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CONSCIENTIZAÇÃO
“Alterações persistentes na voz não devem ser ignoradas”, alerta médica do Hospital Bettina Ferro
Orientações em grupo e distribuição de materiais informativos com sinais de alerta e recomendações de prevenção
Belém (PA) - Rouquidão persistente, cansaço ao falar e pigarro frequente podem indicar alterações na saúde vocal e merecem avaliação especializada. O alerta ganha reforço no Dia Mundial e Nacional da Voz, celebrado nesta quinta-feira, 16 de abril.
Nesta data, o Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Rede HU Brasil, promove uma ação de orientação voltada a pacientes e trabalhadores da instituição. A programação inclui orientações em grupo e distribuição de materiais informativos com sinais de alerta e recomendações de prevenção.
A iniciativa integra a Campanha Nacional da Voz. Em 2026, a mobilização tem como tema “Sua voz merece ser vista para ser ouvida!” e reúne instituições de todo o país em atividades de prevenção e conscientização.
Persistência dos sintomas exige investigação médica
A duração dos sintomas é um dos principais critérios de alerta na avaliação da saúde vocal. Embora muitas alterações estejam associadas a inflamações, refluxo ou ao uso inadequado da voz, também podem estar relacionadas a condições mais complexas, como nódulos nas pregas vocais, pólipos e até câncer de laringe.
“Quando uma alteração na voz persiste por mais de duas semanas, ela deixa de ser algo pontual e precisa ser investigada, pois pode sinalizar a presença de doenças que ocasionam piora da qualidade de vida e de sobrevida das pessoas”, afirma a médica otorrinolaringologista do HUBFS, Gisele Koury.
A especialista acrescenta que a voz é um indicador importante da saúde. “Em alguns casos, ela pode ser o primeiro sinal de doenças que, se diagnosticadas precocemente, têm melhores possibilidades de tratamento. Mais da metade dos cânceres de laringe se iniciam nas pregas vocais e têm como sintoma a rouquidão. Se o câncer for diagnosticado e tratado nos estágios iniciais, a sobrevida pode ser maior que 95%”, explica.
Entre o hábito e o risco
No dia a dia, algumas práticas podem comprometer a saúde vocal. Falar por períodos prolongados sem pausas, elevar o tom de voz para competir com ruídos e ingerir pouca água estão entre os fatores mais frequentes.
O uso de cigarro e bebidas alcoólicas também está associado ao aumento do risco de lesões nas pregas vocais, assim como a automedicação ou o uso de pastilhas e sprays sem orientação. Essas práticas podem aliviar momentaneamente os sintomas, mas acabam mascarando o problema e adiando a busca por avaliação adequada.
“Existe uma tendência de tratar a voz apenas quando há desconforto evidente. O ideal é adotar cuidados contínuos, como manter boa hidratação e alimentação, evitar esforço excessivo e respeitar os limites vocais”, ressalta Gisele Koury.
Entre as orientações, estão ainda fazer pausas ao longo do dia, evitar gritar ou falar em ambientes muito ruidosos e buscar avaliação especializada ao perceber alterações persistentes. Profissionais que dependem diretamente da voz - como professores, atendentes e cantores - estão mais expostos a riscos. No entanto, as medidas preventivas são recomendadas para toda a população.
Campanha da Voz
Realizada em todo o país entre 16 e 20 de abril, a Campanha Nacional da Voz chega à 28ª edição em 2026 e mobiliza instituições de saúde em torno da prevenção, do diagnóstico e do tratamento precoce de doenças da laringe.
A iniciativa é promovida por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Academia Brasileira de Laringologia e Voz. Outros profissionais da saúde que atuam na reabilitação vocal, como os fonoaudiólogos, também se mobilizam nesta campanha.
Referência em otorrinolaringologia na Amazônia, o Hospital Bettina Ferro de Souza participa da mobilização desde 2005, com triagem de pacientes, realização de laringoscopia (procedimento que permite visualizar a laringe e identificar alterações nas pregas vocais) e, quando necessário, encaminhamento para tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento é destinado a usuários da atenção básica, mediante regulação da rede municipal.
Sobre a HU Brasil
O CHU-UFPA faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência