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O paciente do Huol, Milton Guilherme Ramos, relata: “Reencontrei a minha voz pela escrita”
Meu nome é Milton Guilherme Ramos, tenho 53 anos, sou ex-professor e doutor pela UFRN, com formação em Linguística e Estudos da Linguagem. Após uma situação marcante em minha vida, minha forma de pensar e perceber o mundo mudou de maneira abrupta. Passei a vivenciar alucinações, episódios de delírios e um profundo desequilíbrio emocional. Durante anos, procurei ajuda de diversos especialistas em busca de respostas que não encontrava com clareza.
Foi no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN/HU-Brasil) que encontrei um caminho. Com o acompanhamento adequado, recebi o diagnóstico de esquizofrenia pelo neurologista Walter Barbalho. O diagnóstico, que para muitos poderia representar apenas um rótulo, significou para mim um ponto de virada. Trouxe compreensão sobre o que eu vivia e, principalmente, a possibilidade de tratamento e reconstrução da minha vida.
Uma história de amor com a escrita
A escrita sempre fez parte da minha trajetória. Desde a adolescência, mergulhei em leituras e estudos sobre filosofia, psicologia e diferentes correntes teóricas. Mas minha relação com as palavras não se limitou ao universo acadêmico. Nos poemas, diários e crônicas, encontrei uma forma de expressar sentimentos, reflexões e experiências. A palavra sempre foi o meu lugar de pertencimento.
Durante o tratamento no HUOL, essa relação ganhou um novo significado. Além do acolhimento clínico, encontrei incentivo para continuar escrevendo, explorar novos gêneros literários e acreditar que minha produção poderia alcançar outras pessoas.
Em 2024, publiquei os livros Minha História Minha Vida: Memórias e Lembranças e 72 Poemas. Desde então, sigo escrevendo e desenvolvendo novos projetos. Atualmente, trabalho em uma obra sobre a esquizofrenia, com o objetivo de transformar minha experiência em conhecimento e apoio para pessoas que também convivem com transtornos mentais.
Meu sonho é continuar escrevendo sobre diferentes temas e, por meio da literatura, ampliar o alcance da minha voz. Aquela voz que um dia se perdeu em meio aos delírios hoje encontra nas palavras um instrumento de reflexão, acolhimento e transformação.
O HUOL não apenas me ofereceu tratamento. O HUOL me devolveu caminhos.
