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HUMANIZAÇÃO
No Dia Nacional de Atenção à Disfagia, fonoaudióloga do HDT-UFNT chama a atenção para tratamento adequado dos sintomas
Em 20 de março, celebra-se o Dia Nacional de Atenção à Disfagia, iniciativa que busca conscientizar sobre a dificuldade de engolir alimentos, líquidos ou saliva. A disfagia não é considerada uma doença em si, mas um sintoma associado a outras condições que, se não for tratado, pode evoluir para complicações como desnutrição, desidratação e problemas pulmonares.
De acordo com a fonoaudióloga Ianne Melo, responsável técnica do Serviço de Fonoaudiologia do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a disfagia é um distúrbio muitas vezes silencioso, mas que pode trazer riscos graves à saúde. O quadro é mais comum em idosos e em pacientes com doenças neurológicas, câncer de cabeça e pescoço ou que passaram por internações prolongadas.
Riscos como desnutrição e desidratação podem comprometer a recuperação do paciente. Já a pneumonia broncoaspirativa é uma infecção pulmonar grave, com alto risco de mortalidade, que pode evoluir para sepse, exigindo tratamento com antibióticos, suporte ventilatório e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Por isso, a fonoaudióloga ressalta que sinais de alerta devem ser observados para evitar o agravamento do problema. “Tosse e engasgo durante ou logo após as refeições, pigarro constante, sensação de alimento parado ou ‘entalo’ e desconforto respiratório ao comer já requerem atenção. A avaliação fonoaudiológica tem como objetivo identificar e tratar a disfagia para evitar agravos à saúde, como asfixia, desnutrição, desidratação e complicações pulmonares por broncoaspiração”, explica Ianne.
Para a especialista, a intervenção de uma equipe multiprofissional é fundamental para a identificação precoce dos sinais e sintomas da disfagia. “No HDT-UFNT são realizadas visitas à beira do leito, com instrumentos de triagem que auxiliam nesse processo. O acompanhamento com a equipe médica é essencial, pois a disfagia pode estar associada a outras patologias de origem neurológica, pulmonar ou cardiovascular, entre outras. Já o acompanhamento nutricional torna-se indispensável devido às adaptações alimentares necessárias para evitar tosse e/ou engasgos”, afirma.
Monitoramento
Além disso, Ianne enfatiza que é imprescindível realizar o monitoramento dos pacientes que apresentam risco nutricional. Segundo ela, a equipe de enfermagem auxilia na identificação de pessoas com critérios de risco para disfagia, acompanha as refeições e orienta sobre os cuidados durante a alimentação. “O fonoaudiólogo atua na prevenção por meio de orientações, realiza a avaliação da deglutição para verificar a segurança da alimentação e conduz a reabilitação dos pacientes hospitalizados”, complementa.
A profissional orienta ainda alguns cuidados essenciais para preservar a saúde do paciente, como observar se ele está acordado no momento da alimentação, mantê-lo sentado e, quando já estiver em casa, preferencialmente à mesa, com os pés apoiados no chão. “Em casos específicos, quando há restrição de mobilidade, pode ser ajustado o ângulo de elevação da cabeceira do leito, no ambiente hospitalar, ou adaptar um encosto ou colar cervical para uso hospitalar e domiciliar”, ressalta.
Outra observação feita pela fonoaudióloga diz respeito aos utensílios, como pratos, talheres e copos, que devem ser utilizados conforme a faixa etária do paciente. “Também devemos estar atentos aos pacientes que utilizam próteses dentárias móveis, conhecidas como ‘dentadura’, para verificar se estão bem fixadas. De preferência, não devem ser ingeridos líquidos durante as refeições, e não se deve permitir que o paciente se deite imediatamente após comer”, orienta.
Ela acrescenta que é importante observar sinais como tosse ou engasgos durante as refeições, perda de peso, pneumonias frequentes, recusa alimentar e episódios de náuseas e vômitos, principalmente quando associados à alimentação. “Essas situações podem levar à broncoaspiração”, alerta.
Atenção
O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o cuidado multiprofissional para prevenir complicações são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “A disfagia pode acometer qualquer faixa etária, desde prematuros até idosos. Por isso, diante de qualquer dificuldade alimentar, é necessário procurar atendimento fonoaudiológico. O Dia Nacional de Atenção à Disfagia tem justamente o objetivo de alertar e orientar a comunidade em geral sobre o distúrbio da deglutição, já que muitas pessoas ainda não reconhecem a dificuldade de engolir como um problema de saúde que precisa de intervenção”, conclui Ianne Melo.
Sobre a Ebserh
O Hospital de Doenças Tropicais (HDT) faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreza Azevedo, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh