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APERFEIÇOAMENTO
Projeto capacita enfermagem da Clínica Médica e da Cirúrgica sobre educação em saúde
Foto: Edmundo Gomide/UFTM
Despertar a importância de integrar o acompanhante nos cuidados do paciente. Esse foi o objetivo de um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido com as equipes de enfermagem das clínicas Médica e Cirúrgica do Hospital de Clínicas da UFTM. O trabalho terminou em maio deste ano, após 12 meses.
Conforme o enfermeiro e coordenador do projeto, Álvaro da Silva Santos, o primeiro passo foi descobrir o que a enfermagem entendia por “educação em saúde”. 72 profissionais, do total de 88, responderam a um questionário aberto.
"Confirmamos que as equipes não dominavam o conceito e detectamos a necessidade de dimensionar a importância desse tema”, relata. O grupo de trabalhou - composto por 11 membros - propôs, então, um curso de oito encontros com duração de uma hora cada. Como orientar a alta foi o centro dos temas abordados.
Santos define a educação em saúde como um processo que objetiva ‘ressignificar’ para a comunidade os cuidados necessários para melhorar as condições de vida e saúde. Um exemplo seria o evento HC no Bairros, que leva orientações de saúde para diferentes pontos da cidade.
Na prática
Após o curso, os profissionais - divididos em grupos de dez a doze - participaram de quatro encontros com acompanhantes do HC. Segundo o coordenador do projeto, a proposta era demonstrar à equipe de enfermagem a magnitude da educação em saúde e estimular o acompanhante a compreender a importância de sair do hospital orientado.
“Eu senti que fui importante para aquela pessoa”. Essa foi a fala de um dos profissionais que participaram dos encontros, relembra Santos. “É claro que ‘rolou’ muito desabafo e esclarecimento de termos técnicos também”, complementa.
Para constatar se a equipe de enfermagem pôs em prática o que havia aprendido, as bolsistas do projeto passaram mais de quatro horas em cada turno da Clínica Médica e da Cirúrgica. “Avaliamos se o profissional ensinava aos acompanhantes práticas que seriam repetidas em casa após a alta do paciente, como banho, limpeza da sonda, mudança de decúbito e curativos”, explica a bolsista Angélica Domingas de Castro, estudante do 5.º período de Enfermagem.
Conclusão
Castro avalia que a equipe de enfermagem não enxerga a educação em saúde como uma das atividades mais importantes. “Também faltam recursos humanos, visto que esses profissionais têm uma alta demanda técnica”, acrescenta.
Membro do grupo e pós-graduanda, a enfermeira Giovanna Gandenci Nardelli aponta a necessidade de maior apoio por parte das chefias para que mais ações como essa aconteçam. “É como se o Hospital estivesse preocupado apenas com o fazer. Porém o nosso trabalho indica que a instituição quer mudar isso”, pondera.
Desafios
A bolsista Fernanda Dib Ferreira, também do 5.º período de Enfermagem, conta que curte bastante a área acadêmica e se empolga ao relatar que teve a oportunidade de ministrar aulas “dentro de um Hospital”. Castro também se identifica com a academia e confessa: “Eu sou uma pessoa falante e vi no projeto uma chance de transmitir e absorver conhecimento”. Para ela, o maior desafio foi, como estudante, falar para pessoas formadas há tempo. Mas garante que valeu a pena: “Ouvir deles que acrescentamos alguma coisa é muito gratificante”.
Publicado em dezembro de 2016, o edital da Gerência de Ensino e Pesquisa do HC-UFTM financiou nove pesquisas com interface na assistência, disponibilizando duas bolsas mensais de R$ 400 por projeto - recurso financeiro oriundo do Sistema Único de Saúde.