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SETEMBRO LILÁS
Esquecimento de fatos recentes e perda de autonomia estão entre os sintomas do Alzheimer
Brasília (DF) - Em 2023, Ruth Barbosa começou a notar mudanças sutis no comportamento de sua mãe, dona Rosalina, seguidas por lapsos frequentes de memória. Pouco tempo depois, veio a confirmação do diagnóstico da Doença de Alzheimer. “Isso mudou totalmente a rotina dela, desde os afazeres diários da casa até os cuidados pessoais”, relata Ruth.
O relato reflete a realidade de milhões de famílias brasileiras. Para orientar a população sobre o reconhecimento precoce dos sintomas, novos tratamentos e estratégias de cuidado, neurologistas da HU Brasil esclarecem os principais aspectos da condição.
Sinais de alerta
A Doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e funções cognitivas essenciais, como linguagem, raciocínio, orientação e autonomia para atividades diárias.
De acordo com o neurologista Rodrigo Alencar, do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), a Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência em idosos no Brasil e responde por 60% a 70% desses diagnósticos.
Entre os sintomas mais frequentes, estão o esquecimento de fatos recentes, desorientação no tempo e no espaço, perda de autonomia para realizar tarefas cotidianas como cozinhar ou gerir contas e mudanças comportamentais como apatia, sintomas depressivos e oscilações de humor.
O neurologista e chefe da Unidade do Sistema Neurológico do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), Delson José da Silva, ressalta que o próprio paciente costuma não perceber ou não aceitar as falhas de memória.
“Por isso, é muito importante que o paciente vá à consulta médica acompanhado de um familiar ou parente próximo que participe ativamente de sua rotina diária”, orienta Delson Silva.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da doença combina avaliação médica detalhada, histórico relatado por familiares, testes neuropsicológicos e exames de imagem e sangue para excluir outras causas. Atualmente, já é possível identificar alterações associadas ao Alzheimer precocemente por meio de um exame de sangue que mede a proteína p-tau217 no organismo. Estudos indicam precisão de cerca de 95%, em comparação com os testes considerados padrão-ouro.
No entanto, o exame ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e sua interpretação exige cautela. Segundo o neurologista Pedro Levi Alencar, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), condições clínicas, como a doença renal crônica, podem gerar falsos positivos, e os pontos de corte específicos para a população brasileira ainda estão em definição e variam conforme a tecnologia utilizada.
Apesar de a doença ainda não ter cura, o cenário terapêutico passou por transformações relevantes. Pedro Levi Alencar explica que, além dos medicamentos sintomáticos tradicionais, o país conta com terapias modificadoras da doença.
“Aprovados no Brasil em 2025, esses medicamentos atuam desacelerando o declínio cognitivo-funcional demonstrado em acompanhamentos clínicos de 18 a 36 meses”, esclarece o neurologista do Humap.
O especialista ressalta, no entanto, que essas terapias são indicadas exclusivamente para fases iniciais, exigem confirmação biológica por biomarcadores, acompanhamento regular por imagem devido ao risco de efeitos colaterais e ainda não possuem cobertura pelo SUS. Por isso, a investigação diante dos primeiros sinais tornou-se decisiva.
Delson Silva, do HC-UFG, destaca que, além do tratamento medicamentoso, a abordagem multidisciplinar é indispensável. “É fundamental associar o tratamento a reabilitação com fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional, além de apoio psicológico para o paciente e suporte ao cuidador. Recomendamos todo um processo educativo focado nessa rede de apoio”, enfatiza.
Formas de prevenção e cuidados
Embora não exista uma forma definitiva de prevenir o surgimento da patologia, a adoção de hábitos saudáveis reduz os riscos e ajuda a preservar a reserva cognitiva por mais tempo.
O médico Gustavo Souto, neurologista do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), reforça que praticar atividade física regular, controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter o sono regulado são medidas fundamentais. “Além disso, manter-se mental e socialmente ativo, lendo, estudando e convivendo com outras pessoas, fortalece as conexões cerebrais”, recomenda.
Para auxiliar na qualidade de vida do paciente, o neurologista Rodrigo Alencar reforça a importância de estabelecer rotinas estruturadas e previsíveis, evitando confrontos diretos ou situações que possam gerar estresse, ansiedade ou agitação no paciente, além de estimular sua autonomia com vigilância e participação nas atividades cotidianas.
“Ao compreender a evolução da doença, respeitar a individualidade e acolher o paciente com empatia e afeto, reduzimos alterações comportamentais e proporcionamos maior conforto a toda a família”, finaliza o Alencar.
Gerência Executiva de Comunicação Social da Rede HU Brasil