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SAÚDE DA MULHER
Sintomas de infarto nas mulheres podem ser diferentes e dificultar diagnóstico
Natal (RN) – Quando se fala em saúde da mulher, a atenção costuma estar voltada principalmente para a prevenção de doenças ginecológicas. No entanto, especialistas alertam para outro problema que também merece destaque: as doenças cardiovasculares, responsáveis por grande parte das mortes femininas no Brasil e no mundo. O tema ganha ainda mais visibilidade no mês de maio, marcado pelo Dia Nacional das Doenças Cardiovasculares na Mulher, instituído em 2022 com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos, a importância do diagnóstico precoce e das medidas de prevenção.
A cardiologista e superintendente do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), da Rede HU Brasil, Eliane Pereira, explica que as doenças cardiovasculares ainda são subestimadas quando o assunto é saúde feminina. Segundo ela, embora os homens apresentem maior incidência de infartos em idades mais precoces, as mulheres costumam evoluir com quadros mais graves e apresentam maior risco de morte após um evento cardíaco.
“A mulher possui uma proteção hormonal importante até a menopausa, devido à ação do estrogênio. Com a redução desse hormônio, o risco cardiovascular aumenta significativamente e passa a se aproximar — ou até superar — o dos homens”, destaca a especialista.
Entre os principais problemas fatais estão o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC). Além do envelhecimento e das alterações hormonais, fatores como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo contribuem diretamente para o agravamento desse cenário.
Sintomas podem ser diferentes nas mulheres
Um dos principais desafios para o diagnóstico precoce das doenças cardiovasculares femininas é que os sintomas costumam ser menos específicos do que nos homens.
“Enquanto o homem frequentemente apresenta a clássica dor forte no peito irradiando para o braço esquerdo, as mulheres podem ter sintomas mais sutis, como falta de ar, fadiga intensa, náuseas, dor nas costas, no pescoço ou sensação de indigestão”, explica Eliane Pereira.
De acordo com a cardiologista, essa diferença faz com que muitas mulheres confundam o infarto com ansiedade, estresse ou problemas digestivos, atrasando a busca por atendimento médico.
Fatores de risco específicos da saúde feminina
Além dos fatores de risco tradicionais, algumas condições específicas da saúde da mulher também aumentam a probabilidade de doenças cardiovasculares.
A menopausa, por exemplo, favorece alterações no colesterol e acelera o processo de aterosclerose, caracterizado pelo acúmulo de gordura nas artérias. Já a síndrome dos ovários policísticos está associada à resistência à insulina, hipertensão e maior risco metabólico.
Outro ponto de atenção são as complicações gestacionais. Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou parto prematuro apresentam maior chance de desenvolver hipertensão, infarto e AVC ao longo da vida.
As doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, também merecem atenção especial. “Essas doenças provocam um processo inflamatório crônico que afeta diretamente os vasos sanguíneos, aumentando o risco cardiovascular”, ressalta a especialista.
Doenças cardíacas mais frequentes em mulheres
Algumas doenças cardíacas também são mais comuns no sexo feminino. Entre elas está a chamada síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo, geralmente desencadeada por situações de estresse emocional intenso e mais frequente em mulheres após a menopausa.
Outra condição recorrente é a doença microvascular coronariana, que afeta os pequenos vasos do coração e pode não ser detectada em exames convencionais.
Prevenção continua sendo o melhor caminho
Apesar dos riscos, a maior parte dos fatores associados às doenças cardiovasculares pode ser controlada. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do cigarro e acompanhamento médico periódico são medidas essenciais para a prevenção.
“O primeiro passo é nunca ignorar os exames de rotina cardíaca, especialmente ao entrar na fase do climatério e menopausa, e focar na prevenção e em um estilo de vida saudável”, reforça Eliane Pereira.
Sobre a HU Brasil
O Huol-UFRN faz parte da HU Brasil desde 2013. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.