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SAÚDE
Dia Mundial da Paralisia Cerebral reforça importância do diagnóstico precoce e da reabilitação
Campina Grande (PB) - O Dia Mundial da Paralisia Cerebral, celebrado em 6 de outubro, é uma oportunidade para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a condição e reforçar a importância do diagnóstico e da intervenção precoces. A data também chama atenção para temas como inclusão, acessibilidade, autonomia e garantia de direitos das pessoas com paralisia cerebral.
A paralisia cerebral é uma condição que pode apresentar diferentes manifestações, de acordo com a área do desenvolvimento comprometida e as características de cada pessoa. Por isso, a identificação dos sinais de alerta durante o desenvolvimento infantil é fundamental para que a criança possa ser avaliada e, quando necessário, encaminhada para acompanhamento especializado.
De acordo com a neuropediatra do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC-UFCG), Maria Izabel Rodrigues, durante o primeiro ano de vida, alguns sinais que merecem atenção são atrasos nos marcos motores, como dificuldade para sustentar a cabeça, rolar ou sentar; assimetria nos movimentos dos membros; alterações do tônus muscular, que podem se manifestar como rigidez ou flacidez; além de posturas ou movimentos incomuns.
Após o primeiro ano, também devemos observar dificuldades para andar, correr ou realizar movimentos esperados para a idade, andar persistentemente na ponta dos pés ou apresentar assimetrias importantes. Algumas crianças podem ainda apresentar dificuldades para mastigar e engolir, com episódios de engasgos, além de alterações da fala, como a disartria.
É importante lembrar que um sinal isolado não significa necessariamente paralisia cerebral. O que chama a atenção é a presença de alterações persistentes do desenvolvimento, especialmente quando há fatores de risco ou outros sinais neurológicos associados.
Diagnóstico precoce
A identificação precoce permite iniciar mais rapidamente estratégias de reabilitação e acompanhar possíveis complicações relacionadas à condição. Nos primeiros anos de vida, o cérebro apresenta grande capacidade de adaptação, fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
A intervenção precoce não significa eliminar as manifestações da paralisia cerebral, mas pode favorecer o desenvolvimento de habilidades funcionais, prevenir ou reduzir complicações e contribuir para maior autonomia e qualidade de vida.
“É necessário acompanhar o desenvolvimento da criança de forma global, identificar suas necessidades e oferecer os recursos adequados para que ela alcance o máximo possível do seu potencial funcional”, explica Maria Izabel.
Reabilitação multiprofissional
O cuidado às pessoas com paralisia cerebral envolve diferentes áreas e deve ser planejado de acordo com as necessidades individuais. Entre as modalidades de reabilitação que podem ser oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) estão fisioterapia motora e respiratória e fonoaudiologia. Dependendo da estrutura e da organização dos serviços, também podem estar disponíveis modalidades como hidroterapia e equoterapia.
Além das terapias, também podem ser disponibilizados recursos de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas, andadores, órteses e outros dispositivos que auxiliem na mobilidade, na comunicação e na autonomia. Em situações específicas, podem ser necessários recursos como a gastrostomia para garantir uma alimentação segura e adequada.
Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência
Dentro do SUS, a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) organiza a assistência às pessoas com deficiência, enquanto os Centros Especializados em Reabilitação (CER) constituem importantes pontos dessa rede.
Os CER realizam atendimentos de reabilitação por equipes multiprofissionais, de acordo com as necessidades de cada paciente. Conforme a estrutura do serviço, também pode haver acompanhamento médico especializado e articulação com outras áreas da saúde, como neurologia, ortopedia, pneumologia e gastroenterologia.
Essa abordagem multiprofissional é importante porque a paralisia cerebral pode envolver diferentes aspectos do desenvolvimento e da funcionalidade. Dessa forma, o cuidado precisa considerar não apenas a condição neurológica, mas também a comunicação, a alimentação, a mobilidade, a respiração, a participação social e a autonomia.
Além do diagnóstico: inclusão e acessibilidade
A campanha do Dia Mundial da Paralisia Cerebral também contribui para desconstruir conceitos equivocados sobre a condição. O diagnóstico não significa que o cérebro da pessoa tenha deixado de se desenvolver. Ele representa o início de um processo de compreensão das necessidades individuais e de definição das estratégias de cuidado e reabilitação.
Sobre a HU Brasil
O Huac-UFCG faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.