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PREVENÇÃO
Dia da Gestante: atenção ao pré-natal ajuda a identificar e prevenir riscos da toxoplasmose
Belo Horizonte (MG) – Uma doença comum no Brasil, porém silenciosa, pode representar um risco durante a gestação. Segundo o Instituto Adolfo Lutz, uma em cada três pessoas no país já teve contato com o Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose. O problema é que, na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas e, quando adquirida durante a gravidez, pode ser transmitida ao feto, resultando em aborto espontâneo ou outras complicações. No Dia da Gestante, comemorado em 15 de agosto, especialista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado à Rede HU Brasil, reforça a importância do pré-natal e das medidas de prevenção.
A toxoplasmose é uma enfermidade infectocontagiosa transmitida por meio das fezes de felinos, entre eles os gatos, contaminados pelo Toxoplasma gondii. Ao serem eliminados no ambiente, esses excrementos podem levar o parasita aos alimentos e à água. Por essa razão, o ginecologista e obstetra especialista em medicina fetal do HC-UFMG, Henrique Vitor Leite, a classifica como uma doença higiênico-dietética. “Isso significa que ela é transmitida pela ingestão de carne crua ou malcozida, por frutas e verduras mal-lavadas e água não tratada”, explica.
Prevenção
Diante disso, Henrique destaca que a melhor maneira de prevenir a toxoplasmose é adotar cuidados básicos de higiene, como lavar bem as mãos, principalmente antes das refeições, higienizar frutas e verduras em água corrente e cozinhar bem a carne antes de consumi-la. Ele também alerta para a importância da realização do pré-natal, já que, boa parte das vezes, a enfermidade não dá sinais. Quando eles aparecem, se assemelham aos de uma gripe ou resfriado comuns, sendo as principais queixas: febre baixa, dores de cabeça e no corpo, além de inchaço nos gânglios linfáticos.
“O importante é que esse exame seja feito na primeira consulta de pré-natal e que aquelas mulheres suscetíveis, ou seja, que nunca tiveram a infecção, sejam orientadas sobre como a doença é adquirida, para que possam se prevenir. Depois, o exame deve ser repetido durante a gravidez para identificar o mais precocemente possível uma eventual infecção”, observa.
Possíveis riscos
O ginecologista acrescenta que o momento em que a infecção ocorre durante a gestação influencia tanto a possibilidade de transmissão para o feto quanto a gravidade das possíveis complicações. “Quanto mais precoce a toxoplasmose ocorre na gestação, menor é a incidência de transmissão para o feto, porém, mais grave pode ser o comprometimento. Já quanto mais para o final da gestação, maior é a possibilidade de transmissão, mas, teoricamente, os problemas são menores”, esclarece.
Os possíveis riscos para o bebê incluem restrição do crescimento intrauterino, microcefalia, cegueira decorrente de coriorretinite (processo inflamatório da coroide e da retina), hidrocefalia causada pela dilatação dos ventrículos cerebrais e alterações no fígado e no baço.
Gegismar Aparecida da Costa Carvalho, de 19 anos, foi uma das pacientes do HC-UFMG que recebeu o diagnóstico de toxoplasmose durante a gestação. No sexto mês de gravidez, ao realizar os exames de pré-natal na Unidade Básica de Saúde de Nova Era, ela teve resultado positivo para a doença e foi encaminhada ao hospital da capital mineira para acompanhamento. Dois meses após iniciar o tratamento, Gegismar fez novos exames e recebeu a informação de que não havia mais sinais da infecção. “O coração está até mais aliviado. Agora, vou poder voltar para a minha cidade para ter meu filho”, comemora.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFMG integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Ana Ulhôa
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