Notícias
ENSINO
A história do nascer no Rio e o papel da Maternidade Escola marcam aula inaugural de Obstetrícia da UFRJ, ministrada pelo professor Antônio Braga
Rio de Janeiro (RJ) - A história da assistência ao parto no Rio de Janeiro e a importância da formação médica humanizada foram os temas centrais da aula inaugural da disciplina de Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada na Maternidade Escola da instituição. A palestra foi ministrada pelo professor Antônio Rodrigues Braga Neto, médico da instituição, que também é presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e membro titular da Academia Brasileira de História da Medicina.
Com o tema “O Nascer no Rio de Janeiro e a Maternidade Escola da UFRJ”, Braga apresentou um panorama histórico da obstetrícia na cidade e destacou o papel da instituição na formação de gerações de profissionais de saúde. Logo no início da aula, o professor enfatizou o significado humano do trabalho na maternidade. “Aqui é uma instituição onde se nascem amores e vocês irão participar desse momento privilegiado. Então, é preciso muito carinho, muito cuidado”, afirmou aos estudantes.
Ele também incentivou os novos alunos a valorizarem o espaço de aprendizado e a projetarem o futuro da profissão. “Vocês estão em um dos melhores espaços de formação em saúde do país. Peço que sonhem, pois é a partir do sonho que as coisas mudam e se tornam realidade.”
A maternidade como símbolo da República
Braga explicou que a criação de uma maternidade pública e voltada ao ensino esteve ligada às transformações políticas do país após a proclamação da República. Segundo ele, havia a necessidade de retirar o ensino obstétrico da Santa Casa e criar um espaço moderno, alinhado às novas ideias científicas e republicanas. O projeto foi confiado a médicos como Antônio Rodrigues Lima, Erico Coelho e Honório Vieira Souto, responsáveis por estruturar a nova instituição.
Além do financiamento público, a maternidade também recebeu apoio da sociedade civil. De acordo com Braga, mulheres da elite carioca contribuíram para o projeto por acreditarem na importância de oferecer um local digno para o nascimento na cidade. A organização oficial da maternidade foi estabelecida em decreto de 18 de janeiro de 1904, definindo sua função de assistência às gestantes, atendimento a crianças e formação médica.
O legado de Fernando de Magalhães
Entre os personagens históricos da obstetrícia brasileira, Braga destacou a figura do médico Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães, considerado um dos grandes inovadores da área no país. Magalhães introduziu bases para a cesariana moderna no Brasil, oferecendo uma alternativa segura para situações em que mães e bebês corriam risco durante o parto.
Segundo Braga, o obstetra defendia a simplificação da prática médica. “A complexidade é o erro. O futuro do parto no Brasil está resolvido: ou ele é fácil e transpélvico, ou ele é difícil e abdominal”, citou o professor ao explicar o pensamento do médico.
Evolução das práticas de parto
A palestra também abordou as profundas mudanças nas condições de higiene e segurança do parto ao longo do tempo. Braga lembrou que, no passado, os procedimentos eram realizados sem luvas e em ambientes sem esterilização adequada, o que aumentava significativamente os riscos de infecção e mortalidade materna e neonatal. Com o avanço da medicina e da organização hospitalar, essas práticas foram substituídas por protocolos de assepsia e técnicas cirúrgicas modernas, transformando a obstetrícia em uma área muito mais segura.
Sobre a Ebserh
A Maternidade Escola faz parte do Complexo Hospitalar da UFRJ, gerido pela Ebserh desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Claudia Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh