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Ivete Matias Xavier: uma história de amor e acolhimento a novas vidas
Natural de Brejinho, no interior do Rio Grande do Norte, Ivete Matias Xavier carrega na trajetória a delicadeza de quem aprendeu, desde cedo, que cuidar é mais do que um gesto técnico — é um compromisso humano. Médica ginecologista e obstetra, mãe de Priscilla e Márcio, valoriza os encontros com a família e com os amigos e conta que descobriu na Medicina não apenas uma profissão, mas um propósito que atravessa mais de 40 anos dedicados à Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC/UFRN – HU Brasil).
Uma escolha, muitas histórias
Minha escolha pela Medicina nasceu ainda muito cedo, movida pelo desejo de cuidar das pessoas e fazer diferença na vida delas. A Obstetrícia veio como um chamado dentro da própria formação: acompanhar o início da vida, estar presente em um momento tão intenso e transformador para a mulher e sua família, sempre me pareceu algo profundamente significativo. Não foi apenas uma decisão racional, mas uma identificação emocional muito forte com o cuidar.
E ao longo dos meus mais de 40 anos dedicados à maternidade da MEJC, vivi momentos que marcaram não só a minha trajetória como médica, mas também como mulher. Cada nascimento carrega uma emoção única. Já estive diante de situações de alegria imensa, mas também de desafios que exigiram rapidez, firmeza e sensibilidade. Em cada uma delas, aprendi algo. Acompanhar mulheres em momentos de dor, força e superação me ensinou sobre resiliência, empatia e sobre a grandeza que existe no ato de gerar e dar à luz.
São muitas histórias que guardo comigo, mas me emocionam especialmente aquelas em que, apesar das dificuldades, conseguimos um desfecho positivo. Lembro de pacientes que chegaram em condições delicadas e que, com o esforço e o compromisso de toda a equipe, puderam sair com seus bebês nos braços. Esses momentos traduzem, para mim, o verdadeiro significado do cuidado. Não é apenas técnica — é presença, dedicação e compromisso com a vida.
Avanços na assistência e humanização no atendimento
Ao longo dessas quatro décadas, vi a assistência ao parto evoluir de forma significativa. Houve avanços tecnológicos importantes, mas o que mais me marca é a mudança na forma de enxergar a mulher como protagonista do seu parto. Hoje falamos mais em humanização, em respeito às escolhas da paciente, em acolhimento. 
Ainda temos desafios, mas acredito que estamos no caminho de uma assistência cada vez mais completa, segura e sensível.
Mesmo depois de tantos anos, o que me motiva continua sendo a singularidade de cada nascimento. Nenhum momento é igual ao outro. Ainda me emociono ao ouvir o primeiro choro de um bebê, ao ver o olhar de uma mãe ao segurar seu filho pela primeira vez. Essa emoção permanece viva em mim e é o que renova, todos os dias, o sentido do meu trabalho.
Aos profissionais que atuam na assistência em uma maternidade, deixo um aprendizado que carrego comigo: nunca percam a sensibilidade! A técnica é essencial, mas o cuidado verdadeiro envolve empatia, escuta e respeito. Cada mulher tem sua história, seus medos e suas expectativas. Tratar cada paciente com dignidade e humanidade faz toda a diferença. Afinal, estamos lidando com o início de vidas — e isso é, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade e um imenso privilégio.
Relato de Ivete Matias, ginecologista e obstetra da MEJC
Por Aretha Souza Lins,
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil