Notícias
PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS
Do diagnóstico ao controle: o que você precisa saber sobre a asma
Campina Grande (PB) - A asma é uma doença respiratória muito comum. Ela acontece porque existe uma inflamação crônica dos brônquios, que são os canais que levam o ar até os pulmões. Essa inflamação deixa os brônquios mais sensíveis e faz com que eles se fechem diante de estímulos como poeira, fumaça, mofo, pelos de animais, mudanças de temperatura, infecções virais, exercício físico e até situações de estresse. Quando isso acontece, o ar encontra dificuldade para passar, provocando os sintomas característicos da doença.
Segundo o médico pneumologista do HUAC, Isnard Maul, a asma tem tratamento e a maioria dos pacientes levam uma vida normal."É importante lembrar que a asma não é contagiosa e não acontece apenas na infância. Ela pode surgir em qualquer idade e acompanhar a pessoa durante muitos anos. Felizmente, com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida completamente normal, estudando, trabalhando, praticando atividades físicas e dormindo bem".
A asma é uma das doenças crônicas mais frequentes do mundo. Estima-se que mais de 260 milhões de pessoas convivam com ela. No Brasil, milhões de brasileiros têm asma, e a doença ainda é responsável por milhares de internações todos os anos, principalmente quando não é diagnosticada precocemente ou quando o tratamento não é seguido corretamente.
Os sintomas mais comuns são falta de ar, chiado no peito, tosse persistente — especialmente durante a noite ou de madrugada — e sensação de aperto no peito. Uma característica importante é que esses sintomas variam ao longo do tempo. O paciente pode passar dias muito bem e, em outros momentos, apresentar crises desencadeadas por algum fator específico.
Asma grave
Muitas pessoas acreditam que qualquer crise intensa significa asma grave, mas isso não é verdade. A asma grave representa apenas cerca de 3 a 10% dos pacientes com asma. Apesar disso, esse grupo responde por uma parcela importante das internações, das idas às emergências e dos custos relacionados à doença.
Chamamos de asma grave aquela que permanece sem controle mesmo quando o paciente utiliza corretamente os tratamentos mais eficazes disponíveis, como corticoides inalados em altas doses associadas a broncodilatadores de longa duração.
Mas antes de dizer que alguém tem asma grave, precisamos responder algumas perguntas importantes. O diagnóstico está realmente correto? O paciente usa a bombinha da maneira adequada? Faz o tratamento todos os dias? Existe alguma doença associada dificultando o controle, como rinite, refluxo, obesidade ou tabagismo?
Na prática, um dos motivos mais comuns para a asma permanecer sem controle é justamente o uso incorreto da medicação inalatória ou a interrupção do tratamento quando os sintomas melhoram.
Alguns sinais indicam que o paciente deve procurar avaliação com um especialista. É o caso de quem apresenta crises frequentes, usa a bombinha de alívio várias vezes por semana, acorda repetidamente durante a noite por falta de ar, precisa tomar corticoides em comprimidos ou injeções várias vezes ao longo do ano, já precisou procurar uma UPA ou hospital por crises de asma ou continua tendo limitações nas atividades do dia a dia, apesar do tratamento.
O objetivo do tratamento da asma é justamente evitar crises e permitir que a pessoa tenha uma vida sem limitações. Hoje sabe-se que apenas aliviar os sintomas não é suficiente. A bombinha de alívio serve para tratar a crise naquele momento, mas quem controla a doença é o tratamento anti-inflamatório, feito regularmente conforme orientação médica.
Isnard Maul destaca o avanço dos medicamentos para asma grave "Nos últimos anos, ocorreu uma verdadeira revolução no tratamento da asma grave com o desenvolvimento dos medicamentos imunobiológicos. Esses medicamentos atuam de maneira muito específica sobre os mecanismos responsáveis pela inflamação da doença. Com isso, conseguem reduzir significativamente o número de crises, diminuir internações, melhorar a qualidade de vida e reduzir, ou até eliminar, a necessidade do uso frequente de corticoides por via oral, que podem causar diversos efeitos colaterais quando usados por longos períodos".
É importante destacar que esses medicamentos não são indicados para todos os pacientes com asma. Eles são destinados aos casos de asma grave e a indicação depende de uma avaliação especializada para identificar o perfil da doença de cada pessoa.
Hoje, vários desses medicamentos já estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes que atendem aos critérios estabelecidos pelos protocolos clínicos, o que representa um grande avanço para a saúde pública.
Aqui na Paraíba, há um ambulatório especializado em asma grave no Hospital Universitário Alcides Carneiro, o HUAC, em Campina Grande. O serviço recebe pacientes encaminhados para investigação de casos de difícil controle, realiza uma avaliação para identificar o tipo de asma e oferece acesso aos tratamentos disponíveis, incluindo os imunobiológicos quando existe indicação.
Sobre a HU Brasil
O HUAC-UFCG integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Gerência-Executiva de Comunicação Social/Rede HU Brasil