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OTITE EXTERNA
Banhos de rio, praia e piscina: saiba como evitar o “ouvido de nadador”
Belém (PA) - Praias, rios, igarapés e balneários são destinos frequentes dos paraenses, especialmente nos períodos de temperaturas mais altas, como agora. A exposição prolongada à água, porém, pode favorecer a otite externa, popularmente conhecida como “ouvido de nadador”, uma inflamação ou infecção que atinge principalmente a pele do canal auditivo externo que pode começar com sintomas discretos, como coceira, incômodo e sensação de ouvido abafado.
O otorrinolaringologista Diego Farias, do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à HU Brasil, explica que a exposição frequente à água pode retirar o cerume, que funciona como uma proteção natural do ouvido, além de alterar o pH do canal auditivo e favorecer a proliferação de micro-organismos.
Apesar do nome popular, o problema não é exclusivo de quem pratica natação ou outros esportes aquáticos, como canoagem. “Pode atingir qualquer pessoa em qualquer ambiente em que haja exposição à água, seja rio, igarapé, balneário, piscina ou praia”, explica o especialista.
De acordo com o médico, quando a água permanece por muito tempo no local, a umidade também pode provocar a maceração da pele, quando ela amolece, incha e fica mais esbranquiçada, além do surgimento de pequenas fissuras, criando condições favoráveis à proliferação de bactérias.
Exposição frequente aumenta o risco
De acordo com Diego Farias, é comum observar maior ocorrência da otite externa no calor, quando aumenta a procura por rios, praias e balneários como opções de lazer e para se refrescar. “É bem comum que, nos meses de férias ou nos meses mais quentes e úmidos, a otite externa aumente a incidência, tanto no Pará quanto em outras regiões de clima tropical, devido à essa procura por locais de banho e maior exposição prolongada à água”, afirma.
A qualidade da água também merece atenção. O especialista explica que ambientes com maior presença de micro-organismos podem aumentar a possibilidade de infecções. Por isso, a recomendação é evitar locais impróprios para banho e observar as orientações sobre as condições da água nos locais.
Primeiros sinais
Segundo Diego Farias, os sintomas iniciais envolvem coceira leve, sensação de ouvido entupido ou abafado e um incômodo no canal auditivo. “Ao perceber que entrou água no ouvido após um banho de rio, praia ou piscina, a orientação é não tentar retirá-la introduzindo objetos. Uma medida simples é inclinar a cabeça para o lado do ouvido afetado e movimentar delicadamente a parte externa da orelha para favorecer a drenagem”, explicou.
Caso a sensação permaneça, o médico explica que é possível utilizar um secador de cabelo, desde que alguns cuidados sejam observados. “Deve ser na temperatura fria, nunca quente, a mais de 30 centímetros do ouvido e fazendo movimentos, para que o vento não fique direcionado continuamente para o canal auditivo”, orienta.
Com a evolução do quadro, podem surgir outros sintomas. Dor, vermelhidão, inchaço ou presença de secreção no ouvido são sinais que merecem atenção. Caso esses sintomas apareçam ou o incômodo persista, a recomendação é procurar atendimento para avaliação e diagnóstico adequados.
Atenção especial às crianças
Nos dias de calor, é comum que as crianças queiram passar longos períodos dentro da água. “Crianças querem virar peixinhos nas férias, mas é importante os pais ou cuidadores terem esse cuidado de não deixar a criança em exposição à água por muito tempo”, pontuou o especialista.
Após sair do banho, os cuidados incluem secar a parte externa do ouvido com uma toalha, inclinar a cabeça para favorecer a drenagem e não introduzir objetos no canal auditivo, como cotonetes.
A avaliação também pode ser importante para crianças com excesso de cerume. Segundo Diego Farias, uma quantidade muito grande de cera pode dificultar a saída da água e favorecer sua permanência dentro do canal auditivo. A retirada, quando necessária, deve ser feita de maneira adequada por um profissional. Caso o incômodo persista ou os sintomas evoluam, a recomendação é procurar avaliação médica.
Sobre a HU Brasil
O CHU-UFPA faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Emiliana Monteiro, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa Regional Nordeste e Norte (UIRNN)
Gerência Executiva de Comunicação Social (GECS) da HU Brasil