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CONSCIENTIZAÇÃO
Dia Internacional da Tireoide reforça cuidados com a saúde hormonal
As alterações mais frequentes da tireoide são o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.
Uberlândia (MG) - Celebrado em 25 de maio, o Dia Internacional da Tireoide reforça a conscientização sobre essa glândula responsável pelo equilíbrio do organismo. Produtora dos hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), que regulam o metabolismo, a temperatura corporal e o desenvolvimento físico, a tireoide interfere diretamente no funcionamento de órgãos vitais, como cérebro, coração, fígado e rins. A atenção à saúde tireoidiana também é essencial para públicos específicos, como mulheres no climatério e pessoas trans. Especialistas da HU Brasil destacam os principais cuidados relacionados a essa glândula.
As alterações mais frequentes da tireoide são o hipertireoidismo (excesso de hormônios circulando no corpo) e o hipotireoidismo, quando há produção insuficiente dessas substâncias.
O endocrinologista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Helton Ramos, conduz pesquisas com pacientes no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA). Ele explica que os hormônios produzidos pela tireoide desempenham papel fundamental no funcionamento do organismo feminino, influenciando funções como metabolismo, sono, humor, temperatura corporal e sistema cardiovascular.
Já o ginecologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ), Roberto Antunes, destaca que a tireoide participa da regulação do metabolismo e interage com o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. Contudo, os impactos variam conforme a fase da vida: “Em mulheres em idade reprodutiva, disfunções tireoidianas, especialmente o hipotireoidismo, podem estar associadas à irregularidade menstrual, infertilidade e alterações hormonais. Já na menopausa, embora a tireoide não cause o climatério, pode intensificar sintomas como fadiga, ganho de peso, alterações de humor e perda de massa óssea”, diferencia o médico do HUCFF.
Fases da vida que demandam atenção
As alterações na tireoide podem comprometer diretamente a qualidade de vida das mulheres, sobretudo em períodos de maior vulnerabilidade hormonal, como climatério, gravidez e envelhecimento. Helton Ramos esclarece que o climatério e a menopausa estão associados ao aumento da incidência de doenças dessa glândula, especialmente da tireoidite de Hashimoto, principal causa do hipotireoidismo. Sintomas como cansaço, ganho de peso, queda de cabelo e alterações de humor podem se intensificar devido à convergência entre as mudanças hormonais da menopausa e a disfunção tireoidiana.
Acompanhamento e ajuste terapêutico
Mulheres em tratamento para hipotireoidismo podem necessitar de ajuste na medicação ao iniciar terapia de reposição hormonal. Isso ocorre porque o estrogênio interfere no transporte dos hormônios tireoidianos no sangue, reduzindo sua disponibilidade no organismo. “Por isso, é muito comum que nessa fase a gente também tenha que aumentar a dose da levotiroxina”, explica o endocrinologista Helton Ramos, que reforça a necessidade de acompanhamento clínico e laboratorial.
Atenção redobrada no diagnóstico
Para o ginecologista do HUCFF, a sobreposição entre sintomas da menopausa e das disfunções tireoidianas exige dos médicos uma abordagem integrada entre histórico clínico, exame físico e dosagem hormonal. “Investigar a tireoide em mulheres na perimenopausa ou pós-menopausa evita atribuir todos os sintomas ao climatério e deixar uma disfunção sem tratamento”, argumenta Roberto Antunes.
O médico ressalta a necessidade de associar a análise clínica a exames laboratoriais, especialmente ao TSH e T4 livre. “Fadiga, alterações de peso, irritabilidade, queda de cabelo e intolerância ao calor ou frio podem ocorrer em ambas as condições. Por isso, a avaliação não deve se basear apenas nos sintomas”, adverte.
Pacientes trans
A endocrinologista do ambulatório Espaço Trans do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), Izabelle Praxedes, explica que os cuidados com a tireoide durante a hormonização cruzada seguem princípios semelhantes aos utilizados na reposição hormonal do climatério. “Utilizamos medicamentos já consolidados e seguros. Em alguns casos, como no hipotireoidismo, pode ser necessário ajuste de dose, mas sem repercussões clínicas relevantes”, afirma.
O acompanhamento endocrinológico no Espaço Trans é realizado de forma multidisciplinar e individualizada. “Sempre investigamos histórico familiar, predisposição a doenças e questões de saúde mental. A triagem com exames, como o TSH, pode ser importante, mas cada caso precisa ser avaliado de forma específica”, destaca Izabelle.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) também dispõe de um ambulatório credenciado pelo SUS para atendimento especializado à população trans. Segundo a endocrinologista Camila Toffoli, que atua no local, exames da função tireoidiana integram a rotina de atendimento. “Solicitamos avaliação da tireoide tanto na primeira consulta quanto ao longo do acompanhamento, sempre que houver suspeita clínica”, relata.
Sobre possíveis alterações específicas nessa população, Camila afirma que ainda não há evidências científicas que indiquem maior incidência de doenças da tireoide entre pessoas trans. “A ausência de dados também precisa ser observada. Ainda existem lacunas de conhecimento pela escassez de estudos voltados a essa população”, conclui.
Conforme a endocrinologista do Hupes-UFBA, Luciana de Oliveira, a baixa identificação de diagnósticos de doenças da tireoide na população trans pode estar relacionada ao fator etário. “A prevalência de doenças tireoidianas nessa população ainda não é bem conhecida, mas diagnosticamos poucos casos, possivelmente porque acompanhamos, em sua maioria, pessoas muito jovens. Estima-se que a expectativa de vida da população trans no Brasil seja de apenas 35 anos”, explica a médica.
Entre os pontos de atenção no acompanhamento clínico, Luciana também reforça a importância do monitoramento medicamentoso. Já sobre o hipertireoidismo, a médica esclarece ainda que a condição é menos frequente que o hipotireoidismo: “mas seguimos atentos a qualquer sinal ou sintoma específico apresentado pelos pacientes”, completa.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFU faz parte da Rede HU Brasil desde maio de 2018. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.
Por Elisa Andrade, com revisão de Rosenato Barreto
Coordenadoria de Comunicação Social/HU Brasil