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SAÚDE
Pacientes em reabilitação do HUJBB participam de passeio cultural em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco
Cerca de 50 pessoas, entre pacientes, residentes e estudantes, participaram do passeio cultural promovido pelo LACOR. Fotos: Elenita Araújo
Belém (PA) – Cerca de 50 pessoas, entre pacientes, residentes e estudantes, participaram de um passeio cultural promovido pelo Laboratório de Avaliação e Reabilitação das Disfunções Cardiovasculares, Oncológicas e Respiratórias (LACOR) do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA/HU Brasil). A atividade, realizada no Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), integrou a programação alusiva ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
A ação faz parte das atividades desenvolvidas há mais de dez anos pelo LACOR, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da UFPA. O laboratório conta com a atuação dos professores Saul Rassy Carneiro Laura Tomazi. O projeto tem como objetivo promover a integração entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), profissionais, residentes e estudantes, além de estimular reflexões sobre os prejuízos causados pelo tabagismo e a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis.
De acordo com a professora Laura Tomazi, da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFPA e integrante do LACOR, o projeto de reabilitação pulmonar busca promover não apenas a recuperação física dos pacientes, mas também sua reinserção na sociedade. "As pessoas com doenças respiratórias crônicas costumam enfrentar limitações que vão além dos sintomas físicos. Muitas vezes elas deixam de participar de eventos culturais, atividades educativas e momentos de convivência social. Por isso, procuramos desenvolver ações que contribuam para a reabilitação de forma integral", explica.
Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer diferentes espaços expositivos do CCBA. Entre os destaques estiveram a mostra das 143 bandeiras dos municípios paraenses, de autoria do artista paraense Emmanuel Nassar, a exposição "Brasil em Chamas" e o ateliê "Gambiarras Educativas", ambiente interativo inspirado nas obras do artista e voltado ao estímulo da criatividade e da imaginação.

Saúde, cultura e aprendizado
Entre os participantes estava o aposentado Teodoro Barbosa, de 81 anos. Integrante do programa de reabilitação pulmonar, ele acompanha as atividades promovidas pela equipe há vários anos e conta que, nesse período, perdeu apenas um dos passeios. “Eu participo sempre. Desde que comecei o tratamento, só deixei de vir uma vez", relata.
Seu Teodoro destaca ainda que as atividades do programa contribuem não apenas para a saúde física, mas também para o bem-estar emocional. "Melhora no espírito, melhora na saúde. Eu me sinto muito bem fazendo a fisioterapia. Quando passo alguns dias sem ir, já sinto diferença", afirma.
Para Irene Rodrigues de Assis, de 53 anos, paciente em tratamento de câncer de mama e participante do programa de fisioterapia do hospital desde dezembro do ano passado, a visita ao Centro Cultural Bienal das Amazônias foi uma oportunidade de conhecer novos lugares e conhecer outras pessoas. "Foi a primeira vez que participei e gostei muito. Achei animado e divertido. A gente conversa, tira foto, conhece pessoas e distrai a cabeça", conta.
Segundo Irene, atividades como essa ajudam a quebrar a rotina do tratamento. "A gente passa muito tempo entre consultas, exames e dentro de casa. Participar de um passeio assim ajuda a sair um pouco dessa rotina", destaca.
Ela também incentiva outros pacientes a participarem das próximas edições. "Eu não sabia como seria, mas gostei bastante. Toda vez que tiver um evento, quero participar de novo", diz.
A atividade também traz aprendizado aos residentes que acompanham os pacientes nos programas de reabilitação. Para a fisioterapeuta Josiane Ferreira, residente do Programa de Residência em Oncologia, ações realizadas fora do ambiente hospitalar contribuem para uma formação mais humanizada dos profissionais de saúde.
"É uma forma de trabalhar com o paciente para além da condição de saúde dele. Quando participamos dessas atividades, conseguimos mostrar outras possibilidades de convivência, cultura e bem-estar, o que torna a experiência muito enriquecedora tanto para os pacientes quanto para nós, profissionais em formação", destaca.
Segundo Josiane, o contato com espaços culturais também amplia a compreensão sobre a realidade dos usuários atendidos pelo SUS. "A arte agrega conhecimento e nos aproxima dos pacientes de uma outra maneira. Como atendemos pessoas de diversos municípios e contextos, conhecer aspectos da nossa cultura também contribui para a prática profissional e para um cuidado mais humanizado", afirma.

Campanha
Para Laura Tomazi, o passeio também tem relação direta com a conscientização sobre os riscos do tabagismo. "Realizamos essa atividade em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco. É uma forma de reforçar a escolha diária que esses pacientes fizeram ao abandonar o cigarro e mostrar como viver em ambientes livres de tabaco pode transformar suas vidas e sua saúde", destaca.
Neste ano, a campanha do Dia Mundial sem Tabaco, promovida pela Organização Mundial da Saúde, traz o tema "Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco". A iniciativa busca alertar a população sobre as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco e da nicotina para tornar seus produtos mais atrativos, especialmente para crianças e adolescentes.
Segundo a OMS, empresas do setor têm investido em novos formatos de produtos, embalagens atrativas, sabores e estratégias de marketing que contribuem para a iniciação e manutenção da dependência de nicotina. A campanha de 2026 também reforça a importância de medidas de prevenção, ambientes livres de fumaça, apoio à cessação do tabagismo e conscientização sobre os riscos associados ao consumo de produtos derivados do tabaco e da nicotina
A professora ressalta ainda que experiências fora do ambiente hospitalar contribuem para ampliar a participação social dos pacientes e fortalecer o processo de reabilitação, "Queremos que eles possam acessar espaços culturais, participar de atividades educativas e perceber que o cuidado com a saúde também envolve qualidade de vida, inclusão e bem-estar", conclui.

Sobre a HU Brasil
O CHU-UFPA faz parte da HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por: Elenita Araújo
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil