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GENTE QUE MOVE O HUPAA
Entre livros, histórias e afetos: a trajetória inspiradora de Maria Isabel no HUPAA
Com seus livros e adereços, Isabel leva alegria por onde passa
Maceió (AL) - Quem cruza os corredores do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), já deve ter visto a analista administrativa e bibliotecária Maria Isabel Fernandes Calheiros, da Unidade de E-Saúde e Gerência de Ensino e Pesquisa, cantando, encantando e contando histórias. Ao lado de sua turma, ela leva alegria e afeto para pacientes, acompanhantes e colaboradores. Mesmo no ambiente silencioso da Biblioteca, o resultado não podia ser diferente: ela conseguiu transformar o espaço em um verdadeiro ponto de acolhimento, escuta e cuidado.
Há quase 11 anos trabalhando no hospital, Bel, como é carinhosamente conhecida, construiu uma rotina que equilibra técnica e sensibilidade. “Trabalho aqui na biblioteca atendendo os usuários em suas necessidades de informação, orientando sobre normatização de trabalhos acadêmicos, pesquisa em bases de dados científicas”, explicou. Mas é quando fala das atividades paralelas que os olhos brilham. “Tem uma coisa que me gratifica muito, que é trabalhar com mediação de leitura”, acrescentou.
E é justamente aí que o trabalho ganha um novo significado. Entre pacientes, acompanhantes e até profissionais de saúde, a leitura se transforma em ponte para aliviar as tensões da rotina hospitalar. Projetos como o “Livros! Use sem Moderação” deixam obras disponíveis pelos corredores, sem burocracia. “A gente não determina que tem que devolver. Às vezes eles levam o livro e tudo bem. O importante é o acesso”, contou.
Mas talvez o projeto mais marcante seja o de contação de histórias, realizado com apoio de estudantes e uma equipe multiprofissional formada pela terapeuta ocupacional Sarah Barros, a psicóloga Vanessa Ferry e a professora Ingrid Lúcio, da Escola de Enfermagem, em uma ação de extensão. “Quando você conta uma história, você tira a pessoa daquele ambiente. É como se ela fosse transportada para outro universo. Às vezes a gente chega e encontra dor, angústia, mas quando sai, deixa sorrisos”, descreveu Isabel.
Cuidar é também contar histórias
Ao contrário do que muitos pensam, não são só as crianças que se encantam. “Na prática, a gente vê que o adulto adora ouvir histórias também”, observou. Em uma das experiências mais marcantes, Isabel relembrou um paciente que não aceitava as marcas do próprio corpo deixadas por várias cirurgias. Após ouvir a história do “Vaso Quebrado” que, mesmo imperfeito, criava um jardim pelo caminho, algo mudou naquele paciente. “Ele se identificou muito e ressignificou sua situação. A partir disso, ele percebeu o seu valor. Parece que foi a história certa, na hora certa”, contou.
Ela contou que o impacto também alcança quem participa do projeto como voluntário. Estudantes chegam tímidos e saem transformados. “Eles falam muito sobre perder a timidez, desenvolver a comunicação, melhorar as relações. É uma contribuição enorme, tanto profissional quanto pessoal”, avaliou.
A trajetória de Isabel com as histórias vem de longe. Desde a época da graduação em Biblioteconomia, passando por experiências em biblioteca pública e cursos de formação, ela nunca deixou de contar histórias. “Quando você mexe com emoção, a pessoa se identifica, reflete, até encontra respostas”, garantiu.
Conquistas que dão sentido ao trabalho e à vida pessoal
Dentro do HUPAA, ela também acompanhou de perto a evolução da Biblioteca Hospitalar, que saiu de um espaço pequeno e improvisado a um ambiente mais estruturado, conquistado com esforço coletivo. “É um espaço de muita luta e de grande relevância, pois além de desempenhar as atividades inerentes ao ensino e pesquisa, também auxilia no cuidado integral do paciente", reforçou.
Entre tantos momentos especiais, um dos que mais emocionaram Isabel foi a publicação de um livro com relatos dos estudantes participantes do projeto. “A gente viu que não podia deixar aquilo na gaveta. Foi uma conquista muito bonita”, lembrou.
E fora do trabalho? Mesmo com a rotina intensa, Isabel encontrou no Clube do Livro do HUPAA um respiro necessário. Criado dentro do hospital para profissionais, o grupo promove leituras mensais e trocas de experiências. “As pessoas saem mais leves. É uma construção coletiva, que amplia o olhar de cada um a respeito de si e do outro”, avaliou.
Entre páginas, vozes e encontros, Maria Isabel segue escrevendo uma história que não está apenas nos livros, mas na memória e no coração de todos que cruzam seu caminho. Afinal, como ela mesma mostra todos os dias, cuidar também é contar histórias.
Sobre a HU Brasil
O HUPAA-Ufal faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Suzana Gonçalves
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil