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Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh cria a quarentena dos recicláveis
“O nosso lixo é o luxo de muitas famílias”, afirma a chefe da Unidade de Resíduos do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, Elci de Souza Santos. Antes da pandemia do coronavírus, o projeto Coleta Seletiva Solidária, desenvolvido pelo Hospital das Clínicas da UFMG há 13 anos, disponibilizava cerca de sete toneladas de resíduos recicláveis mensais para cooperativas selecionadas por meio de edital público de habilitação. Por causa da crise sanitária, as coletas seletivas foram suspensas pela Prefeitura de Belo Horizonte com vistas à proteção da saúde pública e ao cuidado com as pessoas que trabalham no recolhimento de resíduos.
Resíduos que antes eram reciclados passaram a ser desprezados como resíduos de serviços de saúde do grupo D (comum). Para garantir a sobrevivência mínima dos cooperados que estão passando por dificuldades com a redução dos recicláveis, o Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh criou um projeto inovador: a quarentena dos recicláveis. Os resíduos com possibilidade de reciclagem são levados em contenedores específicos para o abrigo de recicláveis do HC, onde são enfardados e armazenados durante 10 dias. “Fizemos uma pesquisa e descobrimos que o vírus sobrevive, em média, de 7 a 9 dias em superfícies. É o que diz também o protocolo sanitário da Prefeitura de BH. A ideia do projeto é deixar os recicláveis em quarentena por 10 dias para liberá-los com segurança para os cooperados”, explica Elci.
Desde a adoção da quarentena dos recicláveis, em setembro de 2020, cerca de 43 toneladas de resíduos recicláveis já foram disponibilizados com toda segurança para as cooperativas. “A pandemia tem exigido gestão estratégica para se alocar e administrar os recursos. É de responsabilidade de quem produz os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) planejar, implementar, estabelecer e monitorar, por meio de ações gerenciais respaldadas por rigorosos critérios científicos e aspectos juridicamente legais, toda a cadeia de produção e, com isso, evitar danos à saúde pública, bem como ao meio ambiente”, completou.
Mudança
Um dos principais problemas ambientais é o descarte inadequado do lixo, por isso a importância de campanhas de incentivo à coleta seletiva e à reciclagem. Neste cenário de pandemia, isso se torna ainda mais preocupante devido ao grande volume de RSS decorrentes da assistência ao paciente com suspeita ou confirmação de COVID 19 e à alta transmissibilidade do novo coronavírus. No HC-UFMG, um Plano de Contingência foi criado para resíduos contaminados com o novo coronavírus com orientações específicas sobre segregação, acondicionamento, coleta e armazenamento para tornar ainda mais seguro o gerenciamento do lixo hospitalar.
Você sabe o que pode ser reciclado?
“Quando eu descarto corretamente os resíduos, eu estou colaborando para reduzir o impacto ambiental, diminuindo o consumo de matéria prima escassa, ajudando a colocar alimento na mesa de muitas famílias que não têm outra forma de sobrevivência e preservando a saúde do planeta”, afirmou a chefe da Unidade de Resíduos do HC-UFMG, Elci de Souza.
A instituição mantém uma campanha contínua de incentivo à reciclagem com a disponibilização de informações e recipientes específicos para essa finalidade. Sucatas, vidros, papel, papelão, plásticos, clips e grampos podem ser reciclados, mas é importante ficar atento: não amassar o papel na hora do descarte – eles devem ser rasgados ou picotados; não misturar orgânicos – restos de comida – com recicláveis; separar os resíduos recicláveis e armazená-los adequadamente.
Os benefícios do descarte correto dos resíduos vão desde a redução no custo de coleta, transporte e destinação final desses materiais ao cumprimento das legislações sanitárias e ambientais, garantindo ainda a sobrevivência de muitas famílias que vivem das cooperativas.