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DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS
Hospital Dia do HUPAA amplia atendimento e resolutividade na assistência ao paciente com HIV/Aids
O Hospital Dia –Infectologia (HD) é um serviço de referência dentro do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (HUPAA), onde os pacientes encontram resolutividade na assistência desde o momento do acolhimento e incluindo seus familiares, até a estabilidade das graves patologias que os levam a procurar o serviço. O atendimento especializado em várias frentes e o comprometimento dos profissionais das áreas de saúde e administrativa, além do pessoal de apoio à higienização e daqueles que dão suporte em outros serviços do hospital, são responsáveis pelos ótimos indicadores que o HD apresenta.
O Hospital Dia encerra o ano de 2015 com um saldo positivo: aumento do número de profissionais; aumento do número de pacientes em quase 100%; regularidade na distribuição dos medicamentos de última geração; oferta de exames no serviço; redução no número de internamentos por doenças oportunistas para pacientes com aids e, especialmente, aumento da adesão ao tratamento, provocando a indetectabilidade de partículas virais no sangue do usuário com HIV. Segundo informa a médica infectologista Vânia Pires, mais de 70% dos pacientes do HD apresentam carga indetectável e outros 14% estão bem próximos disso. “Comemoramos esses resultados, mas precisamos melhorar. Sempre”, enfatiza a médica.
A proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a epidemia de aids visa atingir um percentual de 90% - para casos diagnosticados, casos em tratamento e taxa de indetectabilidade do vírus. Esta é a meta a ser perseguida pelos serviços de saúde em todos os países e o grande desafio que o HD busca vencer.
Atualmente, o Hospital Dia – Infectologia faz o atendimento em HIV em 586 pacientes, dos quais 135 deram entrada este ano (até o dia 25 de novembro). As ações do serviço são na prevenção – com a profilaxia pós-exposição (PEP) –; na assistência ambulatorial ao paciente com HIV/Aids, hepatites, tuberculose, HTLV e doenças sexualmente transmissíveis; a realização de exames, entre os quais CD4, carga viral e PPD; cuidados de enfermagem; orientação e apoio psicológico; assistência odontológica; consulta farmacêutica e orientações socioassistenciais; controle e distribuição de medicamentos, além de atividades educativas para adesão ao tratamento e prevenção e controle de DSTs e aids, entre outras.
» Você sabia?
Multiprofissional - O HD funciona como SAE (Serviço de Atendimento Especializado) com atendimento ambulatorial - de segunda a sexta-feira, nos dois horários - para usuários com doenças infecciosas, como HIV/Aids, hepatites virais B e C, HTLV e tuberculose. Possui equipe multiprofissional de saúde, composta por três médicos infectologistas, pediatra, ginecologista/obstetra; pneumologista, hepatologistas, odontóloga, psicóloga, farmacêutica, assistente social, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além do pessoal da área administrativa que faz o primeiro acolhimento dos pacientes e mantém a estrutura afinada para que o tratamento não sofra descontinuidade. O serviço busca, agora, a aquisição de um nutricionista para completar a assistência integral ao seu público-alvo.
Casos novos – O HD registra este ano um aumento significativo de casos novos de pacientes com HIV, em relação ao último triênio. Até o mês de novembro, deram entrada no serviço 135 usuários, dos quais 13 gestantes. Setenta por cento desses novos pacientes são de Maceió. Em 2015 foram admitidos no HD 96 pacientes; em 2013 foram 76; em 2012 foram 37. O aumento é fruto de multifatores, como o fechamento do hospital Hélvio Auto para novos pacientes e a interrupção da assistência no PAM Salgadinho.
Óbitos – A taxa de mortalidade dos pacientes atendimentos com HIV/Aids no Hospital Dia permanece baixa, sendo registrados este ano 8 óbitos. O ano passado foram cinco óbitos, segundo informa a médica Vânia Pires e, em ambos os casos, de pacientes que deram entrada no serviço em estado adiantado da doença.
Resolutividade – O HD recebeu do Ministério da Saúde, no ano passado, a classificação de serviço com melhor resolutividade na assistência aos pacientes com HIV/Aids de Alagoas. Foram levados em consideração o alto índice de adesão ao tratamento, a redução em cerca de 70% das internações dos pacientes por doenças oportunistas e, especialmente, o aumento do número de usuários com carga viral indetectável, resultados que refletem a dedicação, responsabilidade e comprometimento dos funcionários do serviço com usuários e seus familiares.
Consulta – Os pacientes do Hospital Dia adquirem os medicamentos na Farmácia Ambulatorial do HUPAA. Além da dispensação dos antirretrovirais, eles têm acesso à consulta farmacêutica, onde recebem esclarecimentos e orientações sobre a prescrição e relatam resultados com o uso das drogas. Segundo a médica Vânia Pires, a atenção farmacêutica tem se mostrado eficiente ferramenta para aumentar a adesão dos pacientes ao tratamento, proporcionar benefícios clínicos e consolidar o vínculo do usuário com o serviço.
Desafios – O paciente do Hospital Dia é classificado na média complexidade. A maioria é assintomática. Atualmente o HD é o único serviço no Estado que recebe o paciente de primeira vez. A média de atendimento de casos novos é de três por dia. Entre as dificuldades que devem ser superadas para melhorar o serviço está a necessidade de mais agilidade nos exames de genotipagem. Segundo especialistas, o exame tem por objetivo analisar as mutações do vírus HIV que impedem a eficiência do tratamento em uso pelo paciente. Com o laudo dado pelo laboratório, o médico fica em condições de fazer, com segurança, a reorientação no tratamento, buscando assim uma terapia de resgate. Este exame é coletado no HD, enviado ao Lacen e realizado num laboratório em Brasília, num processo que leva tempo e impacta de forma negativa no tratamento. Outro grande desafio é conseguir restabelecer o atendimento no CTA do hospital, que está com atendimento suspenso.
Hepatite – Pacientes diagnosticados com hepatite viral B e C também são atendidos no Hospital Dia do HUPAA, que dispõe de quatro hepatologistas. O serviço está começando a introduzir os novos medicamentos contra a hepatite C, que dobram as chances de cura em relação ao tratamento até agora aplicado, que incluía a injeção de remédios com efeitos colaterais. “As novas drogas têm o poder de curar, por via oral, com apenas 12 e no máximo 24 semanas (de tratamento), aproximadamente mais de 90% dos casos” enfatiza a infectologista Vânia Pires. No modelo convencional, as chances de cura variam de 40% a 47%, após tratamento realizado entre 48 e 52 semanas.