentais, hormonais, hereditários e ambientais. Entre eles estão obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, histórico familiar da doença, ausência de gestação e lactação, menarca precoce e uso de hormônios sem orientação médica.
Especialistas reforçam que hábitos saudáveis podem contribuir para a redução do risco. Entre as medidas recomendadas estão evitar o tabagismo, manter uma alimentação equilibrada e adotar hábitos que favoreçam a manutenção do peso adequado.
Prevenção e tratamento
A prevenção do câncer de mama pode ser primária ou secundária. A primária busca reduzir os fatores de risco por meio de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado e prática regular de atividade física. A prevenção secundária envolve a detecção precoce, com acompanhamento de saúde e realização dos exames indicados conforme as recomendações vigentes.
Os tratamentos evoluíram e podem envolver diferentes abordagens, definidas de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e as características da paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e reconstrução mamária, quando indicada.
Estatísticas
Para o triênio de 2026 a 2028, são estimados cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre as brasileiras, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, e também figura entre os mais frequentes no mundo. Embora seja predominante entre mulheres, o câncer de mama também pode acometer homens, que representam cerca de 1% dos casos.
Ainda de acordo com o Inca, a estimativa para o período é de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Entre os tipos mais incidentes na população feminina estão os cânceres de mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).
Os dados reforçam a importância da prevenção, do acesso à informação e do diagnóstico precoce para o enfrentamento da doença.