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SAÚDE DA MULHER
Endometriose: conheça mais sobre essa doença que afeta cerca de oito milhões de brasileiras
Imagem: Leidiane Campos
Uberlândia (MG) - O Março Amarelo, campanha do Ministério da Saúde (MS) voltada à conscientização sobre a endometriose, inspira a reflexão sobre o problema ginecológico e as alternativas para qualificar o atendimento às mulheres. Pacientes com sinais potenciais de endometriose são acolhidas no Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), após encaminhamento da regulação.
Segundo dados do Ministério da Saúde, oito milhões de brasileiras estão diagnosticadas com endometriose. “É uma doença extremamente comum, infelizmente. As estimativas mais otimistas calculam que 10% da população feminina podem estar cometidas com endometriose. Hoje, a gente sabe que esse número pode ser bem maior. A partir do momento que melhorarem as condições do diagnóstico, talvez a gente vá ver algumas modificações nesse cenário, ao longo do tempo”, detalha Rodrigo Manieri Rocha, ginecologista no HC-UFU.
As reais causas da endometriose ainda não estão completamente estabelecidas, mas existem algumas teorias. “A teoria que eu mais utilizo, e que eu acredito que explique melhor as condições da endometriose, é a da formação desse tecido ainda no momento embrionário, no desenvolvimento, então é muito provável que uma boa parte da endometriose seja uma doença congênita (a pessoa já nasce com essas alterações). Outros fatores podem influenciar na maneira como a doença vai se comportar ao longo do tempo, o sistema imunológico atua bastante na resposta ao tecido inflamatório causando cicatrizações com mais frequência ou menos frequência”, aponta o especialista.
Sintomas
Os sintomas mais comuns são dor menstrual, dor ao evacuar ou urinar, dor durante a relação sexual, alterações do funcionamento do intestino e da bexiga e dificuldade para engravidar. Esses sintomas são indicativos para procurar atendimento médico. O médico explica que enquanto não existe uma produção significativa de hormônio feminino, uma boa parte das meninas que ainda não entraram na puberdade não apresentam sintomas.
A partir da adolescência, com a produção maior de estrogênio, o tecido pode aumentar a atividade biológica e, por conta disso, aumentar a quantidade de inflamação e é aí que os sintomas começam a aparecer e podem ir até a menopausa. Uma boa parte das mulheres apresentam certa melhora dos sintomas pós-menopausa.
Diagnóstico precoce e estilo de vida saudável
Rodrigo reforça a importância do diagnóstico precoce: “O quanto antes a gente puder fazer o diagnóstico, menor a chance dessa pessoa ter o desenvolvimento de outras síndromes de dor crônica mais graves. Iniciar o tratamento no momento mais oportuno possível é extremamente importante, inclusive para o planejamento reprodutivo dessa mulher, caso a endometriose possa ter um impacto, eventualmente, na capacidade de reprodução. A gente pode diminuir muito o impacto do problema se o diagnóstico for feito corretamente e na hora certa”.
O tratamento da endometriose é individualizado podendo ser feito com controle de medicação hormonal, eficiente para diminuir os sintomas. “O tratamento cirúrgico pode ser necessário, porque algumas lesões podem causar bastante dor em locais específicos da pelve, próximos de nervos ou afetando outros órgãos como a bexiga e o intestino. Outros tratamentos como mudança do estilo de vida, ajuste de alimentação e outras alternativas para o controle da dor também podem ser bastante interessantes ao longo do tempo, a depender da gravidade do problema”, pontua Manieri.
“Existem muitas mulheres que praticamente ficam sem sintomas a depender dos ajustes que ela pode fazer do estilo de vida: alimentação saudável, atividade física e repouso adequado. Em todos os mecanismos patológicos de doença do nosso organismo, seja endometriose ou outras doenças, os hábitos de vida podem influenciar na gravidade e na intensidade dos sintomas. Uma pessoa que não faz atividade física, come muito mal, está obesa, fuma, usa drogas, essa pessoa vai ter um impacto muito maior da doença ao longo do tempo. Evitar esses processos inflamatórios graves no corpo da gente é muito importante para diminuir o impacto das doenças”, concluiu o ginecologista.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFU faz parte da HU Brasil desde maio de 2018. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh