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GENTE QUE MOVE O HUPAA
Conheça a trajetória de Fabiana Bastos, pediatra que fez do SUS sua missão de vida
Fabiana Bastos é pediatra há mais de 30 anos e carrega o mesmo sorriso ao atender seus pequenos pacientes
Maceió (AL) - Há histórias que se constroem não apenas pelos anos acumulados, mas pelo impacto causado na vida das pessoas. A da pediatra Fabiana Bastos é uma dessas. Há mais de 30 anos, ela percorre os corredores do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), onde começou ainda jovem, recém-formada, e onde escolheu ficar.
“Filha da casa”, como ela mesma se define, carrega na trajetória profissional a mesma delicadeza e firmeza que marcam sua forma de enxergar o cuidado. Fabiana chegou à instituição ainda na residência médica, aos 23 anos. Pouco depois, já assumia como concursada. Desde então, nunca mais saiu e agora está prestes a se aposentar, tornando-se atualmente uma das pediatras com maior tempo de casa no HUPAA. “Minha vida inteira foi aqui e começou até mesmo antes da residência, pois fiz o curso de medicina na Ufal”, contou.
Hoje, aos 57 anos, sua história se mistura à própria evolução da pediatria no HUPAA-Ufal. Quando chegou ao hospital, em 1995, havia apenas berçário, enfermaria pediátrica, salas de parto e alojamento conjunto, além do ambulatório. “Hoje contamos também com a Unidade de Cuidados Intermediários, a UTI Neonatal e a Enfermaria Canguru, onde exerço minhas atividades dando seguimento aos bebês de alto risco, acompanhando suas comorbidades e minimizando a possibilidade de agravos”, destacou.
Carreira que evoluiu junto à expansão da unidade
Ao longo de mais de três décadas, Fabiana atuou praticamente em todos as unidades da pediatria. “Conheço todas os setores da pediatria do hospital”, disse, não como quem coleciona funções, mas como quem revisita etapas de uma missão contínua. Essa vivência ampla permite que ela observe, com clareza, as transformações da assistência ao longo do tempo. “O hospital avançou muito”, afirmou, destacando o crescimento da equipe e a qualificação dos profissionais nos últimos anos.
Para ela, o que se construiu foi uma pediatria de excelência, resultado de um trabalho coletivo que vai muito além da figura do médico. E isso também pode ser notado em outras melhorias que foram realizadas para os pequenos que passam pelo HUPAA. Enquanto aguardam o atendimento com Fabiana, por exemplo, as crianças brincam no parque infantil, criado há pouco mais de um ano para oferecer bem-estar, humanização e cuidado integral às crianças em tratamento. Além disso, a instalação de uma UTI Pediátrica está em andamento e será o próximo passo para ampliar a capacidade de atendimento especializado infantil.
Escuta que vai além do sintoma
É justamente na humanização que Fabiana sustenta uma de suas convicções mais firmes: o cuidado é, antes de tudo, uma rede. “O atendimento começa na recepção, passa pela limpeza, pelos exames, por todos os profissionais. Não existe hierarquia quando o objetivo é cuidar”, defendeu. Como boa defensora do Sistema Único de Saúde (SUS), ela lembra que todos fazem parte dele, inclusive como usuários das vacinas gratuitas. "Já tive consultório particular e era rentável na época, mas optei por trabalhar no SUS”, afirmou com orgulho.
Se há algo que define sua atuação, é a escuta. Uma escuta que vai além do sintoma, que tenta alcançar a realidade de cada criança e de cada família. “A gente precisa saber de onde essa criança vem, como vive, qual é a renda da família, para entender até como definir um tratamento, prescrição de remédios, tipo de alimentação, entre outras orientações”, explicou.
Em um cenário muitas vezes marcado por vulnerabilidades sociais, Fabiana assume um papel que considera essencial: ser a voz de quem ainda não consegue se expressar plenamente. “Nosso papel é esse: ser a voz da criança”, afirmou. E essa missão, segundo ela, exige não apenas técnica, mas firmeza e coragem, inclusive para enfrentar limitações do próprio sistema quando necessário.
Quem cuida também precisa ser cuidada
Fora do expediente, Fabiana encontra na leitura um espaço para relaxar entre os colegas. Ela participa do Clube do Livro da Biblioteca do HUPAA, onde compartilha reflexões sobre a ficção e a vida. Em casa, também se permite desfrutar de outros momentos de entretenimento e descanso, como assistir a um filme ou a uma série, pausas necessárias para quem dedica tanto ao outro.
Na vida pessoal, a pediatra carrega histórias de afeto e recomeço. Mãe de dois filhos, fala com ternura sobre cada um deles e sobre os caminhos que seguiram. Também compartilha, com naturalidade, os desafios de saúde que enfrentou nos últimos anos. Diagnosticada com enfisema pulmonar e submetida a cirurgias delicadas, aprendeu a olhar o tempo com mais leveza. “Eu não achava que estaria aqui hoje. Então, eu agradeço cada dia”, declarou.
Talvez por isso seus planos para o futuro tenham a mesma coerência que marcou sua trajetória até aqui. Entre eles, está o desejo de oferecer atendimento voluntário em acupuntura no serviço público. “Quando me aposentar, quero continuar ajudando, mas sem pensar em retorno financeiro”, disse.
Vocação para cuidar de quem mais precisa
Católica fervorosa, antes de cada jornada de trabalho, Fabiana mantém um ritual silencioso: a oração. “Peço ao Divino Espírito Santo que me ilumine para enxergar o que é real e ajudar meus pacientes da melhor forma possível”. É dessa fé que, segundo ela, vem a força para seguir, mesmo diante dos desafios.
Ela conta que, ao longo da carreira, muitas histórias ficaram pelo caminho, algumas felizes, outras dolorosas. Entre as lembranças que permanecem, estão pacientes que não resistiram. “Esses eu não consigo esquecer e nem quero”, disse, com a sinceridade de quem entende que o respeito à memória também é parte do cuidado.
Curiosamente, ao falar de uma trajetória tão longa e impactante na vida de seus pacientes, Fabiana evita a palavra “orgulho”; prefere gratidão. “Nunca me senti orgulhosa, mas sim muito grata. Eu só peço a Deus para ser Seu instrumento para ajudar meus pacientes. Tudo de positivo vem Dele”, resumiu.
Ao olhar para trás, Fabiana não fala em legado, mas ele está ali, nas gerações de profissionais que ajudou a formar, nas crianças que atendeu, nas famílias que acolheu. E, sobretudo, na forma como entende o cuidado: um ato coletivo, humano e profundamente comprometido com a dignidade de cada vida.
Sobre a Ebserh
O HUPAA-Ufal faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Suzana Gonçalves
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh