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MEDICINA FETAL
Cirurgia para tratamento da síndrome de feto acárdico em gravidez de gêmeos é realizada com sucesso na Maternidade Escola da UFRJ
Rio de Janeiro (RJ) – No dia 2 de outubro, foi realizada com sucesso, na Maternidade Escola da UFRJ (ME-UFRJ), uma cirurgia para tratar um caso de feto acárdico em gestação gemelar. A paciente veio do Espírito Santo para realizar o procedimento na instituição, responsável por todos os casos de alta complexidade fetal dentro do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, gerido pela Ebserh desde 2024.
O que é a síndrome
A síndrome do gêmeo acárdico, também conhecida como sequência de perfusão arterial reversa, ou sequência TRAP (Twin Reversed Arterial Perfusion), é uma condição rara que resulta da comunicação anormal entre as artérias umbilicais. “Numa gestação de placenta única, portanto de gêmeos idênticos, por algum motivo um dos fetos apresenta fluxo reverso no cordão umbilical e não se desenvolve bem. Na verdade, não é um feto viável, pode-se dizer que é uma massa que não tem cabeça nem coração, por isso o nome feto acárdico, explica o chefe da Divisão Médica da ME-UFRJ, Jair Braga, que participou da cirurgia.
Esse feto malformado é sustentado biologicamente pelo coração do feto saudável, chamado de feto-bomba. “Se nada é feito, o feto saudável fica com o coração sobrecarregado, o que pode levar à sua morte. A intervenção cirúrgica visa interromper o fluxo de sangue por meio da cauterização a laser no feto acárdico”, pontua Braga. A cirurgia é monitorada todo tempo pelo aparelho de ultrassonografia.
Após o procedimento, o feto saudável passa a se desenvolver normalmente. A cirurgia ocorreu sem intercorrências, e a gestação segue evoluindo bem. Segundo Cristos Pritsivelis, cirurgião que também integrou a equipe, “o acompanhamento será feito por meio de ultrassonografias semanais, para observar a evolução do feto saudável, como também a saúde da mãe como um todo”.
A descoberta do caso
A paciente, de 39 anos, que preferiu não se identificar, descobriu a condição ao realizar o exame de ultrassonografia morfológica no primeiro trimestre. “Eu moro em Vila Velha, no Espírito Santo. A médica identificou que era uma gestação gemelar, mas que um feto estava se desenvolvendo e o outro não. Ela pediu que retornássemos em duas semanas e, quando voltamos, deu o diagnóstico e fez o encaminhamento para um centro de cirurgia fetal”, relembra.
A partir daí, ela procurou a Maternidade Escola da UFRJ para o acompanhamento do caso. Ainda emocionada, fez questão de agradecer por escrito pelo atendimento recebido.
“Gostaria de registrar meu profundo agradecimento a toda a equipe da Maternidade Escola da UFRJ, que contribuíram para o nosso cuidado, em especial ao Dr. Jair e ao Dr. Cristos, que sempre nos atenderam com profissionalismo, carinho e humanidade. Apesar de ser usuária do SUS (como todos os brasileiros somos), não sou uma usuária assídua e me encantou ver um serviço público de qualidade, instrumento de ensino, sendo prestado não apenas com excelência, mas também com muito afeto e cuidado. Nossa família teve muita sorte de encontrar profissionais tão humanos e comprometidos e, por isso, seremos eternamente gratos.”
Sobre a Ebserh
A Maternidade Escola faz parte do Complexo Hospitalar da UFRJ, gerido pela Ebserh desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Claudia Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh