Notícias
INOVAÇÃO EM SAÚDE
HUGV-Ufam participa de maratona global de inovação com proposta para uso de IA na área de saúde
Equipe multidisciplinar mostrou soluções para o SUS baseadas no uso da inteligência artificial
MANAUS (AM) - Uma equipe do Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), vinculado à rede HU Brasil, participou de uma maratona global de inovação, na qual especialistas de várias partes do mundo apresentam soluções para problemas reais. Os participantes apresentam as suas experiências, ao mesmo tempo em que conhecem os trabalhos desenvolvidos em outros centros. Trata-se da 7ª edição da HSIL Hackathon 2026, que neste ano teve como tema “Construindo sistemas de saúde de alto valor: aproveitando a IA”.
A HSIL Hackathon 2026, que é organizada pelo Health Systems Innovation Lab (HSIL) da Universidade de Harvard, foi realizada nos dias 10 e 11 deste mês. O evento acontece simultaneamente em vários países e durante a maratona os participantes apresentam soluções desenvolvidas em suas áreas. No Brasil, a jornada ocorre de forma presencial em diferentes polos regionais, com destaque para a parceria com o Ministério da Saúde para desenvolver soluções focadas no aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A equipe do HUGV participou do evento no hub Brasília (DF), na sede da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AGSUS), com foco em soluções para desafios do SUS, segundo explicou o biomédico Alan de Oliveira Rezende, chefe do Setor de Gestão da Qualidade do HUGV, que integrou a maratona com uma equipe multidisciplinar, reunindo profissionais de diferentes áreas estratégicas.
Também fazem parte da equipe a farmacêutica e chefe da Unidade de Gestão da Pesquisa do hospital, Bruna Monteiro Rodrigues; a pediatra Camila Maria Paiva Franca Telles, chefe do Setor de Gestão do Ensino do HUGV; a enfermeira sanitarista Lucimara de Assis Leoncio, atuante em Núcleo de Vigilância Hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a analista de sistemas Quezia Oliveira Silva.
“A equipe do HUGV foi composta, desde a inscrição, por um grupo ampliado e multidisciplinar. Além dos participantes presentes no hub de Brasília, também integraram a equipe o superintendente do HUGV, Plínio José Cavalcante Monteiro, e o chefe da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde, Daniel Vieira Pinto, que contribuíram na construção inicial da proposta e no alinhamento institucional, ainda que não tenham participado presencialmente do evento”, acrescentou Alan Rezende.
Equipe apresentou proposta baseada no uso de IA
Ele explicou que a equipe desenvolveu uma proposta baseada no uso de inteligência artificial como camada integrada aos sistemas já existentes, com foco em transformar dados clínicos já disponíveis em apoio à decisão no momento do atendimento. “Na prática, a solução propõe organizar o fluxo assistencial, qualificar o encaminhamento para a atenção especializada, apoiar a priorização de risco e integrar informações ao longo da jornada do paciente, incluindo o uso estratégico da telessaúde para otimizar filas e reduzir tempos de espera — aspectos diretamente relacionados aos desafios estruturais do SUS”, disse Rezende.
“Os dados existem, mas ainda não são utilizados de forma integrada para apoiar decisões no momento do cuidado. Ao propor uma solução que não substitui sistemas, mas potencializa o uso do que já está implantado, o HUGV contribui com uma abordagem viável, escalável e aderente à realidade do SUS, inclusive em contextos com diferentes níveis de maturidade tecnológica. Isso fortalece o debate ao aproximar a inovação da prática, com foco em impacto real na assistência, na eficiência do sistema e na experiência do paciente”, acrescentou Bruna Monteiro.
Gestor fala da importância para instituição
O superintendente do HUGV, Plínio Monteiro,. explicou que o hospital participou da maratona por reconhecer que desafios estruturais do SUS, especialmente a fragmentação do cuidado e o uso ainda pouco estratégico dos dados assistenciais, exigem soluções inovadoras, colaborativas e aplicáveis. “O evento proporciona exatamente esse ambiente, conectando profissionais de diferentes áreas para desenvolver respostas concretas aos problemas reais do sistema de saúde”, afirmou.
“A importância deste evento está na capacidade de transformar conhecimento técnico e experiência prática em soluções desenvolvidas em curto prazo, com potencial de escala, aplicabilidade e impacto direto na melhoria dos sistemas de saúde”, afirmou. Segundo ele, O HUGV contribuiu trazendo a experiência prática do SUS, especialmente na gestão da qualidade e segurança do paciente, com foco em problemas reais relacionados à fragmentação do cuidado entre a atenção primária e a atenção especializada.
Ele acrescentou que os ganhos com a participação neste programa são diretos e aplicáveis ao contexto institucional. “A proposta permite estruturar um modelo passível de teste no próprio hospital e na rede, com potencial de melhorar a tomada de decisão clínica, reduzir encaminhamentos inadequados e otimizar o uso da atenção especializada”, afirmou.
Outro ganho direto para a instituição é o próprio fortalecimento da capacidade de usar dados assistenciais de forma estratégica, avançando do registro para a gestão ativa do cuidado e se posicionar como ambiente de inovação aplicada. “Tudo isso com potencial de replicação para outros hospitais da rede HU Brasil e para o Sistema Único de Saúde”, disse Plínio Cavalcante, que aponta, ainda a contribuição do HUGV ao trazer o problema na sua forma concreta.
Para ele, a participação no Hackathon também abre possibilidade de continuidade da proposta em programas internacionais de incubação, com mentorias e desenvolvimento estruturado, ampliando o potencial de transformar a ideia em solução aplicável ao sistema de saúde. “Além disso, a experiência fortalece a cultura de inovação no HUGV, criando base concreta para o desenvolvimento de iniciativas semelhantes na instituição, com potencial pioneiro na rede HU Brasil”, afirmou.
Sobre a HU Brasil
O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Sinval Paulino
Coordenadoria de Comunicação Social