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ATUAÇÃO MULTICÊNTRICA
Projetos do CHU-UFPA aprovados na Rede HU+ somam quase R$ 4 milhões em investimentos
Belém (PA) –Três projetos do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) foram aprovados no programa Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais (Rede HU+). Com o resultado, a instituição figura entre apenas quatro hospitais da Rede com três projetos selecionados no edital. Juntas, as iniciativas somam quase R$ 4 milhões em investimentos destinados ao financiamento de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além do custeio de atividades de pesquisa, extensão e desenvolvimento tecnológico. O CHU-UFPA é administrado pela Rede HU Brasil.
Ao todo, o edital da Rede HU+ recebeu 180 propostas distribuídas entre os eixos temáticos saúde digital, oncologia, saúde de populações em situação de vulnerabilidade, saúde da mulher, saúde indígena, doenças negligenciadas e doenças raras. Destas, apenas 52 foram selecionadas para desenvolver estudos em Gestão Hospitalar em rede. Entre elas estão três projetos coordenados por pesquisadores vinculados ao CHU-UFPA, formado pelos hospitais universitários João de Barros Barreto (HUJBB) e Bettina Ferro de Souza (HUBFS).
Saúde digital e inteligência artificial aplicada à reabilitação pulmonar
Entre os projetos está “Rede AIRP: Plataforma Inteligente Multicêntrica para Triagem, Encaminhamento e Monitoramento da Reabilitação Pulmonar em Doenças Respiratórias Crônicas”, coordenado pelo professor e fisioterapeuta Saul Rassy Carneiro. Contemplado com R$ 1.269.600 em recurso da rede HU+, o projeto tem como objetivo desenvolver uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de identificar pacientes que necessitam de reabilitação pulmonar e apoiar o encaminhamento para acompanhamento especializado.
A plataforma utilizará informações registradas no Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHUx), como histórico clínico, exames de imagem, local de residência e outros dados assistenciais, para criar modelos de estratificação. A partir dessas informações, o sistema poderá indicar quais pacientes apresentam perfil para serem encaminhados aos serviços de reabilitação pulmonar.
Segundo Saul Rassy, a proposta busca enfrentar um problema observado não apenas no CHU-UFPA, mas também em outros serviços de reabilitação pulmonar.
“Existe um verdadeiro nó no encaminhamento de pacientes que realmente necessitam da reabilitação pulmonar. Muitas vezes, eles têm problemas pulmonares crônicos, mas não são encaminhados para os serviços”, explica.
De acordo com o professor, a expectativa é que a ferramenta contribua para ampliar o número de pacientes encaminhados para acompanhamento especializado e fortaleça as pesquisas relacionadas à reabilitação pulmonar.
“Com um fluxo maior de pacientes encaminhados para a reabilitação pulmonar, teremos uma amostra maior de pessoas para desenvolver pesquisas relacionadas aos benefícios da reabilitação pulmonar, na qualidade de vida, na funcionalidade desses pacientes e na diminuição das reinternações”, destaca.
O projeto será desenvolvido em parceria com hospitais universitários da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade Federal do Amapá (Unifap), além de envolver diferentes programas de pós-graduação. A coordenação do projeto está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da UFPA.
Rastreamento precoce do risco cognitivo e funcional em adultos e idosos
Outro projeto selecionado na Rede HU+ foi “Síndrome do Risco Cognitivo-Motor em Pessoas Adultas e Idosas: Rastreamento, Efetividade e Implementação no SUS”, coordenado pela professora Natáli Valim Oliver Bento-Torres, do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da UFPA. O estudo receberá investimento de R$ 1.269.600, sendo R$ 180 mil destinados ao custeio das atividades de pesquisa e o restante voltado ao financiamento de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A pesquisa busca identificar precocemente pessoas com Síndrome do Risco Cognitivo-Motor, condição caracterizada pela associação entre queixa cognitiva subjetiva e diminuição da velocidade da marcha em pessoas sem diagnóstico de demência.
De acordo com a coodenadora, o principal objetivo é implementar e avaliar um modelo de rastreamento, acompanhamento e intervenção para pessoas adultas e idosas com risco cognitivo-motor, especialmente pacientes com condições frequentes no SUS, como diabetes mellitus tipo 2.
“Muitas vezes, alterações iniciais de cognição e mobilidade só chegam aos serviços especializados quando já existe perda importante de funcionalidade ou suspeita avançada de demência”, explica.
A pesquisadora ressalta que o subdiagnóstico das demências na Região Norte é elevado, com estimativas entre 95,6% e 97,5%, o que reforça a necessidade de estratégias de identificação precoce e organização do cuidado.
A pesquisa será desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de reunir diferentes programas de pós-graduação da UFPA e profissionais das áreas de fisioterapia, neurologia e geriatria do HUJBB.
O projeto ainda prevê ações integradas. Inicialmente, serão organizados os fluxos internos, a capacitação das equipes e a padronização dos instrumentos de rastreamento. Em seguida, serão realizadas ações de rastreamento de pessoas adultas e idosas atendidas no hospital e em pontos articulados da rede de atenção primária. Pacientes identificados com risco cognitivo-motor passarão por acompanhamento longitudinal e poderão participar de intervenções com exercício físico, estimulação cognitiva e educação em saúde.
Rede Norte busca fortalecer diagnóstico e assistência em doenças raras
Também contemplado no edital da Rede HU+ o projeto “Rede Norte de Pesquisa, Extensão e Gestão em Doenças Raras: Formação Profissional, Fluxo Assistencial e Vigilância Epidemiológica Aplicada aos Hospitais Universitários vinculados à HU Brasil”, conhecido como RENODORA (Rede Norte de Doenças Raras). Coordenado pelo professor titular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, Luiz Santana da Silva, o projeto receberá investimento de R$ 1.269.600, sendo R$ 180 mil destinados ao custeio das atividades de pesquisa e R$ 1.089.600 voltados ao financiamento de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A pesquisa será desenvolvida em parceria com hospitais universitários da Região Norte vinculados à HU Brasil nos estados do Pará, Amazonas, Amapá e Roraima, com previsão de execução entre junho de 2026 e maio de 2031. O estudo pretende fortalecer o diagnóstico, a assistência, a formação profissional e a vigilância epidemiológica em doenças raras na Amazônia, considerada uma das regiões com maiores desafios de acesso a serviços especializados no país.
Segundo o pesquisador, a aprovação representa um reconhecimento da relevância científica, assistencial e social da proposta, além de reforçar o papel do CHU-UFPA como referência regional no atendimento de pessoas com doenças raras.
“O HUBFS é o único hospital de referência para diagnóstico e tratamento de doenças raras no norte do Brasil. Ainda enfrentamos importantes desafios relacionados à subnotificação, à falta de informação e à carência de profissionais especializados”, destaca Luiz Santana.
O professor explica que o estudo busca ampliar o chamado “letramento em doenças raras”, promovendo ações de educação e conscientização voltadas a gestores, profissionais de saúde, estudantes, pacientes e familiares.
A ação prevê atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da produção de conteúdo educativos em mídias digitais, realização de cursos, eventos presenciais e virtuais e implantação de fluxos assistenciais voltados ao atendimento de pessoas com suspeita de doenças raras.
Entre os objetivos estão a capacitação de profissionais para diagnóstico e manejo clínico, implantação de sistemas de vigilância epidemiológica, fortalecimento da rede de referência em genética médica e ampliação da oferta de exames bioquímicos, moleculares e citogenéticos realizados pelo Laboratório de Erros Inatos do Metabolismo da UFPA e instituições parceiras.
“O projeto também pretende reduzir a chamada odisseia diagnóstica enfrentada por muitos pacientes com doenças raras, oferecendo suporte para diagnóstico, tratamento e aconselhamento genético”, afirma Luiz Santana.
O que é a Rede HU+?
A Rede HU+ é uma medida da HU Brasil, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde. O programa tem como objetivo fomentar projetos de pesquisa e extensão voltados ao fortalecimento da gestão hospitalar e do SUS, incentivando a formação de redes colaborativas e a qualificação de recursos humanos por meio da concessão de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. A previsão é investir R$ 75 milhões nas propostas selecionadas ao longo de cinco anos.
Sobre a HU Brasil
O CHU-UFPA faz parte da HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por: Elenita Araújo
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil