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SETEMBRO VERDE
HC-UFMG reúne transplantados, pacientes e famílias em caminhada pela doação de órgãos
Belo Horizonte (MG) – Há dois anos e meio, Warlene Gomes, de 52 anos, recebeu uma notícia que mudaria a sua vida. Quando o telefone tocou e a voz do outro lado da linha informou que havia um coração disponível para a realização do seu transplante, ela não acreditou. “Eu achei que estava sonhando”, disse. Após 16 anos convivendo com as dores, falta de ar e cansaço extremo causados pela miocardiopatia hipertensiva dilatada, condição em que o coração cresce e perde força para bombear o sangue, Warlene entrou na fila por um órgão. Em 59 dias, teve a chance de seguir para a sala de cirurgia e recuperar sua saúde e bem-estar.
Uma das formas que ela encontrou de celebrar foi participando da “Caminhantes: Caminhada pelos Transplantes”, promovida pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado à HU Brasil, no último sábado (19), na Praça Carlos Chagas, popularmente conhecida como Praça da Assembleia, em Belo Horizonte. O evento, que durou de 9h às 12h, reuniu profissionais de saúde, transplantados, familiares, pacientes da fila de espera e comunidade em geral para conscientizar os mineiros sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
Ao abrir o evento, o enfermeiro coordenador da Unidade de Transplantes do HC-UFMG e presidente da comissão organizadora do Caminhantes, José Aparecido Rezende, destacou que aproximadamente 45% das famílias no Brasil recusam a doação. Diante disso, ele lembrou que “por trás de cada número existe uma pessoa, alguém que tem planos, sonhos, família, trabalho, projetos, alguém que espera pela oportunidade de continuar vivendo. Por isso, a mensagem que queremos deixar aqui, hoje, é simples, mas muito importante: conversem com suas famílias sobre a doação de órgãos”.
Já o superintendente do hospital, Alexandre Rodrigues Ferreira, ressaltou o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) nesse processo. “O país tem um sistema público de transplantes, coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes, que organiza a doação, a distribuição dos órgãos e a lista única de espera. É por meio dessa estrutura que pacientes que precisam de um transplante são encaminhados e acompanhados pelo SUS. Neste ano em que o Sistema Único de Saúde completa 36 anos, é importante também lembrar que o transplante faz parte dessa estrutura de atendimento à população”.
A programação incluiu uma caminhada simbólica pela praça em prol da causa, além de depoimentos de profissionais de saúde que atuam na área e pacientes transplantados, distribuição de materiais educativos, atividades como aferição de pressão arterial e glicemia, massagem e apresentações musicais.
A espera por um “sim”
Uma das pessoas que já figura e espera um “sim” de alguma família é Valéria Lima. Aos 20 anos, ela descobriu uma pneumonite por hipersensibilidade crônica, uma doença provocada por inalação repetida e de longo prazo de poeiras orgânicas ou substâncias químicas que causam lesões e inflamação nos pulmões. Com o passar do tempo, sua situação piorou e, em janeiro deste ano, quando já havia completado 44 anos, passou por uma internação e precisou contar com suporte de oxigênio por meio de oxigenoterapia.
Desde então, Valéria espera por um pulmão para poder voltar a viver sem o auxílio do cilindro de oxigênio e desenvolver atividades básicas do dia a dia, como trabalhar e viajar. “Não tem como a gente falar como vai ser, mas a minha expectativa é de que vai dar tudo certo. Depois de todo esse processo, vou prolongar a minha vida e eu vou ter uma perspectiva melhor para mim e para a minha família também”, afirmou.
Exemplo de solidariedade
Geraldo Magela, de 76 anos, e sua família sabem bem como é estar na posição de Valéria. Há 30 anos, ele realizou um transplante de fígado no HC-UFMG após ser diagnosticado com cirrose hepática. Durante um ano, ele realizou consultas e exames semanais no hospital até receber o órgão. Em 2025, uma de suas filhas teve um aneurisma seguido de morte encefálica. Mais do que depressa, ele e os outros membros da família comunicaram o desejo de doar os órgãos.
Segundo Alessandra Castro, filha mais velha de Geraldo, foi possível doar quase todos os órgãos da irmã, com exceção do coração. “A gente já sabia da importância da doação, então quando foi colocado pra nós que ela poderia ser uma doadora, ninguém teve dúvida. Quisemos retribuir o que meu pai recebeu e também fazer uma outra família feliz, tirá-la de todo o sufoco, desespero e angústia que é esperar na fila. Isso foi muito gratificante para nós”, concluiu.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFMG integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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