Notícias
CUIDADO NAS ÁGUAS
Médico do HDT-UFNT alerta para aumento de acidentes com arraias durante período de estiagem
Especialista orienta sobre prevenção, primeiros socorros e a importância de buscar atendimento médico imediato
Publicado em
26/06/2026 10h55
Atualizado em
26/06/2026 11h01
Araguaína (TO) - Entre os meses de junho e setembro, período de estiagem, aumentam os riscos de acidentes com arraias de água doce em Araguaína (TO) e região. O problema ocorre quando banhistas pisam nesses animais em áreas rasas de rios e lagos. Nesses casos, o ferrão localizado na cauda da arraia libera veneno, provocando dor intensa, sangramento e risco de infecções graves e até de necrose.
Todos os anos, o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil) atende pacientes vítimas desse tipo de acidente, como relata o médico residente da Clínica Médica da unidade, Ítalo Salera. “O ataque acontece quando o banhista pisa sobre as costas da arraia. Ela dá uma espécie de ‘chicotada’ com a cauda, onde está localizado o ferrão, provocando o ferimento”, explica.
Por isso, antes de entrar na água, a recomendação é observar se ela está muito lamacenta. “Se estiver, o ideal é evitar. Caso aconteça o acidente, é preciso retirar a pessoa da água imediatamente e lavar bem o local do ferimento com água e sabão, porque isso ajuda a remover resíduos presentes no ferrão, onde podem estar bactérias causadoras de infecção”, orienta o médico.
Primeiros socorros
Ítalo Salera destaca que a ferroada de arraia provoca dor intensa. “Além da lavagem, é indicado colocar água morna no local. Jamais se deve utilizar torniquete ou aplicar substâncias como fumo, café ou açúcar, porque isso pode agravar o quadro. O mais importante é procurar atendimento médico o mais rápido possível”, ressalta.
Para o banhista, geralmente não é difícil identificar o acidente, já que o veneno provoca uma dor imediata e intensa no local da ferroada. Com formato semelhante ao de um arpão, o ferrão pode causar cortes profundos. Além disso, o ambiente aquático e o próprio veneno favorecem a proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções e lesões nos tecidos quando não há tratamento adequado.
“O local atingido pode ficar vermelho, apresentar sangramento e evoluir para uma infecção. Bactérias são levadas para o interior do tecido lesionado pelo ferrão e, à medida que a infecção progride, podem surgir febre, inchaço, vermelhidão e dor persistente”, detalha.
Cuidados necessários
Ao entrar na água, é importante manter os pés sempre deslizando sobre a areia. Esse movimento ajuda a espantar a arraia antes que o banhista pise diretamente sobre ela. Também é recomendável evitar áreas com águas turvas, presença de lodo ou vegetação que reduzam a visibilidade.
“Não há alternativa: o banhista vítima desse tipo de acidente deve procurar atendimento médico. No hospital, conseguimos fazer a limpeza adequada da ferida, verificar a presença de fragmentos do ferrão, realizar procedimentos para controle da dor e avaliar o risco de infecção. Além disso, pacientes que sofrem esse tipo de acidente precisam verificar a necessidade de atualização da vacinação contra o tétano”, finaliza o profissional.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.
Por Andreza Azevedo, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil