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GENTE QUE MOVE O HUPAA
Do campo à tecnologia: servidor do HUPAA superou distância do interior para construir carreira na TI
O menino do sítio que descobriu a tecnologia na escola e hoje faz a diferença no hospital
Maceió (AL) - Hoje José Ricardo resolve problemas de rede, configura computadores, acompanha sistemas. Mas quem não conhece sua história de vida, não imagina que ele começou sua trajetória bem longe da tecnologia, mais precisamente no Sítio Panelas, na zona rural da cidade de Pedra, interior de Pernambuco.
Aos 38 anos, o técnico em informática completa 11 anos de atuação no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA-Ufal/HU Brasil). No entanto, o caminho até aqui passou por criação de animais, fabricação de queijo coalho, dificuldades e muita persistência. “Meu contato com computador era só na escola. E, mesmo assim, era algo muito básico. Eu vinha de uma realidade totalmente diferente da tecnologia”, relembrou.
Foi ainda no Ensino Médio, em uma escola estadual do interior, que a curiosidade começou a surgir. José Ricardo acabou se destacando entre os colegas de classe por auxiliar os professores nas aulas de laboratório de informática. Sem computador em casa, pediu autorização ao diretor da escola para usar o laboratório fora do horário das aulas e criar um pequeno acervo digital para catalogar espécies de aves.
O primeiro curso de informática veio graças a um esforço da família. Sem condições financeiras, ele lembra do pai escrevendo um bilhete simples para um comprador de queijo liberar R$ 25, valor usado para pagar a matrícula do curso básico de informática. “Eu nunca tinha pedido nada para meu pai porque sabia das dificuldades. Mas aquilo mudou minha vida”, recordou emocionado.
A carta que quase não chegou
Em 2006, veio a aprovação no ProUni para cursar Sistemas de Informação em Maceió. Mas o sonho quase ficou pelo caminho. Sem internet, sem celular e dependendo exclusivamente de correspondências físicas, ele aguardava ansioso a carta da faculdade. Ela chegou justamente no último dia do prazo de entrega da documentação. “Meu pai tinha ido algumas vezes à cidade e não tinha passado nos Correios. Quando trouxe a carta, dizia que eu tinha até aquela sexta para entregar tudo em Maceió”, lembrou.
Sem nunca ter viajado sozinho para a capital alagoana, ele conseguiu uma carona até Garanhuns e, de lá, pegou ônibus para Maceió. A faculdade entendeu a situação e flexibilizou o prazo. Dias depois, a matrícula estava garantida. “Quando olho para trás, vejo que todo esforço valeu a pena. Não me arrependo de nada”, disse.
Do quartel ao hospital
Já em Maceió, conciliou faculdade e trabalho como recenseador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois vieram cursos técnicos e o primeiro estágio em TI, no quartel do Exército, onde teve contato inicial com Linux e softwares livres.
Em 2015, ingressou no HUPAA. Desde então, atua principalmente na área de infraestrutura tecnológica do hospital, uma função muitas vezes invisível para quem está do lado de fora, mas essencial para o funcionamento da assistência. “Às vezes parece que a gente está só habilitando um ponto de rede, mas aquilo impacta diretamente o atendimento de alguém”, contou.
Ele lembrou de uma situação marcante vivida na maternidade do hospital. Uma médica precisava acessar rapidamente o sistema enquanto atendia uma paciente em trabalho de parto, mas havia uma falha na conexão da rede sem fio. “Sem rede, não acessa o sistema. Sem sistema, não evolui o paciente”, resumiu.
José Ricardo conseguiu restabelecer o acesso, mas o que mais ficou na memória foi a cena da médica trabalhando ao lado do bebê recém-nascido. “Para ela, era rotina. Para mim, foi um momento que mostrou claramente como a TI está diretamente ligada à assistência”, compreendeu. Para ele, trabalhar em um hospital público mudou sua percepção sobre o próprio papel como servidor. “A gente entra pensando em estabilidade, mas depois entende a dimensão da política pública na vida das pessoas”, completou.
Tecnologia, leitura e natureza
Na vida pessoal, José Ricardo mantém hábitos que ajudam a desacelerar a rotina da tecnologia. Gosta de silêncio, natureza, viagens e leitura, hábito fortalecido graças ao Clube do Livro do HUPAA, que reúne pessoas de diferentes setores. Para ele, iniciativas assim aproximam pessoas que dificilmente se encontrariam no dia a dia corrido do hospital. “É impressionante como pessoas tão diferentes conseguem se conectar ali. É um momento de sair um pouco do estresse”, avaliou.
Apesar de sempre ter sido um grande entusiasta da tecnologia, ele dá um conselho aos mais jovens: “vá para os livros, vá atrás dos professores, acompanhe profissionais certificados, use sua própria criatividade, mas não recorra à Inteligência Artificial, a menos que a use apenas como suporte para aprimorar seu trabalho, mas nunca para fazer seu trabalho por você”, alertou.
E talvez seja justamente essa busca constante por aprendizado, melhoria e propósito que explique como um jovem do interior pernambucano, que mal tinha acesso a computador, se tornou peça importante no funcionamento tecnológico de um hospital universitário que atende 47 mil pessoas por ano.
Sobre a HU Brasil
O HUPAA-Ufal faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Suzana Gonçalves
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil