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SEGURANÇA DO PACIENTE
Entenda os cuidados para reduzir riscos na assistência à saúde
Aracaju e Lagarto (SE) – Celebrado em 17 de setembro, o Dia Mundial da Segurança do Paciente traz em 2026 o tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis” e o lema “Cuidado seguro para a vida!”. A proposta é colocar em debate um dos maiores desafios da saúde: garantir um cuidado livre de danos a pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo, múltiplas intervenções e articulação entre os diferentes níveis de atenção. O foco deste ano são as doenças crônicas não transmissíveis, com atenção especial a condições como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas.
Para a chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), a enfermeira Simonize Cunha, não se trata apenas de uma data comemorativa, mas de um momento de reflexão global. “É uma oportunidade de mobilização, reflexão e conscientização coletiva, um momento para reforçar que a segurança do paciente é uma responsabilidade de todos e precisa estar incorporada à cultura institucional, desde a gestão até cada profissional que participa direta ou indiretamente do cuidado. Para as equipes hospitalares, a data possibilita refletir sobre as práticas assistenciais, identificar riscos, discutir incidentes e fortalecer a aprendizagem a partir dos erros e das situações que poderiam ter causado danos. Também é uma oportunidade para reconhecer boas práticas e reforçar a importância da comunicação, do trabalho em equipe e da participação dos profissionais na construção de processos mais seguros”, afirma.
A enfermeira ressalta que esta sensibilização é igualmente importante para a sociedade, porque o paciente e sua família também são protagonistas do cuidado. “A segurança do paciente precisa ir além do cumprimento de protocolos ou do preenchimento de um checklist. O protocolo é uma ferramenta importante, mas é preciso que a segurança seja incorporada à cultura institucional e à prática cotidiana de cada profissional”, diz.
No HU-UFS, um dos objetivos é transformar os protocolos em comportamentos e atitudes concretas. Isso acontece por meio das capacitações das equipes, do monitoramento dos indicadores, das auditorias e visitas aos setores, das discussões dos eventos adversos e da construção dos planos de melhoria contínua. “Quando apresentamos para as equipes assistenciais as taxas de infecção, a adesão à higiene das mãos, a adesão ao checklist cirúrgico ou uma não conformidade identificada em um processo, buscamos aproximar os indicadores monitorados a realidade assistencial, mostrando às equipes o que aquele resultado representa para o paciente e quais mudanças podem ser feitas na prática. A conexão entre os indicadores monitorados e os processos assistenciais ajuda a construir uma cultura em que a segurança é responsabilidade de todos e está presente nas decisões do dia a dia, entendida como parte essencial da assistência”, complementa Simonize.
Muito além do cumprimento de protocolos
Da mesma forma, no Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS/HU Brasil), a segurança do paciente vai muito além do cumprimento de protocolos e checklists, conforme ressalta a chefe substituta do Setor de Gestão da Qualidade e Vigilância em Saúde, Adriana Lopes. “No HUL-UFS, trabalhamos a cultura de segurança desde 2018, promovendo um processo contínuo de amadurecimento institucional. Ao longo desses anos, observamos algumas mudanças, especialmente na forma como os profissionais identificam e notificam riscos, incidentes e eventos adversos, demonstrando maior compreensão sobre seu papel na prevenção de danos. Isso é resultado de ações permanentes de educação, capacitações, devolutivas às equipes, monitoramento de indicadores e diálogo constante entre o Setor de Gestão da Qualidade e Vigilância em Saúde, a Unidade de Riscos Assistenciais, em articulação com o Núcleo de Segurança do Paciente e os gestores das áreas assistenciais”, explica.
Para Adriana, é desta forma que a segurança deixa de ser vista como uma obrigação burocrática e passa a ser incorporada como um valor essencial do cuidado, compartilhado por todos os profissionais da instituição. “No HUL-UFS, a promoção da segurança do paciente está baseada em um conjunto de ações integradas que envolvem gestão de riscos, monitoramento de indicadores, implementação dos protocolos de segurança do paciente, capacitação contínua das equipes e análise dos incidentes notificados por meio do Vigihosp. Também realizamos auditorias assistenciais, campanhas educativas e reuniões periódicas com gestores e profissionais para discussão de oportunidades de melhoria”, aponta.
Metas de Segurança do Paciente
Em Aracaju, no HU-UFS, um dos pilares é a implementação e o acompanhamento das Metas de Segurança do Paciente, que orientam práticas fundamentais para uma assistência mais segura. “Entre elas, destacamos ações voltadas para a identificação correta do paciente; a comunicação efetiva entre os profissionais; a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos; a segurança nos procedimentos cirúrgicos; a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, especialmente por meio da higiene das mãos; e a prevenção de quedas e lesões por pressão”, cita a enfermeira Simonize Cunha.
“Um exemplo relevante de ação de promoção da segurança do paciente desenvolvido no HU-UFS é o Protocolo Institucional de Gestão da Sepse, especialmente no mês de Setembro quando é celebrado o Dia Mundial da Sepse, ações serão realizadas para fortalecer a detecção precoce, a condução adequada e a notificação dos casos, com capacitação permanente das equipes assistenciais. Outro eixo importante é a atuação da Vigilância Epidemiológica, que contribui diretamente para a segurança dos pacientes e dos profissionais por meio da detecção, notificação, investigação e monitoramento das doenças e agravos de notificação compulsória, além do acompanhamento de eventos epidemiológicos, identificação de situações de risco e adoção de medidas de prevenção e controle”, detalha.
Hospital de ensino
Por serem hospitais de ensino, o HU-UFS e o HUL-UFS têm um compromisso com a formação de profissionais para que compreendam que a segurança do paciente não é uma responsabilidade exclusiva de um setor ou de um profissional, mas um compromisso de toda a equipe de saúde. O grande diferencial é justamente possibilitar que os estudantes vivenciem, desde a formação, a segurança do paciente integrada à prática assistencial.
Nos cenários de prática dos hospitais, o contato dos futuros profissionais com o serviço de qualidade e segurança do paciente, com o controle de infecções, com as ações de vigilância epidemiológica e com as equipes assistenciais, permite que o estudante compreenda a importância da identificação de riscos, da notificação de incidentes e da análise dos processos de trabalho. Isso contribui para desenvolver uma postura mais crítica e proativa, estimulando o profissional a identificar situações de risco, compreender suas causas e atuar de forma preventiva para reduzir a possibilidade de incidentes e danos ao paciente.
Desde os primeiros períodos da graduação, os estudantes são estimulados a vivenciar conceitos e práticas relacionados à qualidade e à segurança assistencial, inclusive por meio da participação em ligas acadêmicas e atividades de acompanhamento dos protocolos básicos de segurança do paciente, sob orientação de docentes e profissionais da instituição. Além disso, durante a integração de novos internos, residentes médicos e residentes multiprofissionais, a equipe da Gestão da Qualidade participa regularmente abordando temas como segurança do paciente, gestão de riscos e prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde.
Conheça as seis metas internacionais de segurança do paciente:
- Identificação correta do paciente.
- Comunicação efetiva.
- Uso seguro dos medicamentos.
- Cirurgia segura.
- Higiene das mãos.
- Prevenção de danos decorrentes de quedas.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFS e o HUL-UFS integram a Rede HU Brasil desde 2013 e 2017, respectivamente. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.