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Sensibilidade
A história de Charles Matos no HUOL: onde a música encontra o cuidado!
Charles Matos, 59 anos, é analista de TI no HUOL desde 2014. Casado, tem na esposa — enfermeira da área de diálise do hospital — uma grande parceira de vida! Fora do ambiente hospitalar, é apaixonado por música e também pelo voo livre, sendo piloto de parapente há décadas. De perfil simples e sensível, vivencia no cotidiano o desejo de estar próximo das pessoas e de transformar, por meio da sua arte, os ambientes por onde passa.
A música habita em mim
Antes mesmo de trabalhar no hospital, a música já fazia parte de quem eu sou. Eu morava de frente para uma pracinha em Pirangi do Norte e, todos os dias, às 18h, tocava “Ave Maria” da minha varanda. Era algo natural, sem pretensão. Às vezes tinha gente ouvindo, às vezes não — mas aquilo já me fazia bem. Sempre toquei vários instrumentos, como clarinete, saxofone, violão, guitarra e pandeiro, por minha conta, sem curso.
Quando entrei na rede, em 2014, levei esse hábito comigo. Passei a tocar às 18h no Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN), em Santa Cruz, ainda no fim da tarde. Era minha forma de oferecer algo simples, mas sincero.
Certo dia, uma paciente me procurou, depois de ter seu bebê. Ela queria agradecer. Disse que estava em um trabalho de parto difícil, já há muito tempo, e que, ao ouvir a música, conseguiu se acalmar, se concentrar… e, naquele momento, o parto aconteceu, às 18h.
Ouvir aquilo me marcou profundamente. Eu não fiz o parto, não era minha função — mas, de alguma forma, estive ali. A música chegou onde eu não poderia chegar. E isso mudou a forma como eu enxergo tudo o que faço aqui.
Voluntariado: uma via de mão dupla
Hoje, no HUOL, toco pela manhã, no horário de troca de plantão. Escolhi esse momento porque é quando muita gente está chegando ou saindo, muitas vezes cansada, preocupada ou emocionalmente sobrecarregada.
A música, para mim, não é só religiosa. Toco “Ave Maria” para todos, não apenas para católicos. A canção é um instrumento de acolhimento. Independentemente da crença, ela pode trazer paz, ajudar alguém a respirar melhor, a se reconectar por alguns minutos. Às vezes, vejo pessoas pararem, fecharem os olhos, ficarem em silêncio ou de joelhos. Fazem oração, meditação. Cada uma vive aquilo do seu jeito.
Percebo que a música alcança pacientes, acompanhantes e também os profissionais. É um instante de pausa em meio à rotina intensa do hospital.
Mas não é só sobre o outro. Quando eu toco, eu também me transformo. Mesmo nos dias em que não estou bem, quando venho e começo, algo muda. Eu me renovo, me reabasteço. É como se eu recebesse de volta aquilo que estou oferecendo.
Humanização no trabalho
Além da música diária, participo da Comissão de Humanização. Já toquei nos corredores, em leitos e em espaços de convivência. Cada encontro é único.
Acredito que cada pessoa pode contribuir com o que sabe fazer — não precisa ser música. Pode ser uma arte, uma escuta, uma presença. O importante é colocar o seu talento a serviço do outro.
Depois de 12 anos, sigo porque isso faz sentido para mim. Porque sei que, mesmo sendo um gesto simples, ele pode tocar alguém em um momento importante.
E porque, no fim, existe uma troca: há a felicidade de quem recebe… e a de quem oferece. Posso dizer que faço parte de todo esse processo e fico pleno por produzir música e oferecê-la a quem está ao meu redor. Tocar é uma forma de se expressar, e essa dinâmica é muito gratificante!
Depoimento de Charles Matos, Analista de T I
Por Aretha Souza Lins,
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil