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JULHO AMARELO
HC-UFU/HU Brasil destaca a importância do diagnóstico precoce e das medidas preventivas no combate das hepatites virais
Com a chegada do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), filiado à HU-Brasil, destaca a importância do diagnóstico precoce e das medidas preventivas contra os principais vírus da doença. No período de 2000 a 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, registrou mais de 826 mil casos confirmados da doença no Brasil.
No ano passado (2025), o HC-UFU notificou 46 novos casos de hepatite, sendo dois casos de hepatite A, 16 de hepatite B e 28 de hepatite C, segundo dados da Unidade de Vigilância em Saúde do HC-UFU. “As hepatites tipos D e E, são bastante raras aqui na região, praticamente não ocorrem”, pontua o médico infectologista do HC-UFU/ HU Brasil, Henrique de Villa Alves.
O HC-UFU/HU Brasil possui ambulatório especializado para atendimento de pacientes com hepatites virais, realizando avaliação, acompanhamento e tratamento dos casos encaminhados conforme os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade atende casos de toda a macrorregião do Triângulo Norte, especialmente os mais graves e complexos.
Ausência de sintomas na fase inicial pode dificultar o diagnóstico precoce
A maioria das hepatites virais, principalmente nas fases iniciais, pode evoluir de forma assintomática ou com sintomas muito inespecíficos, como cansaço, mal-estar, perda do apetite, náuseas, dores no corpo e febre baixa. Quando a doença se torna mais evidente, podem surgir sinais como pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura, fezes claras, coceira intensa e dor ou desconforto no lado direito do abdome.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Nas hepatites B e C, ele permite iniciar o acompanhamento e, quando indicado, o tratamento antes que ocorram complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Além disso, possibilita orientar medidas para interromper a transmissão do vírus a outras pessoas”, explica Henrique de Villa, lembrando que ambas as doenças podem acometer pessoas de qualquer idade. “Independentemente disso, pessoas com fatores de risco devem realizar a testagem, mesmo na ausência de sintomas”, alerta o médico.
Tipos e características: as diferenças entre os vírus
- Hepatite A (HAV): Transmitida pela via fecal-oral (água ou alimentos contaminados), é uma das formas mais comuns. É mais frequente em crianças e adolescentes em locais com condições sanitárias inadequadas, mas, atualmente, observa-se um aumento de casos em adolescentes e adultos jovens, que muitas vezes não tiveram contato prévio com o vírus nem foram vacinados. Nesses pacientes, a doença costuma ser mais sintomática.
- Hepatite B (HBV): Transmitida por contato sexual desprotegido, pela exposição ao sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante o parto.
- Hepatite C (HCV): Transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, sendo mais comum em adultos, especialmente naqueles que receberam transfusões antes da implantação dos testes de triagem, utilizaram drogas injetáveis ou foram submetidos a procedimentos invasivos sem adequada biossegurança, além do compartilhamento de materiais perfurocortantes.
Tratamento
O especialista pontua que o tratamento depende do tipo de hepatite. Na hepatite A, não existe tratamento antiviral específico. O manejo é baseado em medidas de suporte, como hidratação, alimentação adequada e acompanhamento clínico. A maioria dos pacientes evolui para cura espontânea.
Na hepatite B, alguns pacientes necessitam apenas de acompanhamento periódico, enquanto aqueles com critérios clínicos e laboratoriais para tratamento recebem antivirais capazes de controlar a replicação do vírus, reduzindo significativamente o risco de cirrose e câncer de fígado.
Já a hepatite C, atualmente, pode ser curada em mais de 95% dos casos com antivirais de ação direta, administrados por via oral por um período relativamente curto, geralmente entre 8 e 12 semanas.
Prevenção: vacinas, higiene e proteção
Os cuidados básicos variam de acordo com a forma de contágio de cada vírus. Para a hepatite A o foco está no saneamento e na higiene. Já para os tipos B e C, as medidas envolvem o uso de preservativos nas relações sexuais e o não compartilhamento de objetos cortantes e perfurantes de uso pessoal, como alicates de unha, lâminas de barbear e tesouras.
A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz de proteção. O SUS disponibiliza gratuitamente a vacina contra a hepatite A para crianças de até 5 anos incompletos e grupos de risco, com eficácia que pode chegar a até 100% de proteção. Já a vacina contra a hepatite B faz parte do calendário básico de imunização, com a primeira dose aplicada ainda na maternidade, gerando imunidade duradoura por até 35 anos. Atualmente, não existe vacina disponível para a hepatite C.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFU integra a Rede HU Brasil desde maio de 2018. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.